Arquivo diários:01/07/2018

Parada do Orgulho LGBT reúne 1,2 milhão de pessoas em subúrbio do Rio

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

A preocupação com a escolha do eleitor nas eleições de outubro ficou expressa no tema da 18ª edição da Parada LGBT de Madureira: Vote certo para não chorar. Queremos renovação Já. A coordenadora do encontro e presidente do Movimento de Gays,Travestis e Transformistas (MGTT), Loren Alexsander, disse que é preciso garantir representação nas casas legislativas, a fim de que haja evolução nas reivindicações do público LGBT, que, segundo ela, está cansado de votar e de acreditar, mas não recebem o apoio necessário.

A previsão dos organizadores é de que 1,2 milhão de pessoas participem da parada. Os cálculos até 16h já indicavam 800 mil pessoas espalhadas pela Rua Carvalho de Souza, onde se concentraram quatro trios elétricos, que tocavam músicas de artistas populares como as cantoras Anitta e Ludmilla. As ruas próximas tiveram o trânsito interrompido e também estavam tomadas pelo público.

“Queremos pessoas que sejam do movimento e o respeitem. Queremos o movimento dentro da política. Vote certo para não chorar, porque choramos muito. Queremos renovação já, por alguém que nos respeite. Sabem que somos muitos e agentes multiplicadores, mas, na hora de precisar, todos viram as costas. Isso é uma dor para meu coração. Tantos anos de luta e sofrimento e as pessoas não respeitam.”

De acordo com Loren, uma das bandeiras do povo LGBT que precisam ser defendidas é a definição de medidas contra a homofobia, que tem provocado vítimas no Brasil. “Se o movimento não lutar e não reivindicar isso fica no anonimato. Chega de assassinato e de violência contra LGBTs. Somos bons filhos, bons profissionais, pagamos impostos. Não somos nós que roubamos cofres públicos.”

Depois da Consult, Garibaldi foi consultado por médicos

Logo após ser divulgado os resultados de uma pesquisa feita pela Consult, o senador Garibaldi Alves  teve uma crise de pressão baixa.

O senador foi atendido por uma equipe médica e passa muito bem..

A assessoria do senador divulgou a seguinte nota:

O senador Garibaldi Filho apresentou uma hipotensão e submeteu-se a exames preliminares, neste domingo (1º). No momento ele está bem e por recomendação médica fará exames complementares amanhã.

Deputados ignoram adesão de Jácome ao candidato Carlos Eduardo Alves

 No evento político da aliança de Carlos Eduardo Alves (PDT) para lançamento da pré-candidatura do deputado federal Antônio Jácome ao senador substituindo José Agripino, os deputados estaduais do MDB Hermano Morais e Nélter Queiroz, não compareceram.

Getúlio Rêgo (DEM), acabou indo embora antes mesmo do evento começar e seu colega do DEM, José Adécio, não apareceu. O deputado estadual Jacó Jácome (PSD), filho do adesista  Antônio Jácome, também não compareceu….

O deputado federal Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino Maia , que poderá ser candidato a deputado estadual, não passou nem na calçada.. . O único deputado estadual que esteve presente foi Albert Dickson (PROS), que fez questão de dizer que ainda não definiu  apoio a Carlos Eduardo.

Campanha eleitoral já começou no RN, só quem não sabe é a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral

Comícios, passeatas, músicas, bandeiras e muitos carros de som já estão sendo usados pelos ‘pré-candidatos’ muito antes da permissão do calendário eleitoral ou as convenções partidárias.

Sem contas bancárias abertas ou candidaturas registradas os comícios estão fazendo festas no interior. Nos ‘pré-comicios’, se eles são previstos legalmente, participam candidato a governador, senador, deputado federal, deputado estadual..

Muitos discursos, muitas promessas e alegria do eleitorado.

Neste sábado, o comício foi o lançamento da candidatura do médico e ex-prefeito de Almino Afonso, Bernardo Amorim a deputado estadual.

Estiveram presentes o candidato a governador Carlos Eduardo Alves, a senador Garibaldi Alves, o deputado Walter Alves que é candidato à reeleição e até a candidata a deputada federal e presidente do Avante Carla Verônica que é esposa do vereador Raniere Barbosa.

