Arquivo diários:09/08/2015

Situação do ABC está pior que a de Dilma Rousseff

Do Facebook de Bruno Giovanni – O ABC, depois de algum tempo, voltou a ser uma das minhas preocupações. Observo a situação do Mais Querido com muita preocupação. Não recordo ter visto o clube de Vicente Farache com projeção de futuro tão negro pela frente, nem mesmo nos anos sem títulos no início da década de 1980, nem quando ficamos até sem série em meados dos anos 2000. Ou na queda vexatória de 2009.

E quando falo em futuro negro, falo no clube como um todo, em vitórias, na parte administrativa, patrimonial e na torcida.

O ABC amarga três anos de derrotas dentro dos gramados. Três anos de vexames. Não ganharemos mais nada dentro de campo em 2015, o máximo que iremos conseguir, é nos salvar, e isso, convenhamos, não é vitória.

Aliás, 2015, o ano do centenário, é para esquecer.

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O ABC nos últimos três anos, bateu a marca de 150 contratações de jogadores, ultrapassou 12 contratações de técnicos, atingiu mais de R$ 6 milhões só de dívidas trabalhistas, só dessa gestão.

O ABC está deixando o orgulho dos torcedores no chão. Virou uma “roçadeira” de destruir reputações de quem já passou pelo clube e dedicou amor, tempo e dinheiro.

O ABC nunca arrecadou tanto financeiramente. O que de pratico se fez pelo clube?

Vendo tudo isso, e sentindo um aperto grande dentro do coração, vendo grandes torcedores só faltando ir as tapas por causa de divergências de ponto de vista, amigos conselheiros e diretores virando inimigos, vendo o pouco caso de quem está à frente do clube em relação ao sentimento da torcida, e depois de um ex-funcionário do clube, o PASTANA, ameaçar com uma “propriedade” sem igual vários grandes alvinegros, achei que poderia, sim, fazer algo, mesmo dentro das minhas limitações.

Sozinho, tomei a iniciativa de sair atrás de vários amigos conselheiros, ex-presidentes, ex-diretores, amigos de torcidas organizadas, sai conversando com todos, tive grande receptividade.

A ideia de convocar uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo andou. Com o objetivo de sairmos dessa reunião com alguma luz, conseguimos até o momento 31 assinaturas.

Conversei com o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Vasconcelos e daí deflagramos algumas ações.

1 – Eu e Fernando marcamos uma reunião com o ex-presidente Paiva Torres, reunião essa que aconteceu, onde todos os presentes foram unânimes em reconhecer a grave situação por que o clube passa no momento. Cada um saiu da reunião com algumas tarefas. Infelizmente, o retorno dessas tarefas não foi proveitoso. O ex-presidente Paiva, obteve dificuldades pessoais nas resoluções, Fernando Vasconcelos falou com Dr. Ivis, que infelizmente também não andou.

Impressionante como o Conselho Deliberativo do ABC, atualmente, não tem vida. É um braço da diretoria. Desde que Dr. Ivis, assumiu, eu não vi o conselho do ABC ter uma atitude própria, sempre a reboque. Vale destacar o esforço de Fernando Vasconcelos e aqui não vai nenhuma crítica pessoal a Dr Ivís, que merece meu respeito e minha deferência.

2 – Umas das minhas tarefas nessa reunião era conversar com o grupo do ex-presidente Judas Tadeu. Conversei. Eles entenderam o momento dificílimo do clube e ficamos certos de uma trégua na mídia e nas redes sociais no sentido de termos uma reunião para lavarmos literalmente a roupa suja e daí sim, pensar só no ABC, no intuito de evitar o rebaixamento e olharmos para o futuro do clube.

Judas, Leonardo Arruda, Cláudio Porpino e um grupo de Conselheiros contactados, todos entenderam, concordaram, e ficaram esperando um retorno meu para tentarmos um esforço conjunto.

3 – Outra tarefa minha era conversar com o presidente Rubens, pessoa que considero, respeito e gosto. Liguei para Rubens, falei das ideias da reunião extra do CD e de uma reunião envolvendo os ex-presidentes e algumas pessoas, Rubens como sempre, me atendeu muito bem, disse que estaria viajando na sexta, que não via problema nas ideias, e que me retornaria na segunda dia 03/08. Infelizmente, não tive o retorno.

4 – Cheguei a falar novamente com Fernando Vasconcelos, que concordou que as coisas eram muito difíceis, muito preocupado também e falei novamente com o ex-presidente Paiva Torres, que também me externou dificuldades pessoais e me colocou algumas situações particulares. Entendi e respeitei.

O fato é que o ABC, que tem a frente hoje o deputado federal, Rogério Marinho, e aqui não vai nenhuma crítica pessoal, segue um caminho para o abismo generalizado.

Não tenho dúvidas da boa intenção do deputado, mas seguimos, sim, a médio prazo, colapso financeiro e esportivo.

Chegou a hora de os alvinegros de verdade, ABCedistas que tem história e que não têm, de fazer cada uma sua parte.

O ABC hoje é um clube endividado, com várias demandas judicias e um acordo na Justiça do Trabalho, que se não for cumprido vai arrastar o patrimônio do clube.

Ninguém sabe de nada, o Conselho Deliberativo tem visto o trem andar sem saber para onde ele vai. É a grande verdade.

Eu tive a informação, de dentro do clube, que arrecadamos hoje mais de R$ 800 mil por mês.

Gente, o que está se fazendo com tanto dinheiro? Quanto é nosso custo, quantos parcelamentos temos, quanto custa esse plantel sofrível do ABC?

Presidente Rubens, faço um apelo, reúna todos, tome essa iniciativa, e vamos tentar salvar o clube do povo, afinal, não podemos ser de poucos, continuamos ou não sendo a frasqueira?

Não sou OPOSIÇÁO OU SITUAÇÃO, sou ABC FC.

Quem sabe faz a hora e não espera acontecer….

Fonte: www.opotiguar.com.br

Lava Jato deixou de fora contrato suspeito do governo FHC, afirma jornalista

Entre as polêmicas que cercam a Operação Lava Jato figuram com destaque o menor interesse da Polícia Federal, de parte do Judiciário e da velha mídia, em investigar casos que atingem tucanos. Causa espécie que as investigações praticamente tenham estabelecido uma “data de corte” – o ano de 2003 –, deixando de lado fatos ocorridos dentro e fora da Petrobras antes disto

Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual

Entre as polêmicas que cercam a Operação Lava Jato figuram com destaque o menor interesse da Polícia Federal, de parte do Judiciário e da velha mídia, em investigar casos que atingem tucanos. Causa espécie que as investigações praticamente tenham estabelecido uma “data de corte” – o ano de 2003 –, deixando de lado fatos ocorridos dentro e fora da Petrobras antes disto.

Um exemplo claro é um contrato assinado entre a empreiteira UTC e a estatal brasileira no penúltimo dia do governo FHC, dia 30 de dezembro de 2002, no valor aproximado de R$ 56 milhões. Não se pode falar em prescrição, portanto.

Este contrato está vinculado a um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suposta realização de operações fraudulentas e manipuladas com dólar em Bolsa de Valores. Segundo a acusação, foi um tipo de operação conhecida no mercado como “esquenta-esfria”, em que a empresa simula prejuízo para dar saída a recursos que pretende pagar a terceiros de forma sub-reptícia.

O caminho do dinheiro mostrou que a UTC perdeu R$ 1,37 milhão na operação. Quem ganhou foi um dentista que vive em Portugal (ou vivia na época). Mas o curioso foi que, em seguida, o dentista distribuiu o dinheiro para cerca de 20 pessoas e empresas por meio de cheques.

A UTC foi multada em R$ 500 mil pela CVM no final do julgamento administrativo, em 11 de maio de 2010. Os fatos foram comunicados à Procuradoria da República no Estado de São Paulo, mas não há notícias de investigações no âmbito judiciário sobre este assunto, nem por parte da força tarefa da Lava Jato.

