Antes de se entregar, Lula acusa ministros de se subordinarem à opinião pública: ‘Larguem a toga’

ESTADÃO

SÃO BERNARDO DO CAMPO – Em seu último discurso antes de se entregar à Justiça, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve neste sábado, 7, a linha de enfrentamento ao Judiciário e à imprensa adotada desde que se tornou alvo da Operação Lava Jato. Ao admitir que cumpriria a ordem de prisão, reafirmou que, apesar disso, continua na disputa eleitoral e que vai sair da situação “mais forte, mais verdadeiro e mais inocente”.

O Judiciário foi o principal alvo do ex-presidente. Lula disse que foi julgado com base na opinião pública e não em provas concretas e, sem citar nomes, fez referência ao voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, defensor da tese de que a Corte tem o papel “representativo” de julgar de acordo com as demandas da sociedade.

“Você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa porque no fundo, no fundo, você destrói as pessoas na sociedade, na imagem das pessoas, e depois o juiz fala: ‘Eu não posso ir contra a opinião pública porque a opinião pública está pedindo para cassar’”, disse, para completar: “Quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vai ser candidato a deputado. Escolha um partido político e vai ser candidato. Ora, a toga é um emprego vitalício. O cidadão tem de votar apenas com base nos autos do processo. Alias, eu acho que ministro da Suprema Corte não deveria dar declaração de como vai votar. Nos EUA, termina votação você não sabe o que o cidadão votou exatamente para que não seja vítima de pressão”.

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