Comício grande em Caraúbas demostra força do ex-prefeito de Almino Afonso e candidato a deputado estadual pelo Avante, médico Bernardo Amorim.

Gustavo da Ponte e o ‘deputado Detefon’

Na noite que Magnus Kelly virou o “deputado Detefon”, ao lado de Aluízio Alves e Henrique Alves

O deputado Gustavo Carvalho, pode ter cometido o mesmo erro infeliz que o vibrante a grande orador das multidões Magnus Kelly cometeu na eleição do 1978.

Resultado de imagem para detefonMagnus, grande ‘aluízista’, também conhecido pelos seus discursos eloquentes, como ‘deputado coragem’ ao chegar numa grande passeata puxada por Aluízio Alves na Praça Gentil Ferreira no Alecrim, sabendo que por lá tinha passado o deputado radialista Carlos Alberto de Sousa, que era adversário naquela eleição, disse com sua potente voz: “depois que esse povo passou aqui na Gentil Ferreira, vamos dedetizar a praça”.

Com essa frase e proposta de envenenar a praça, o primo deputado Magnus Kelly ganhou o apelido de ‘deputado Dedefon’ perdendo a eleição e nunca mais foi eleito..

Gustavo da Ponte pode ter cometido o mesmo erro ao dizer num áudio de grupo de WhatsApp que “sabe quem é boi e vaca no RN”.

A repercussão da declaração infeliz do deputado Gustavo da Ponte é grande no interior, os seus apoiadores e eleitores estão envergonhados por terem sido chamados de boi e vaca..

Os adversário do deputado Gustavo da Ponte estão malhando suas lideranças perguntando se eles são boi ou vaca..

Mas, o soldado Vasco acha que o deputado quando falou ao grupo de WhatsApp tinha tomado umas birinaites num churrasco e não sabia se estava comendo picanha de boi ou de vaca..

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“eu sei quem é boi e vaca”, disse Gustavo da Ponte

ANP diz que o preço caiu apenas 27 centavos no Rio Grande do Norte

Um mês após o fim da greve dos caminhoneiros, quando o Governo Federal prometeu cortar 46 centavos do preço do diesel no Brasil, vários estados brasileiros ainda não sentiram essa queda. Em levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis referente à última semana (24/6 a 30/6), por exemplo, mostrou que no Rio Grande do Norte o valor caiu apenas 27 centavos.

A redução, inclusive, é a mesma registrada no Rio de Janeiro. As maiores reduções de preço foram verificadas nos estados do Norte do País, porém limitadas ao teto de R$ 0,39 em Roraima. O Amapá praticou descontos de R$ 0,37, o mesmo valor para abastecer no Amazonas.

Os preços na região devem cair ainda mais a partir de domingo (1/7), quando os três estados vão reduzir o preço médio ponderado ao consumidor final (PMPF) do óleo diesel, usado como base para o ICMS.

A composição do preço diesel se divide em 54% pelo custo de venda em refinaria, que corresponde à realização da Petrobras; 25% referente a impostos; 0,7% do custo do biodiesel (mistura de 10%); e 14% a realização das distribuidoras e revenda, segundo dados da Petrobras na semana de 17 a 23 de junho

Por que o Brasil não tem companhias aéreas de baixo custo?

Do UOL, em São Paulo

Quem pode se planejar com antecedência e tem alguma flexibilidade para viajar, encontra ofertas de passagens aéreas na Europa ou nos EUA muito mais baratas, por causa das empresas low cost (baixo custo).

Mas por que não existem empresas de baixo custo no Brasil?

Falta de concorrência, impostos altos e poucos aeroportos são alguns dos fatores mencionados por especialistas para explicar a ausência de opções mais baratas no país.

Preço médio no Brasil é o dobro

No site da companhia britânica Easyjet, na segunda-feira (18/6), era possível achar trechos de 22 libras a 35 libras (R$ 112 a R$ 179) para viagens entre Londres e cidades como Nice (França), Viena (Áustria) e Barcelona (Espanha).