Foi o próprio Ricardo Pessoa, dono da UTC, quem ligou esta operação no mercado financeiro ao contrato com a Petrobras. Em sua defesa junto à CVM ele declarou que “a Ultratec (UTC) participou de uma concorrência com a Petrobrás, cuja proposta tinha prazo de entrega no dia 28 de outubro de 2002, e valor aproximado de US$ 56 milhões; como a Ultratec tinha parte das despesas em reais e receita de serviços em dólar, e com o valor do dólar em R$ 3,80 aproximadamente, foi tomada a decisão de realizar um contrato de opção flexível de dólar, que protegesse a sua receita da variação cambial, no caso de queda do valor do dólar abaixo de R$ 3,40, ou seja, pretendia assegurar o preço do dólar entre R$ 3,40 e R$ 3,50, valor que lhe foi informado como provável por analistas financeiros de bancos consultado à época”.

Esclareceu que “o contrato foi realizado no valor de US$ 36 milhões, que era o valor correspondente às despesas da Ultratec (…) que o contrato foi assinado com a Petrobras em 30 de dezembro de 2002 (…) e que o contrato de opções de dólar foi encerrado sem renovação por falta de interessados em fazê-lo e também porque o declarante passou a ter dúvidas quanto a se deveria continuar ou não, pois não sabia se o contrato entre a Ultratec e a Petrobras seria assinado”.

De acordo com a acusação, a UTC comprovou a existência do contrato, porém, não aceitou como razoável que a operação contra riscos cambiais fosse sem registro nem garantia da BM&F, assumindo o risco de crédito de uma contraparte que não sequer conhecia, a São Paulo CV.

A CVM investigava apenas operações no mercado de capitais e que nada tinham a ver com a Petrobras, usada apenas como “álibi” para Ricardo Pessoa justificar em sua defesa. Mas à luz de hoje esta vinculação merece melhor esclarecimento.

Pelo menos três fornecedores da Petrobras já disserem terem combinado o pagamento de propinas para o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, entre 1997 e 2003. A SBM Offshore, em investigação na Holanda e na Procuradoria da República do Rio de Janeiro, antes da Lava Jato. Outra empresa citada foi de nome Progress, e desta não há notícias se existe investigação. A última foi a Rio Marine, do delator Mário Goes, que disse ter combinado com Barusco o pagamento de propina no início dos anos 2000 e só não foi paga porque o contrato não vingou.

Também está mal explicada a história de que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, tenha sido indicado pelo ex-deputado José Janene, do PP, para pagar propina ao partido, se ele fosse completamente neófito nesta área.

Os diretores e gerentes corruptos da Petrobras eram funcionários de carreira, que ocuparam postos destacados antes de 2003. Há claras evidências, inclusive no próprio noticiário da época, de que casos de corrupção na Petrobras não foram inaugurados em 2003. O caso de Barusco é prova concreta. Ignorar o que se passou em 2002, 2001, 2000, em uma investigação ampla compromete a própria imagem do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Polícia Federal.

O risco do seletivismo de cor partidária em investigações é, em vez de combater a corrupção, fortalecê-la, mesmo sem querer, através de outros agentes, mas que não são investigados.

Há poucos anos, no Rio de Janeiro a polícia começou a combater áreas dominadas pelo narcotráfico, porém apenas de uma facção criminosa. O resultado foi apenas o fortalecimento de outras duas facções. Em outro caso, um ex-chefe de Polícia Civil acabou processado por perseguir um grupo criminoso que explorava máquinas de caça-níqueis enquanto outro grupo concorrente expandia os “negócios” sem ser incomodado. Aqui, faz-se apenas uma analogia nas possíveis consequências, guardadas as grandes diferenças, porque não há motivos conhecidos para questionar a honestidade pessoal dos investigadores e não cabe comparar partidos políticos com exploradores de caça-níqueis.

No próprio caso Banestado, as atuais autoridades da Lava Jato reconheceram que o doleiro Alberto Youssef utilizou-se de delação premiada para eliminar concorrentes e voltar a operar sem concorrência.

No caso do mensalão, se tivessem investigado e punido gente do PSDB com o mesmo rigor que puniram os petistas, os tucanos teriam maior interesse em votar uma reforma política de verdade, transformadora e moralizante, em vez de apoiar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em sua agenda antirreforma. É a sensação de impunidade que leva o PSDB a persistir em manter vícios do sistema político, acreditando que ajuda a eliminar concorrentes.

Os governos petistas chegam a ser criticados por seus próprios apoiadores pelo que chamam de “excesso” de republicanismo, pois dizem que tornou-se o único governo no mundo que criou uma polícia política contra si mesmo.

De fato os governos petistas agiram de forma republicana, como deve ser uma república, respeitando indicações do Ministério Público, não exercendo controle político na Polícia Federal, não aparelhando o Poder Judiciário. Espera-se que estas instituições também sejam republicanas, sem proteger tucanos e sem perseguir petistas. Sem dois pesos e duas medidas.

Velho conhecido

Responderam a este processo administrativo na CVM empresas e agentes do mercado financeiro conhecidos de outros escândalos, como a Corretora Bonus Banval (que operou no valerioduto), Luis Felippe Índio da Costa, que veio a ser preso depois por suposta gestão fraudulenta do Banco Cruzeiro do Sul, e Ari Ariza, citado na própria Lava Jato como agente autônomo de investimento que trabalhava com Alberto Youssef.

Em recente entrevista à Rede TV, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, disse: “O Ari (Ariza) sempre disse que ele e o deputado Eduardo Cunha são bons amigos. Inclusive, depois de deflagrada a Operação Lava Jato, um mês e meio atrás, eu estive com o Ari (…) Ele me falou: ‘Meire, se você precisar de alguma coisa, eu posso falar com o deputado Eduardo Cunha”, afirmou.

Segundo Poza, Ari Ariza e Youssef se conheciam há bastante tempo. Ela disse que Ari pediu a emissão da nota fria de R$ 1,2 milhão, forjada em 24 de outubro de 2014: “Depois de deflagrada a Lava Jato, eu estive com o Ari – até porque ele tinha preocupação com essa nota da GFD – e ele disse que se eu precisasse de alguma coisa, ele poderia falar com o deputado Eduardo Cunha”, contou.

Cúpula do PT reconhece corrupção no partido

Para lideranças petistas, admitir os erros e os desvios de conduta é uma estratégia interpretada como condição de sobrevivência do partido

 

Diante dos mais altos índices de reprovação de um presidente da República e de crescentes denúncias de envolvimento de políticos do PT em esquemas de corrupção, o partido admite erros. A cúpula da legenda defende a tese de que é preciso admitir as falhas e reconhecer que desvios foram cometidos por correligionários importantes, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O reconhecimento dos erros é visto pelas lideranças petistas como uma condição de sobrevivência do partido. As informações são do jornal O Globo.

Segundo reportagem, um ministro petista afirmou que não é possível ignorar a inteligência dos militantes e da população sobre o que vem sendo revelado nas investigações de corrupção da Petrobras, as quais levaram Dirceu à prisão pela segunda vez. O ex-tesoureiro do partido João Vaccari também foi preso pela Lava-Jato. Na era Lula, o então tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente do partido José Genoino, assim como Dirceu, foram condenados no mensalão.

“Estamos com o ex-ministro da Casa Civil preso, o ex-tesoureiro do partido preso. Já tivemos outro tesoureiro preso. Se não fizermos autocrítica, não vamos conseguir reconstruir o PT”, disse o ministro.

Presidente do PT, Rui Falcão, no entanto, não apoia a ideia. Para ele, os efeitos da admissão de responsabilidade sobre os malfeitos cometidos no passado recente por alguns integrantes da legenda seriam ainda mais negativos.