O preço médio de passagens no Brasil é o dobro de algumas empresas de baixo custo na Europa. A média da aérea irlandesa Ryanair em 2017 foi de 39 euros (R$ 176). A passagem média paga por um voo doméstico no Brasil foi R$ 357 no ano passado, segundo a Anac.

Há também alguns fatores específicos que barateiam preços na Europa, como as pequenas distâncias entre os países e a alta densidade em cidades médias, o que ajuda a tirar as rotas dos grandes centros, mais caros.

Pouca concorrência

Para Paulo Resende, coordenador do núcleo de logística e infraestrutura da Fundação Dom Cabral, a pouca concorrência na aviação civil no Brasil é uma das principais causas dos preços altos.

Atualmente, o mercado de voos domésticos no Brasil é concentrado em quatro companhias: Avianca, Azul, Gol e Latam. Um maior número de empresas competindo pelos passageiros, segundo Resende, não necessariamente faria as aéreas baixarem os preço –“elas não têm margem para cortar”, disse o professor. Poderia, porém, incentivá-las a buscar mais eficiência, melhor gestão e, por consequência, redução nos custos.

“Quanto mais livre a concorrência, mais aberto o caminho para a atuação de uma low cost”, disse o professor. “Os mercados que mais favorecem o consumidor no mundo inteiro são mercados abertos ou subsidiados. O governo brasileiro não tem mais condições de subsidiar nada, e nosso mercado [de aviação civil] é extremamente fechado, um dos últimos a não permitir a entrada de capital estrangeiro.”

É proibido haver companhia aérea no Brasil controlada por capital estrangeiro; a participação máxima permitida a investidores e empresas de fora do país é de 20%. Um projeto de lei de 2017 que aumenta esse limite tramita atualmente na Câmara dos Deputados.

Faltam aeroportos

Os aeroportos regionais são um dos principais pilares de barateamento de passagens, mas faltam terminais desse tipo no país.

“Essas companhias procuram sempre operar em aeroportos alternativos, municipais, que têm tarifas e custos mais baixos que os centrais”, disse o engenheiro Milton Zuanazzi, ex-diretor da Anac e hoje presidente da agência de viagens SBTur. “Aqui não temos essa opção. Mesmo em São Paulo, que é o estado com mais aeroportos, não há nenhum com capacidade suficiente.”

Hoje, a capital paulista é atendida por Congonhas, Cumbica (Guarulhos) e, em menor escala, Viracopos, em Campinas. Nos arredores de Londres, para se ter uma ideia, são cinco aeroportos além de Heathrow, o principal deles.

Longas distâncias

As longas distâncias também são uma dificuldade no Brasil. “Longas distâncias na maior parte dos grandes mercados da América Latina tornam a região menos acessível para o modelo de baixo custo”, afirmou a Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos), que vê um lento desenvolvimento desse tipo de companhia na América Latina.

“Os custos operacionais estão diretamente ligados à distância viajada. É mais produtivo para elas operarem seis voos de um hora e 30 minutos por dia do que três de três horas”, disse a Iata.

“A Europa é mais adensada que o Brasil ou os Estados Unidos”, afirmou Zuanazzi. “Há muitas cidades médias e muito próximas umas das outras. Se você mora em Florença (Itália), não é complicado pegar um voo em Pisa (Itália), a 40 quilômetros dali. No Brasil, as distâncias são longas, e outras cidades maiores ficam longe da capital.”

Impostos e regulação

Entre as principais reclamações das empresas brasileiras sobre as pressões no preço das passagens, está a carga tributária, que pesa nos encargos trabalhistas e, principalmente, na querosene de avião, combustível que abastece as aeronaves. “O combustível representa cerca de 30% do valor do voo e paga impostos muito caros, em especial o ICMS, que é de quase 30% em alguns estados”, disse Zuanazzi.

O ICMS é definido pelos estados e, atualmente, a cobrança máxima permitida sobre o querosene de aviação é de 25% –caso da porcentagem em São Paulo, justamente o maior mercado e principal ponto de parada das aeronaves no país.