De acordo com o jornal, um petista histórico disse que os companheiros de partido vivem um misto de medo, decepção e irritação. A prisão de Dirceu por suspeita de enriquecimento pessoal e ilícito é considerada um dos principais responsáveis pela perda de confiança dos correligionários. “Eu me arrependo de não ter gritado: “Zé, não pode misturar o público com o privado. Não pode se locupletar”, disse um petista veterano.

Outra estratégia que vem sendo cogitada é a reaproximação com movimentos sociais. Com esperança de que a crise econômica se amenize no próximo ano, o problema encontrado na atualidade é conciliar as causas populares com o corte de gastos. O presidente da sigla vem fazendo o meio de campo. Ele tem conversado com dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e, na quinta-feira (6), Dilma sinalizou que está disposta a adotar reivindicações do grupo.

Por sua vez, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), cobra reforma agrária, e o governo acenou, também na semana passada, com o aumento do orçamento para a política agrária.

Confira íntegra da reportagem de O Globo

Câmara pede que seja anulada ação que teve Cunha como alvo na Lava Jato

Garibaldi, Cunha e Henrique Alves

Em Brasília

A Câmara dos Deputados ingressou com um recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo que seja anulada ação que teve como alvo o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar está entre os 50 políticos investigados na Operação Lava Jato perante o Supremo. A expectativa é de que Cunha figure ainda entre os primeiros políticos denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A previsão é de que isso aconteça nas próximas semanas.

No pedido, a Câmara argumenta que a ação, autorizada pela Suprema Corte, “desrespeitou prerrogativas fundamentais da Constituição e a harmonia dos Poderes, necessárias para um exercício altivo e independente do Poder Legislativo para a sobrevivência de uma democracia civilizada”, diz o documento, assinado pelo advogado-geral da União substituto, Fernando Luiz Albuquerque Faria, em nome da Casa Legislativa.

A ação pede que os documentos obtidos em maio no Departamento de Informática da Câmara não tenham valor legal. O documento obtido pelos procuradores pode ser uma das provas de que Cunha foi beneficiário do esquema de desvios da Petrobras. Apesar de o pedido ter chegado à Corte apenas três meses depois da ação, o advogado-geral substituto argumenta que não há vencimento de prazo porque até o momento a Câmara não foi comunicada sobre o pedido da PGR.

A ação foi solicitada pela Procuradoria-geral da República e autorizada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Jato no STF. Como publicou o Estado, no dia 4 de maio, Zavascki autorizou que um oficial de Justiça fosse ao Departamento de Informática da Câmara para retirar cópias que pudessem comprovar a autoria de Cunha de um requerimento que poderia ajudar nas investigações referentes ao suposto envolvimento do presidente da Câmara.

Com a ação na Câmara, a Procuradoria buscava elementos que pudessem comprovar a fala do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava Jato. De acordo com o doleiro, Cunha seria o verdadeiro autor de requerimentos que pediam ao TCU (Tribunal de Contas da União) a auditoria dos contratos entre Mitsui, Samsung Heavy Industry e Petrobras. De acordo com Youssef, os requerimentos foram criados pela ex-deputada federal Solange de Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita da cidade de Rio Bonito (RJ), em 2011, a pedido de Cunha e serviriam como uma “ameaça”, após a suspensão de um pagamento de propina oriundo desses contratos que teria Cunha como beneficiário.

Investigadores suspeitam que as representações tenham sido arquitetadas por Cunha, com base no depoimento de Youssef. De acordo com o delator, o presidente da Câmara seria um dos beneficiários das propinas vindas do esquema envolvendo um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung Heavy Industry e Mitsui. Ele teria encomendado os pedidos.

A ação na Câmara ocorreu em decorrência de um depoimento pelo ex-diretor da área de informática da Câmara dos Deputados Luiz Antonio Souza da Eira. O funcionário foi destituído do cargo por Cunha logo depois de um vazamento sobre a autoria dos requerimentos.

Em parecer enviado ao Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escreveu que as informações prestadas pelo ex-diretor “reforçam as suspeitas” de envolvimento de Cunha em requerimentos alvo das investigações da Operação Lava Jato.

Em depoimento a procuradores e à Polícia Federal, um dia após ser demitido por Cunha, Eira afirmou que a versão inicial do requerimento da auditoria do sistema de informática da Câmara foi gerada com a senha, “pessoal e intransferível”, de Cunha. A informação foi utilizada para sustentar o pedido de Janot ao Supremo para coletar documentos no setor de informática da Câmara.

À época da ação, Cunha tratou o pedido do PGR como “retaliação”. Desde que foi aberto inquérito contra o presidente da Câmara no STF, ele tem negado com veemência qualquer envolvimento com o esquema de desvios da Petrobras.

Em Cuiabá:Pai viúvo de quadrigêmeos diz ‘Não consigo ficar longe deles’

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Um amor incondicional que atende pelos nomes de Benjamim, Samuel, Isaque e Ester. Esse é sentimento de Sandro Mota, de 45 anos, pelos filhos quadrigêmeos. O nascimento do quarteto, em fevereiro deste ano em Cuiabá, transformou a vida do empresário em todos os sentidos.

Pai de primeira viagem, ele ficou viúvo horas após o nascimento prematuro dos bebês, que tinham apenas 31 semanas e precisaram passar dias

internados para ganhar peso antes de finalmente poderem ir para casa. Desde que os pequenos receberam alta, a alegria tomou conta do lar da família.
“Sou muito feliz com meus bebês, são uma bênção na minha vida. Não consigo ficar longe deles, quase não vou mais à minha empresa para não precisar me afastar. E não me sinto cansado, eles me dão disposição”, disse o pai, dono de um comércio na Avenida Beira Rio, na capital.

Mas Mota admite que nem sempre tudo é simples – afinal, são quatro bebês para cuidar. “Cada dia é um desafio. Claro que com minha esposa com certeza seria mais fácil. Mas Deus tem nos preparado e dado forças para seguir com essa caminhada”, declarou.
A rotina é puxada, mas Mota não está sozinho. Durante o dia, ele conta com a ajuda da mãe, de uma irmã, uma prima e uma babá. A mãe, a irmã e a prima dormem na residência. E, nas noites de sexta, sábado e domingo, uma segunda babá dorme na casa para cuidar dos quadrigêmeos.
Os bebês tomam leite especial a cada quatro horas, além de vitaminas e remédio para refluxo – tudo receitado pela pediatra que tem acompanhado o desenvolvimento deles. Os banhos são dados de manhã e à tarde. Passam boa parte do tempo dormindo e são muito tranquilos, segundo o pai.

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“Dou banho, troco fralda, brinco, ajudo a fazer a dormir. Engraçado que antes de ser pai eu tinha muito receio de pegar recém-nascidos no colo e fazer essas coisas. Tudo isso mudou”, disse o empresário, que afirma que consegue reconhecer o choro de cada um dos filhos, mesmo quando está longe.
As pescarias, que Mota tanto gosta, ficaram escassas após ele ter se tornado pai. A primeira delas após o nascimento dos filhos só foi ocorrer no mês passado. E se antes ele passava dias fora de casa dedicando-se à pesca, agora ele vai e volta no mesmo dia. “Eu até combino de voltar no dia seguinte, mas não consigo. E quando vou, fico ligando de hora em hora para saber como eles estão”, contou.
A avó paterna, Joedir Dorileo Mota, de 68 anos, se diz renovada a cada dia. “Eu tinha quatro netos e esse número dobrou de uma hora para outra. Não poderia estar mais feliz, sempre gostei de criança”, disse. Ela praticamente mora na casa do filho desde que os quadrigêmeos tiveram alta.

“Eu brinco que, para me achar na minha própria casa, só com hora marcada, porque eu fico aqui cuidando dos bebezinhos. Eles precisam, não têm mais a mamãe aqui. Agradeço pela minha vida e pelas vidas deles. Tenho todo o amor pra dar pra eles. É trabalhoso, claro, mas muito prazeroso”, disse.

Ester é a única menina entre os quadrigêmeos. (Foto: Carolina Holland/G1)
Ester é a única menina entre os quadrigêmeos. (Foto: Carolina Holland/G1)

Ester é a única menina entre os quadrigêmeos.

Doações
O nascimento dos bebês seguido da morte da mãe comoveu e mobilizou centenas de pessoas em Mato Grosso e também fora do estado. Prova disso são as doações que a família tem recebido desde fevereiro. Até hoje, por exemplo, Mota diz que não teve gastos com fraldas, roupas e leite – todos frutos da generosidade alheia.
Benjamim, Samuel, Isaque e Ester também ganharam berços e cadeirinhas. Os quatro dormem no mesmo quarto, que mais parece um berçário. Cada berço tem o nome do ‘proprietário’ e uma bíblia, além de brinquedos.
As doações foram tantas até hoje que o empresário compartilha. Fraldas e leite já foram doados a diversas famílias tanto em Cuiabá quanto em outras cidades mato-grossenses. Também já foram doadas latas e mais latas de leite para os bebês internados no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM). “Não tenho motivo para vender ou manter esses itens aqui sendo que não vamos precisar mais. E sempre tem uma família precisando”, disse Mota.

Inseminação
Sandro Mota e a mulher, Rosângela, recorreram à inseminação depois que ela teve gestações interrompidas. “Ela engravidou duas vezes, mas o feto ficava sempre na trompa, e não no útero”, contou o viúvo. O casal tentou o método artificial duas vezes em 2007, mas nenhuma deu certo.
Depois disso, ambos decidiram que não iriam tentar mais. Até que, em 2014, resolveram arriscar novamente. Foram inseminados três óvulos. “Mas, por ela já estar com 38 anos na época, achamos que viriam, no máximo, gêmeos. Foi uma surpresa quando vimos que eram trigêmeos”, conta. Sim, trigêmeos. Nos primeiros exames de ultrassom, os médicos conseguiram ver apenas três bebês. O quarto só foi descoberto depois.
“Estávamos fazendo uma ultrassom quando o médico sentiu os batimentos de um, dois, três… quatro bebês! Foi um susto! O Isaque estava ‘escondido’, por isso não conseguimos ver antes”, contou.

Morte da esposa
Rosângela morreu menos de 24 horas depois do parto, num hospital particular de Cuiabá. O marido não autorizou a autópsia no corpo e nunca quis saber qual a causa da morte da mulher. “Deus tem um propósito para minha vida e tinha para a vida dela também. Ele é quem sabe de tudo. Quem sou eu para questionar a vontade de d’Ele?”.
“Mesversário” e futuro
Por serem ainda frágeis e estarem tomando vacinas, os quadrigêmeos só saem de casa para ir à medica. Mas assim que já puderem passear, o pai conta que pretende levá-los para lugares próximo à natureza. “Fui criado assim e quero que eles tenham contato com isso”, afirma.
E, quando estiverem maiores, Mota conta que quer fazer coisas comuns com os filhos, como levar Benjamim, Isaque e Samuel para jogar futebol, e Ester para aulas de balé. “Uma vida simples”, disse.
Todo dia 7 a família comemora o ‘mesversário’ dos quatro bebês. “É uma alegria. Sempre compramos um bolo para fazer uma festinha, só entre nós mesmo. Há muitas razões para celebrar”, afirmou o pai.

Pai de gêmeos
Assim como Sandro Mota, o motorista Wylker Devilart da Silva Carreio, de 30 anos, teve a rotina alterada com o nascimento das gêmeas Rebecca e Sophia, e a morte da esposa Marcilene Vilalba Veras após complicações no parto. Os bebês completaram um mês de vida na sexta-feira (7).
“Toda vez que olho as duas eu sei que eu vou ter que me desdobrar e dar duro para conseguir criá-las. Mas eu sei que elas são presentes que a minha esposa deixou, então é sorrir e seguir em frente”, disse. Ele e a mulher já eram pais de uma menina de dois anos.
Após a morte de Marcilene, a família realizou campanhas em redes sociais para arrecadar roupas, fraldas e leite em pó especial para recém-nascidos. E, assim como Mota, Carreio também conta com a ajuda de um verdadeiro mutirão para cuidar das gêmeas, como as cunhadas e os amigos.
Na casa de uma dessas cunhadas, por exemplo, as vizinhas têm se revezado para lavar e passar as roupas que foram doadas. “Eu sei que não estou sozinho e agora o momento é de pensar no futuro”, disse o pai.

Fonte: G1

Cientistas identificam 4 tipos de bêbado; veja se você se encaixa em algum deles

BBC

Os resultados confirmam a percepção social de que pessoas diferentes respondem de maneiras distintas à intoxicação por álcool.

Noite de bebedeira com amigos. O tímido fica supersimpático, o boa praça se torna ainda mais extrovertido, outro nem se altera apesar de vários drinques a mais e o esquentado de sempre está prestes a arrumar uma briga.

Parece familiar?

Certamente você consegue associar nomes verdadeiros e histórias curiosas a esses personagens do imaginário coletivo, mas agora um grupo de pesquisadores de psicologia da Universidade do Missouri, em Columbia (EUA), acaba de elaborar uma classificação que descreve, com base científica, os diferentes tipos de bêbados.

O estudo foi publicado em abril na revista especializada Addiction Research & Theory. Conclui que, segundo a amostra analisada, há quatro tipos de bêbados, representados por quatro personagens conhecidos da realidade e da ficção: Mary Poppins, Ernest Hemingway, Mr. Hyde e Professor Aloprado.

Para chegar a essa conclusão os pesquisadores analisaram as descrições de comportamento de 374 estudantes universitários dos Estados Unidos, com uma idade média de 18 anos.

Os participantes tinham que avaliar suas personalidades e as dos “companheiros de copo”, em estado de sobriedade e de embriaguez, segundo cinco fatores de comportamento: extroversão, afabilidade, estado de consciência, estabilidade emocional e intelecto.

O que cada tipo de bêbado faz?

1. Bêbados tipo Ernest Hemingway: o lendário escritor (1899-1961) uma vez presumiu que podia beber quanquer quantidade de whisky sem ficar bêbado. E assim se sente o primeiro grupo identificado pelos investigadores, que chegou a 40% dos participantes da pesquisa. Esses consumidores não revelam mudanças notáveis de personalidade quando passam da sobriedade à embriaguez.

2. Bêbados tipo Mary Poppins: comportam-se como a babá superotimista do filme homônimo de 1964. Alcançaram 14% da amostra do estudo e são particularmente agradáveis quando bêbados, evidenciando um comportamento simpático e amigável. Ficam ainda mais agradáveis e extrovertidos pela ação do álcool.

3. Bêbados tipo Professor Aloprado: a personalidade desse grupo faz referência ao personagem (imortalizado pelos atores Jerry Lewis e Eddie Murphy) que muda de personalidade por uma questão química e se transforma em alguém muito mais extrovertido do que o normal.

Ao todo, 19% dos estudantes que participaram da pesquisa ficaram nesse grupo. Os bêbados desse perfil se caracterizam por baixa extroversão quando sóbrios e um aumento maior do que a média nesse quesito quando estão alcoolizados, e ficam menos alterados pela bebida.

Apesar de demonstrarem uma mudança de personalidade mais intensa quando se embebedam, suas experiências não estão associadas a um risco alto de danos.

4. Bêbados tipo Mr. Hyde: a classificação desse grupo se inspira na personalidade sinistra de Mr. Hyde, o personagem fictício de Robert Louis Stevenson. Seus integrantes somaram 22% da amostra e se caracterizam por uma redução elevada do estado de consciência, intelecto e afabilidade quando bebados.

Segundo a pesquisa, os membros desse grupo apresentaram “tendência a ser menos responsáveis, menos inteligentes e mais hostis sob influencia do álcool”.

Os investigadores afirmam que esse grupo possui maior probabilidade de vivenciar consequências negativas associadas ao consumo de álcool, como perdas de memória e detenções por mau comportamento.