A regulação de mercado também é apontada pela Iata como um empecilho às empresas de baixo custo.

“Alguns governos impõem regulações comerciais que limitam a habilidade das companhias de trabalharem com diferentes modelos de negócio, exigindo, por exemplo, que todas as tarifas sejam reembolsáveis e possam ser trocadas, limitando a cobrança de bagagens e por aí vai”, disse a Iata.

Fator cultural também influencia

A cobrança à parte de itens, como escolha do assento, nem é proibida no Brasil, mas só recentemente passou a aparecer com maior frequência como compras adicionais em troca de uma tarifa promocional.

Ricardo Catanant, superintendente de acompanhamento de serviços aéreos da Anac, disse que há ainda um peso do hábito do consumidor de cada país. “A questão cultural pesa enormemente”, afirmou. Ele menciona que houve tentativas no passado entre as aéreas de enxugarem os serviços nos voos domésticos, como a oferta de lanches gratuitos a bordo. Barrinhas de cereais e opções cobradas entraram no lugar do lanche grátis. As reclamações foram muitas.

“Não é só porque é um recurso possível que a empresa vai lançar mão dele em nome do preço. O mercado está o tempo inteiro buscando a satisfação do consumidor”, disse o superintendente da Anac. “É que, neste momento, com o crescimento que se vê das aéreas de baixo custo no mundo, o consumidor parece estar preferindo preço baixo.”

(Reportagem: Juliana Elias; edição: Armando Pereira Filho)

Procurador ‘bocão’ Deltan Dallagnol foi denunciado por “incitar o ódio”

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POR JOSIAS DE SOUZA

Frequentador assíduo das redes sociais, o procurador Deltan Dallagnol, chefe Lava Jato em Curitiba, está sob ameaça de ser punido por conta de um tweet de quatro linhas. O corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel Moreira, abriu contra Deltan um processo administrativo disciplinar. Acusa-o de “ofender” e “incitar o ódio” contra o Congresso Nacional.

A origem da encrenca é a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, uma “jogada de mestre” decretada por Michel Temer em fevereiro. Na época, o governo cogitou adotar um procedimento inusitado: o “mandado coletivo de busca e apreensão”. Serviria para realizar batidas policiais em grandes áreas das favelas do Rio, sem a especificação de um endereço.

Um colega de Deltan, o procurador da República Wellington Cabral Saraiva, enxergou na inciativa um quê de demofobia. Ele escreveu no Twitter: “Se essa autorização for dada, será bom usá-la também em buscas coletivas nas Avs. Paulista e Luís Carlos Berrini, em SP, na Av. Vieira Souto, no Rio, e no Lago Sul, em Brasília. Afinal, a lei é para todos”.

Em 20 de fevereiro, Deltan replicou a mensagem do colega na sua conta no Twitter. E adicionou um comentário corrosivo: “Se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso. Aliás, as evidências existentes colocam suspeitas muito maiores sobre o Congresso, proporcionalmente, do que sobre moradores das favelas, estes inocentes na sua grande maioria.” (veja abaixo a reprodução dos posts de Wellington e Deltan)

Considerando-se o contexto, o alvo da crítica dos procuradores era o “mandado de busca e apreensão coletivo”. O Código de Processo Penal não permite esse tipo de esperteza. Exige a indicação precisa do endereço a ser varejado pela polícia, com a fundamentação dos objetivos e a identificação do alvo. Daí o tom irônico dos postsda dupla. Se vale para as favelas, por que não valeria para as áreas chiques de São Paulo, Rio e Brasília? Por que excluir o Congresso?

A ideia era tão estapafúrdia que foi congelada pelo governo. Entretanto, o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), vice-presidente da Câmara, enxergou no post de Deltan Dallagnol uma ofensa gravíssima aos congressistas e ao próprio Poder Legislativo. Em ofício endereçado ao corregedor Orlando Moreira, o deputado cobrou a punição do chefe da Lava Jato.