Limitações e utilidade do estudo

Os autores afirmam ter abordado pela primeira vez, sob uma perspectiva científica, uma área ainda inexplorada pela pesquisa empírica.

O estudo, contudo, tem limitações.

Como se analisou apenas o comportamento de universitários, a maioria deles bramcos, os quatro tipos de bêbados identificados podem não ser representativos de outros setores demográficos.

Se a amostra tivesse sido mais variada talvez mais tipos de comportamento fossem identificados.

Mas os resultados confirmam a percepção social de que pessoas diferentes respondem de maneiras distintas à intoxicação por álcool.

Os pesquisadores esperam que sua categorização de “tipos de bêbados” sirva, por exemplo, para ajudar a personalizar intervenções em casos de alcoolismo.

Temer está cavando o buraco de Dilma

Líderes do PMDB começaram a trabalhar em várias frentes na última semana para dar ao vice-presidente Michel Temer condições de governar se o aprofundamento da crise política em que o governo Dilma Rousseff mergulhou levar ao afastamento da presidente antes da conclusão do seu mandato.

Os articuladores desse movimento estão em busca de apoio do empresariado e começaram a dialogar com líderes da oposição, numa tentativa de construir um caminho político que aponte Temer como alternativa mais segura para superar a crise.

Os aliados de Temer admitem que esse movimento ainda não está maduro, mas acreditam ter colhido uma primeira resposta positiva na quarta-feira (5), quando as federações estaduais das indústrias de São Paulo e Rio expressaram publicamente apoio ao vice, um dia depois de ele fazer um apelo por união para superar a crise.

Um dos responsáveis pela iniciativa, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é filiado ao PMDB e comemorou seu aniversário em um almoço com Temer na sexta (7).

No campo político, tanto petistas que estão no governo como nomes da oposição apontam o senador Romero Jucá (PMDB-RR) como um dos entusiastas e artífices da articulação pró-Temer.

Na terça (4), Jucá participou de reunião entre líderes de PMDB e PSDB. Segundo relatos de três participantes, deixou evidente que não vê mais saída para a crise com Dilma no Planalto.

Ministros próximos à petista temem que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) também embarque no movimento pró-Temer, o que poderia enfraquecer ainda mais a presidente.

Políticos que estiveram com Renan na última semana disseram que ele ainda adota postura muito cautelosa e se diz disposto a colaborar com o governo, barrando ações da Câmara que ameacem o ajuste fiscal.

Enquanto líderes do Congresso tratam do assunto com reserva, aliados de Temer fora de Brasília têm assumido atitude mais agressiva. Amigo do vice, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) reproduziu nas redes sociais vídeo que diz que “o impeachment de Dilma Rousseff só depende do PMDB”.

O locutor do vídeo afirma que “o povo” quer que o PMDB escolha entre os “comparsas petistas” ou “o Brasil”. “O PT quebrou o Brasil. O PMDB só tem uma escolha. Impeachment, já.” O filme foi noticiado pelo colunista do UOL Josias de Souza.

Sempre que aborda o assunto publicamente, Temer desautoriza esse tipo de ação e afirma que trabalha pela governabilidade com Dilma.

“Ele não conspira e não pode parecer que faz isso”, diz um aliado. “Ele precisa ser naturalmente visto pelos políticos, pela sociedade e pelo empresariado como único agente capaz de reagrupar o país, e a pecha de conspirador não cabe nesse cenário.”

Nesta semana, Temer fez o movimento mais explícito desde o início da crise,ao falar em união nacional.

Ao saber que ministros próximos a Dilma avaliaram que seu gesto contribuiu para enfraquecer a presidente, Temer disse que poderia entregar o cargo de articulador político do governo, o que não foi aceito por Dilma.

No PT, decidiu-se que ele não será atacado publicamente, mas há uma operação em curso para reduzir o espaço de atuação do vice, estimulando agentes do PT a também dialogar com deputados da base sobre cargos e recursos para projetos em seus redutos eleitorais.

No PSDB, a reação ao avanço da operação pró-Temer veio da boca de aliados do senador Aécio Neves (MG). Os líderes da sigla no Congresso convocaram a imprensa, sem consultar os colegas de bancada, para indicar que não aceitarão compor com o vice.

Um risco para o movimento pró-Temer é o avanço da Operação Lava Jato. Apontado como o elo entre a corrupção na Petrobras e caciques do PMDB, o lobista Fernando Baiano começou a negociar um acordo de delação.

Aliados de Temer dizem que ele não tem preocupação pessoal com o assunto, mas acham que o vice pode sair chamuscado se revelações atingirem a cúpula do PMDB. Renan, Jucá e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são investigados.

Lula sugere que Dilma faça reforma ministerial e viaje pelo pelo Brasil

O ex-presidente Lula se reuniu com os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Comunicação Social, Edinho Silva, para defender que a presidente Dilma Rousseff promova uma reforma ministerial e viaje pelo país para combater a crise. Lula argumentou que viajar não será suficiente para a recuperação de Dilma, mas é fundamental para esfriar a temperatura política do país. As informações são da Folha de S.Paulo.

“Dilma precisa sair dali”, rebateu o ex-presidente ante das ponderações dos ministros às possíveis viagens.  Lula ainda defendeu que uma eventual reforma ministerial aloque políticos mais representativos dos partidos, com força política para influenciar suas bancadas no Congresso.

O encontro foi no Instituto Lula, nesta sexta-feira (7), depois de cerca de 400 pessoas, entre petistas e militantes de movimentos sociais, protestarem contra “o ódio e a intolerância” e darem um abraço simbólico no edifício. O instituto foi alvo de uma bomba caseira na quinta (30).

Na tarde de ontem, quando Lula chegou ao instituto junto do presidente do PT, Rui Falcão, da ex-primeira-dama Marisa Letícia, e do presidente de seu instituto, Paulo Okamotto, ele foi ovacionado aos gritos de: “Lula, guerreiro do povo brasileiro” e “Olê, olê, olá, Lula, Lula”.

Confira íntegra da reportagem da Folha de S.Paulo

‘Eu temo que Dilma renuncie’, diz frei Betto

 Frei Betto: ‘Me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio com menos de 10% de aprovação’

Conhecido como grande amigo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, de quem foi até assessor especial no início do mandato, Carlos Alberto Libânio Christo, ou simplesmente frei Betto, admitiu temer pela renúncia da petista. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele disse que ainda espera o PT se manifestar sobre a existência ou inexistência do mensalão.

“A minha pergunta íntima hoje não é o impeachment […] É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente”, afirma ele. “Ou ela dá uma mudança de rota […] ou ela pega a caneta e fala ‘vou pra casa, não dou conta’. Eu tenho esse temor”, completa.

O frei dominicano considera o governo petista como “o melhora da história republicana”, mas não deixa de fazer duras críticas ao partido. “Trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder”. E comenta sobre a atual gestão: “Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá”.

Quanto à Operação Lava Jato, Frei Betto a avalia como “extremamente positiva”. Ele se disse “indignado” com a notícia de que o ex-ministro José Dirceu fez uma vaquinha para pagar a multa da condenação do mensalão enquanto que, paralelamente, ganhou indevidamente R$ 39 milhões com os esquemas de corrupção da Petrobras.

Confira a entrevista da Folha de S.Paulo:

Estão convocando mais uma manifestação contra Dilma para o dia 16. A principal pauta, ou uma das principais, é o impeachment de Dilma. O que acha?
Eu acho que manifestação é sinal da democracia. Pena que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita faz. Deveria aprender as coisas boas –as poucas coisas boas– que a direita faz. Como convocar manifestações para domingo, não para o dia de semana, o que a esquerda tem feito [uma outra manifestação, com apoio do PT, deve ocorrer no dia 20, uma quinta]. Dia de semana? Uma burrice. Atrapalhando o trânsito, como naquela música do Chico Buarque. Não tem sentido, né? Faz no domingo, não tem escola, as pessoas podem sair de casa, estão disponíveis. Pena que a esquerda não aprenda com a direita as coisas boas.