Fábio Ramalho anotou: “A declaração do mencionado procurador, ao tempo em que estabelece estranha relação entre a situação nas favelas do Rio de Janeiro e gabinetes parlamentares no debate dos chamados ‘mandados coletivos’, generaliza e coloca sob suspeita todos os parlamentares da atual Legislatura (deputados federais e senadores), sem exceção, eis que a declaração não identifica congressista ou individualiza possíveis condutas passíveis de busca e apreensão em gabinetes parlamentares.”

O vice-presidente da Câmara acrescentou: “Além disso, a manifestação atinge diretamente a imagem da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, bem como a totalidade dos congressistas, eis que atingidos em sua honra em razão do exercício do mandato.” Fábio Ramalho pediu a “devida apuração do fato” no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão ao qual está vinculada a corregedoria chefiada por Orlando Moreira.

O corregedor deu razão ao deputado. Determinou a instauração de um processo administrativo disciplinar contra Deltan Dallagnol. Tomou a decisão ad referendum do Conselho Nacional do Ministério Público. A expressão latina ad referendum significa que a prividência precisa ser referendada pelo conselho. Para Orlando Moreira, o chefe da Lava Jato cometeu, “em tese”, uma “falta funcional punível com a censura.”

Em sua decisão, o corregedor anotou que “foi dada a oportunidade de defesa ao reclamado”. Mas a notificação da corregedoria não chegou às mãos de Deltan. O procurador só ficou sabendo do processo depois que ele foi instaurado. Reinvindica o direito de apresentar sua defesa antes da manifestação do conselho.

Nas palavras de Orlando Moreira, a manifestação de Deltan no Twitter foi “ofensiva e incentivadora do ódio”. Na sua avaliação, o procurador “atacou o Congresso Nacional e ofendeu sua imagem”. Mais: “instigou o povo brasileiro a ficar contra os congressistas nacionais, de maneira genérica, sem qualquer argumento, e fora de qualquer processo de sua atribuição, lançando dúvidas quanto à integridade de todos os senadores e deputados federais”.

Pior: “denegriu e menosprezou atribuição constitucional do Ministério Público”, pois “comprometeu a imagem dos milhares de membros do Ministério Público Brasileiro que diariamente atuam em harmonia e respeito com os demais Poderes Constituídos para a consecução das atividades ministeriais.”

O corregedor prosseguiu: “Com tal conduta, mascarada através de suposto exercício da liberdade de expressão, incitando o ódio e ofendendo o Congresso Nacional, deixou o processado de observar o seu dever funcional de guardar decoro pessoal em respeito à dignidade de suas funções e à da Justiça, e também ao prestígio do Ministério Público.”

Deltan discorda. Sustenta que suas observações não podem ser retiradas do contexto. Afirma que apenas manifestou sua posição pessoal, contrária às tais operações de busca e apreensão de caráter geral. Quis realçar “que o domicílio é um asilo inviolável do indivíduo, acessível ao Estado apenas dentro das hipóteses constitucionais e legais.”

Para o procurador, “as buscas devem ser feitas em locais identificáveis —por endereço ou coordenadas GPS— e de modo justificado.” Está em jogo, segundo ele, uma “garantia que não é para pobres ou ricos, poderosos ou vulneráveis, mas sim para todos. É um direito fundamental.” Deltan afirma que “beira a má-fé a ilação de que tenha defendido a realização de buscas gerais no Congresso.”

Deltan relembra o noticiário da época, que depreendeu com precisão o sentido das suas palavras, tomadas num contexto que não se limitou ao teor do post veiculado no Twitter. Notícia do Estadão, reproduzida pelo UOL, destacou que ele “criticou o mandado coletivo de busca e apreensão.” Reportagem da Folha anotou: “Dallagnol diz que a ação é inconstitucional.”

Na opinião do procurador, a reação de Fábio Ramalho, o vice-presidente da Câmara, “é absolutamente antidemocrática, pois busca restringir a liberdade de expressão de um membro do Ministério Público, de modo absolutamente inconstitucional.” Deltan avalia que a interpretação que o deputado deu à sua postagem no Twitter, dando de ombros para o que foi noticiado pela imprensa, tem “o objetivo de obter uma punição incompatível com o sentido e o alcance da manifestação expressada.”