E o impeachment?
Olha, a minha pergunta íntima hoje não é o impeachment. Eu acho que democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment. A minha pergunta é outra. É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente. Eu temo que ela renuncie.

O senhor tem algum sinal disso?
Não. É puramente subjetivo. Mas temo que ela renuncie. Ou ela tem uma mudança de rota ou eu me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio [pela frente] com menos de 10% de aprovação, com 71% dizendo que o governo é ruim ou péssimo. Isso é um sinal de que você não está agradando nada. Não adianta fazer cara de paisagem. Alguma coisa tem de ser feita. Ou ela dá uma mudança de rota, muda a receita do ajuste etc., ou ela pega a caneta e fala “vou pra casa, não dou conta”. Eu tenho esse temor.

Há um relato, publicado anos atrás pelo jornal “Valor”, de que no auge da crise do mensalão, em 2005, a Dilma, ministra da Casa Civil, teria sugerido ao Lula que renunciasse.
Eu não acredito nisso. Até porque o Lula saiu com 87% de aprovação.

Depois, né? Naquele instante, quando Duda Mendonça foi à CPI dizer que tinha sido remunerado no exterior com dinheiro de caixa dois do PT, ninguém imaginava que o Lula iria recuperar a popularidade do jeito que recuperou.
É… Se isso é verdade [a sugestão de Dilma para Lula renunciar], reforça o meu receio.

No cenário atual, que combina crise política com estagnação econômica, denúncias de corrupção e baixa popularidade de Dilma, o que mais atormenta o senhor?
O Brasil está vivendo uma notória insatisfação, não só com o governo. Insatisfação com a falta de utopias, de perspectivas históricas, de ideologias libertárias. Desde 2013, quando houve aquela grande manifestação atípica. Porque não houve nenhum partido, nenhuma liderança, nenhum discurso [em junho de 2013]. E foi uma enorme manifestação em que as pessoas protestavam, havia protesto, mas não havia proposta. Isso chamou muito a minha atenção. E quando –isso é até terapêutico– a gente entra em amargura e não vê solução, não vê saída, a gente não consegue equacionar racionalmente o que está vivendo. Não consegue buscar as causas e as perspectivas. Fica tudo no emocional. Eu tenho dito a amigos que a minha geração viveu grandes divergências políticas na ditadura, mesmo entre a esquerda, divisão se siglas de A a Z. Mas o debate era racional. Debatia-se em cima de projetos, programas, perspectivas históricas. Hoje, o debate é emocional. É como briga de casal em que o amor acabou. Equivale a acelerar o carro no atoleiro de lama: quanto mais acelera, mais se afunda na lama. Estamos vivendo isso.

E o governo?
O governo, que eu considero o melhor de nossa história republicana –os dois do Lula e o primeiro da Dilma– teve grandes méritos, como a inclusão econômica de 45 milhões de brasileiros; e teve grandes equívocos, como a não inclusão política. Ao contrário do que a Europa fez no começo do século 20, o governo do PT propiciou, ao conjunto da população brasileira, acesso aos bens pessoais, quando deveria ter iniciado pelo acesso aos bens sociais. A metáfora que utilizo é o barraco da favela. Ali dentro a família tem computador, celular, toda a linha branca, fogão, geladeira, micro-ondas, e, no pé do morro, tem um carrinho, devido à facilidade do crédito. Mas a família está na favela. Não tem saneamento, não tem moradia, não tem transporte, não tem saúde, não tem educação, não tem segurança. Resultado: criou-se uma nação de consumistas, não de cidadãos.

O senhor falou em melhor governo da história republicana e mencionou os dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma. E o segundo da Dilma?
Esse segundo, até agora, eu não tenho nenhuma notícia boa para dar. Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá. Gostaria que alguém dissesse. O ajuste é necessário? É necessário. Mas o ônus é só sobre o trabalhador. E fica a dúvida se vai dar certo. É um país com um mercado interno fantástico, mas que mantém a síndrome colonial de que a gente tem de ser exportador de matéria prima, que deram o nome agora de commodities. Equívocos. E o governo terceirizou a política para a troica do PMDB –Temer, Cunha e Renan– e terceirizou a economia nas mãos de um economista, o Joaquim Levy, notoriamente um eleitor do Aécio Neves. Realmente fica difícil de acreditar que esse é um projeto do PT. Nunca fui militante do partido, devo dizer isso. Também não sou fundador, como alguns dizem por aí. Sempre fui eleitor. Mas nas últimas eleições eu tenho dividido meu voto entre PT e PSOL.

O governo Lula foi um dos mais populares da história, e Dilma foi reeleita há menos de um ano. Por que o humor mudou?
Agora as pessoas estão com muita raiva porque não podem mais viajar de avião como estavam viajando; comprar ou alugar um melhor domicílio, como estavam fazendo; adquirir crédito sem juros altos; ir à feira com R$ 20 e voltar com a sacola cheia. Então a falha foi de quem? Na minha opinião, a falha foi do governo que tinha a faca e o queijo na mão para poder realizar aquele projeto mais original do PT, que era organizar a classe trabalhadora. Leia-se: dar uma consistência política à nação brasileira, principalmente às novas gerações. Isso não aconteceu.

Por que, na sua interpretação, as coisas sob o PT se desenvolveram dessa forma, a opção pela promoção do consumo, e não da outra?
Porque o PT perdeu o horizonte histórico. O horizonte que ele tinha nos seus documentos originários. De transformação, de realizar as reformas relevantes.

Mas em que instante isso se perdeu?
Ah, no momento em que chegou ao poder. Foi quando ele trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Manter-se no poder passou a ser mais importante do que realizar as reformas importantes e necessárias para o país. Como a reforma agrária, a tributária, a educacional, a sanitária etc. Em 12 anos, a única reforma que nós temos é a anti-reforma política do Eduardo Cunha (atual presidente da Câmara).

Por quê o PT não fez essas reformas?
É porque tinha medo de perder aliados, não soube assegurar a governabilidade pelo andar de baixo. Procurou assegurar pelo andar de cima. Se tivesse seguido o exemplo do Evo Morales (presidente da Bolívia), que hoje tem 80% de aprovação, é o segundo presidente mais aprovado da América Latina, depois do presidente da República Dominicana. No início ele não tinha apoio nem do mercado nem do Congresso; buscou assegurar a governabilidade por meio dos movimentos sociais. Hoje ele tem apoio dos três.

Teve medo de adotar esse caminho?
Foi uma estratégia equivocada de se manter no poder. “Vamos fazer aliança com quem tem poder, nós estamos no governo”. Uma coisa é estar no governo, outra é estar no poder. Isso deu certo por um tempo. Só que há uma questão aí de classe que é arraigada na estrutura social brasileira. E de repente os setores conservadores, vendo que não há proposta, vendo que não há perspectiva histórica, resolveram avanças. É este instante. Até o Lula foi vítima agora. Não de um atentado político. Mas de um atentado terrorista. Isso [uma bomba lançada no Instituto Lula dias atrás] é um atentado terrorista. Jogar uma bomba em cima de um domicílio que está carregado de simbolismo político é um atentado terrorista. Se isso estivesse acontecido na sede do partido Democrata dos Estados Unidos –ou no escritório do Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), uma boa comparação– no dia seguinte o mundo inteiro estaria dizendo: “Bill Clinton sofre atentado terrorista”. Evidente que a imprensa brasileira não quis dar destaque, uma certa imprensa. Por um lado alguns chegaram a insinuar que o próprio PT teria feito essa bomba para tentar vitimizar o Lula e o partido. O mais grave é isso. Não se deu o devido destaque talvez porque não interessa. Só interessa que o Lula venha a aparecer como o acusado da Lava Jato, não como vítima de um atentado terrorista.

O senhor é amigo do Lula, tem essa relação histórica. Virou alvo de hostilidades?
Uma coincidência. Eu fiz dois lançamento de livro na última semana, um no Rio, na segunda, e outro em Belo Horizonte, na terça. Nos dois o pessoal da direita foi lá para perturbar.

O que fizeram?
No Rio foi um oficial de corveta da Marinha, segundo ele, dizer que estava me levando um abraço do Olavo de Carvalho. Eu disse: “Abraço de urso, pode devolver”. Olavo de Carvalho considera a Rede Globo comunista; o papa Francisco, então, não é nem comunista para ele, é a encarnação do diabo. E no fim o cara já estava dizendo “ah, você é um frade de araque”. Aí eu falei que não admitia, falei “ponha-se para fora daqui”. Então os amigos, as amigas principalmente, enxotaram o cara. Em Belo Horizonte foi o pessoal do movimento patriota, com cartazes anti-comunistas e um livro pesadão chamado “O livro negro do comunismo”. Foram para aprontar, mas ali também a turma, meus amigos de lá, intervieram e eles não conseguiram fazer.

Ex-ministros foram xingados em restaurantes também…
Exatamente. Estamos vivendo uma onda raivosa. É por falta de consciência política da nação, de conscientização. Os partidos viraram partidos de aluguel, a política se mediocrizou e a Lava Jato está expondo os poderes de como se move o poder no Brasil, entre as benesses políticas e as conquistas econômicas.

O senhor disse que o PT, ao chegar ao poder, não seguiu o que diziam seus textos originais. O senhor classifica isso como uma traição?
Não. Não é traição.

Não?
Não. Eu considero isso um desvio de rota.

O senhor disse que não aplicou os textos originais.
Sim, é isso que eu falei. Mas traição, para mim, é outra coisa, é uma palavra que tem um peso muito grande, não se adequa ao que estou dizendo, ao meu discurso. O que considero é que houve um desvio de rota. Trocou-se o projeto de Brasil, uma mudança de estrutura. Trocou-se a reforma agrária e outras, que eram consideradas prioritárias, por um projeto de preservação no poder. Aquilo que o próprio Lula chegou a dizer na reunião com religiosos. Eu não estava nesse reunião. Ele disse: “o PT só pensa em cargos”. Ele disse a mesma coisa, mas em outras palavras. Isso eu analisei em dois livros, “A mosca azul” e “O calendário do poder”. Foi o meu balanço.

E o que seria uma traição?
Eu não sei porque você está falando em traição.

Ué, o senhor disse que não considera uma traição. No seu entender, o que configuraria uma traição?
Traição seria se o PT tivesse… chamado o FMI para administrar o Brasil. Sei lá. Se tivesse priorizado as relações com os Estados Unidos. Se tivesse deixado de fazer a Comissão da Verdade.

Eu li recentemente que o senhor teve uma conversa longa com o Lula…
Sou amigo do Lula, sou amigo da Dilma.

Sim, mas o senhor colocou para eles desse jeito?
Claro, desse jeito. Eu coloco publicamente. Eu fui lá conversar com a Dilma em 26 de novembro, com Leonardo Boff e outros. Entregamos um texto nas mãos dela. Ficamos 1 hora e 10 minutos. Estava ela e [Aloizio] Mercadante (ministro da Casa Civil).

E como eles reagem a esse tipo de crítica?
Eles aceitam. Agradecem: “obrigado por vocês terem vindo aqui, vamos ver se podem voltar em seis meses para conversar”. Mas fica nisso. E depois fazem tudo diferente. Sabe? O que você quer que eu faça? Deite e chore? Foi uma conversa ótima. Aí ela aceitou tudo aquilo, a gente falando da importância de reforma agrária, de quilombos, de povos indígenas, o papel da mulher, programas sociais, não poder fazer cortes em setores como educação e saúde. Aí respondem tudo: “é, é isso mesmo, também estou pensando…” E está lá. O texto está lá, tenho decorado na minha cabeça. Eu tenho uma boa relação com os dois [Dilma e Lula]. Eu falo tudo. Eles aceitam. O Lula também. Às vezes fala que a culpa de não é dele, a culpa é não seu de quem, é do partido, é da Dilma, é da conjuntura; e aí também fala “mas a gente também fez…”.

E continua tudo igual?
Eu tenho uma vantagem que é seguinte: eu sou um um sujeito que tem poucas vaidades. Uma delas é ambição zero. Aliás eu lembrei isso pro Lula. Eu falei: “Lula, você me conheceu em 1979, o padrão de vida que eu tinha é o padrão de vida que eu tenho. Eu moro no mesmo quartinho no convento, se você quiser eu te mostro, moro no mesmo lugar, tenho o mesmo carro Volkswagem, enfim, não mudei nada. Agora, eu fico espantado com companheiros que a gente conheceu lá atrás e que hoje tem um… sabe?”. Então teve um descolamento da base. O PT perdeu os três grandes capitais que ele tinha. Que eram ser o partido dos pobres organizados –porque hoje ele tem eleitores, não tem militantes, ele tem de pagar rapazes e moças desocupadas para segurar bandeirinha na esquina, quando tinha uma militância aguerrida voluntária. Perdeu esse capital. O segundo capital que ele perdeu é o de ser o partido da ética. Não é? A ideia do “não seremos como os demais”. E o terceiro capital era o de ser o partido da mudança da estrutura do Brasil. Não fez nenhuma mudança estrutural. Fez muita coisa? Fez. Programas sociais; Bolsa Família, embora eu discorde –o Fome Zero era emancipatório, foi trocado pelo Bolsa Família, compensatório–; programas da educação; cota; Fies; uma série de coisas excelentes. Política externa nota 10, na minha opinião, mas sem sustentabilidade.

E meio ambiente?
Ah, aí faltou muito. Aí eu dou nota… seis. Defesa da Amazônia, não trabalhou suficientemente na questão do meio ambiente.

O senhor falou desse espanto da mudança dos ex-companheiros. Como vê, especificamente, o caso do ex-ministro José Dirceu?
Eu acho um abuso você prender um preso. O cara estava preso, mandaram prender novamente. Não precisava. Aquela coisa: transfere, Polícia Federal, televisão. Eu acho isso um abuso de autoridade. Embora eu ache a Lava Jato extremamente positiva –era preciso vir uma apuração da corrupção no Brasil séria como tem sido feita–, tem coisas que me desagradam. O partido mais envolvido é o PP. Mas parece, na opinião pública, que é só o PT. Segundo: por que é que vazam todos os conteúdos em relação ao PT e porque é que vazam exclusivamente para a revista “Veja”? É chamar a gente de idiota. Ou seja: há uma operação política por trás, de abuso desse processo. Que é um processo sério de apuração da corrupção no Brasil.

Mas e o caso específico do José Dirceu?
Eu nunca me pronunciei, você não vai encontrar uma palavra minha em entrevistas, nos artigos, dizendo se houve ou se não houve mensalão. Eu estou esperando o PT se posicionar. Se houve ou se não houve. E fico indignado pelo fato de o partido não se posicionar. E não se posicionar diante de uma figura tão importante do partido como ele [Dirceu]. Então não tenho meios de julgamento. Que eu sei que há corrupção na política brasileira, sei. Mas eu não tenho provas. Eu saí do governo sem perceber se havia mensalão. Saí em dezembro de 2004, o mensalão apareceu em maio de 2005. Várias pessoas me perguntaram: “você tinha algum indício?” Nenhum. Não vi nenhum indício.

Um aspecto que chamou a atenção é que o José Dirceu faturou R$ 39 milhões com a sua consultoria, parte disso no instante em que estava preso, foi um argumento para essa nova prisão, mas coincide também com aquela vaquinha para pagar a multa do mensalão.
Pois é. Eu fico indignado. Se é verdade que ele tem tantos milhões na conta, eu não posso entender como é que ele promoveu a vaquinha. Aliás, tenho amigos que contribuíram com a vaquinha. Estão sumamente indignados. Eles se sentem lesados.

O ex-presidente Lula já falou criticamente sobre o afastamento entre o PT e os movimentos sociais. Por que ocorreu isso?
Ocorre no momento em que o PT faz a opção da “Carta ao Povo Brasileiro”, no primeiro governo do Lula. Era uma carta aos banqueiros e empresários. Ali ficou sinalizado: “queremos assegurar a governabilidade via elite, não via a nossas origens, que são os movimentos sociais”. Aí cria-se o Conselhão, para o qual são chamados líderes dos movimentos sociais. Acontece que só o empresariado tinha voz e vez ali dentro. E aos poucos esses líderes [dos movimento sociais] foram todos deixando. E depois o Conselhão, que era um conselho de consulta e debate, passou a ser um mero auditório de anuência dos anúncios da Presidência. E hoje ele sequer existe. Ou seja, esse diálogo mínimo com a sociedade civil… É o que a Dilma deveria fazer. Ela deveria criar um conselho político. Porque isso não é um gesto de extrapolação. Está previsto na Constituição de 1988, está normalizado isso. O Lula fez. Não como deveria. Deveria ter sido mais democrático, o pessoal dos movimentos sociais deveria ter mais espaço, mas ele fez. Nessa crise, não adianta a Dilma passar a mão na cabeça do Temer. Ela tinha que ouvir a sociedade. Tem de sair do palácio, sair da toca.

Perde contato com a realidade?
Outro dia eu fui para Irati, no Paraná, 14º encontro de agroecologia. Eram 4.000 pequenos agricultores do Brasil. A Dilma ia. A Dilma não foi. Ela não tem ideia do que ela perdeu ali. Lá, quando eu cheguei, dizia-se que era o mau tempo. Não é verdade porque o Patrus (Ananias) foi. Então se o jatinho da FAB do ministro desceu, o jatão da presidenta poderia descer. Mas não importa. Não foi. Então ela tem de sair da toca, dar a volta por cima. Ela está acuada. Não encara a nação, não vai nos movimentos sociais.

Medo de ser vaiada?
Não pode ter medo. Uma figura pública, medo de nada. Tem de ir, se expor. Não tem como. Você é uma pessoa pública. O Lula promoveu não sei quantos daqueles conselhos nacionais de saúde, de educação. Era hora da Dilma fazer isso. Está aí o PNE, o Plano Nacional de Educação. Era para ter um debate sobre a implantação do PNE. No entanto, a notícia que a gente recebe é de cortes na educação. Ainda mais usando o lema que ela achou, “pátria educadora”. Isso tudo explica porque é tão baixa a aprovação dela.

O senhor é religioso. Que avaliação faz do avanço eleitoral e, principalmente, do comportamento da bancada evangélica no Congresso?
Penso que está sendo chocado o ovo da serpente. Uma das conquistas da modernidade, importantíssima, é a laicização do Estado e dos partidos. Essa bancada está querendo confessionalizar a política. Explico: eu sou padre ou pastor de uma igreja que considera pecado o cigarro e a bebida alcoólica; e tenho a veleidade que toda a população nem tome bebida alcoólica nem fume. Eu só tenho dois caminhos. O primeiro é converter toda a população à minha igreja; isso é impossível. Mas o segundo é possível: eu chegar ao poder e transformar o preceito da minha igreja em lei civil. Como aconteceu nos EUA nos anos 20. E eu temo que o projeto deles seja esse, de confessionalização da política. Uma forma de fundamentalismo tupiniquim, altamente perigoso.

Exemplo?
Isso vai se manifestar agora no debate sobre ensino religioso. Minha postura é simples: colégio religioso tem de ensinar religião da entidade mantenedora, se é católico, judeu ou protestante. Bom, tem muito colégio religioso que é mera empresa escolar. Aliás, os políticos mais corruptos do Brasil saíram todos de colégios religiosos. É de se pensar: que diabo andaram fazendo, que evangelização era essa? Mas, voltando, no ensino público ou no particular laico, tem de ter o ensino das religiões. Ou você pega o professor de história, que é qualificado para isso, ou você chama o padre para falar do catolicismo, o pastor para falar do protestantismo, o médium para falar do espiritismo, o pai de santo para falar do candomblé. Mas não dá para pedir para o padre contar o que é o espiritismo, porque aí vai ter preconceito. O que eles estão propondo aí é transformar os colégios em caixa de ressonância de pregações fundamentalistas, tipo criacionismo contra o evolucionismo. Isso é danoso à nossa cultura, à nossa história, à nossa religiosidade.

E, na sua avaliação, porque os evangélicos cresceram eleitoralmente?
Para entender isso é preciso recorrer a um livro do início da modernidade, fim da Idade Média, chamado “Discurso da Servidão Voluntária” (Etienne de la Boëtie, 1530-1536). Mostra como é que a cabeça de associação de pessoas é feita, de maneira que elas perdem totalmente a consciência, o livre arbítrio, e se tornam cordeirinhos de qualquer um que queira manipulá-las. É isso. Muitas igrejas transformam seus fieis em cordeirinhos que, ameaçados pela teologia do medo, acabam seguindo a voz do pastor naquilo que ele dita.

Nas últimas décadas, igrejas evangélicas tiraram, efetivamente, muitos seguidores da Igreja Católica. Basta ver o Censo. É notável também que, de maneira geral, o evangélico parece hoje bem mais militante que o católico. É praticante. Qual é a sua explicação para esse fenômeno?
Aí são dois fatores. Estudos estão mostrando isso: quando havia Comunidades Eclesiais de Base havia menos evasão para as igrejas evangélicas. Acontece que o papa João Paulo 2º e depois o papa Bento 16 fragilizaram as CEBs. Então hoje, o porteiro do prédio daqui da esquina, a cozinheira da vizinha, a faxineira, elas não se sentem bem na Igreja Católica. Se sentiriam nas Comunidades Eclesiais de Base, mas elas foram desmobilizadas pela própria igreja, com medo se ser Teologia da Libertação, influência marxista, progressista. Agora, com o papa Francisco, elas estão renascendo.

Estão mesmo? Há sinais disso?
Estão. Teve um sinal bom em 2014, em janeiro, quando teve o 14º encontro das CEBs em Juazeiro do Norte, eu estava lá, e o papa mandou um documento saudando, foi muito importante. E apareceram 73 bispos. Há muito tempo não apareciam tantos. Porque aí elas estavam no sinal amarelo –elas nunca foram condenadas–, mas estavam no sinal amarelo e agora passou para o verde. Agora, ainda você não tem o corpo, como tinha nos anos 70 e 80, de bispos que invistam nisso. Ainda não tem. Os bispos que temos aí ainda são todos os pontificado anterior: 36 anos de João Paulo 2º e Ratzinger. A segunda razão é aquilo que o papa Francisco denunciou na Jornada Mundial da Juventude. Houve uma burocratização da fé. Uso a seguinte imagem: Se você for às 3h da madrugada numa igreja evangélica, você é acolhido, tem alguém lá para te atender. Se você for às 3h da tarde numa católica, está fechada, tem uma grade, o padre não se encontra e não tem nenhum leigo autorizado, como tem nas evangélicas, para te orientar e te acolher. Não dá para competir. Eles sabem fazer um trabalho personalizado. Olha os cinemas que se transformam em templos. Sabe como eu chamo isso? A boca canibal de Deus. Né? Está ali na calçada; é só passar e ser sugado (risos). Na igreja Católica, não. São distantes. Como é que uma igreja evangélica começa? O pastor vai lá e aluga uma salinha de escritório. Põe lá uma dúzia de cadeiras, uma mesa e pronto, vira um mini-templo. E aí vai crescendo, porque o dinheiro entra. A igreja Católica deveria aprender muita coisa boa com as evangélicas.

Confira íntegra da matéria da Folha de S.Paulo