Fábio Famalho é um crítico da Lava Jato. O nome do deputado consta da lista de beneficiários de contribuições ilegais feitas pela Odebrecht. A relação foi entregue ao Ministério Público pelo delator Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-executivo da empreiteira. Ramalho foi identificado nas planilhas da Odebrecht com o apelido de “Barrigudo”. Recebeu R$ 50 mil em 2010.

No dia 11 de abril de 2017, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, autorizou a Procuradoria-Geral da República a investigar os políticos delatados pela Odebrecht. Fábio Ramalho afirmou na época que todas as doações que recebeu na campanha de 2010 foram declaradas à Justiça Eleitoral. A Procuradoria não conseguiu obter informações que fossem além do teor das delações. Por isso, Ramalho não foi formalmente denunciado na Lava Jato.

Há no Congresso 594 parlamentares, entre deputados e senadores. Desse total, cerca de 40% frequentam as investigações abertas no Supremo. Deltan compara esse cenário de terra arrasada com a situação das favelas, onde o governo pretendia realizar as tais buscas “coletivas”.

“Não há evidências que levantem suspeitas sobre sequer 10% dos moradores de favelas”, diz o procurador. “Não há qualquer indicativo de que pessoas que moram em favelas sejam suspeitas de crimes em percentual próximo aos de congressistas que são investigados. Em 2016, 6% da população brasileira morava em favelas, ou seja, algo perto de 12 milhões de pessoas. Mesmo que todos os presos brasileiros fossem oriundos de favelas, o que se cogita apenas para argumentar, o percentual dos presos (cerca de 700 mil) em relação aos habitantes de favelas seria de 6%, isto é, seis vezes inferior ao percentual de congressistas investigados.”

Contra esse pano de fundo, Deltan considera natural “dizer a verdade sobre a proporção da corrupção no Congresso”. Algo que “jamais deveria ser alvo de processo disciplinar” como o que foi aberto contra ele na Corregedoria Nacional do Ministério Público. “Calar a verdade, dita contra poderosos, é próprio de ditaduras, não de democracias”, afirma o procurador. “Tapar o sol com a peneira, esconder o diagnóstico que a Lava Jato e a imprensa fazem ou varrer a sujeira para debaixo do tapete não contribuirá para o amadurecimento de nossa democracia ou para o controle da corrupção.”

Como se vê, são mesmo espantosos os dias atuais. Pessoas que sistematicamente desmoralizam o Congresso, jogando a opinião pública contra a classe política, deveriam ser processadas de maneira implacável. O problema é que, infelizmente, as pessoas que fazem isso dispõem de imunidade parlamentar, o que dificulta enormemente a punição. Nesse cenário, órgãos como o Conselho Nacional do Ministério Público deveriam guerrear para aumentar, não censurar, o poder de crítica dos procuradores. No momento, o pior excesso que um integrante da força-tarefa da Lava Jato poderia cometer seria o excesso de moderação.

O próprio corregedor Orlando Rochadel Moreira não ignora —ou não deveria ignorar— os riscos que correm os agentes públicos que cometem o excesso de moderação. O Conselho Nacional do Ministério Público considerou que o doutor foi excessivamente moderado ao analisar um processo que envolve o procurador-geral de Justiça do Estado do Tocantins, Clenan Renaut de Melo Pereira. Acusado de envolvimento num esquema de desvios de recursos públicos em obras orçadas em R$ 1,2 bilhão, Clenan foi poupado pelo corregedor.

Em decisão monocrática (individual), Orlando Moreira ignorou o resultado de sindicância que recomdava a punição do procurador-geral do Tocantins. Enviou o processo para o arquivo. O blog apurou que, no último dia 15 de maio, em sessão presidida pela procuradora-geral Raquel Dodge, o Conselho Nacional do Ministério Público decidiu desarquivar o processo contra Clenan Renaut de Melo Pereira. Os conselheiros consideram que são abundantes as evidências de irregularidades. Ou seja, não é por falta de matéria-prima que o corregedor perde tempo abrindo processos disciplinares inúteis.

Prefeito do RS é encontrado morto no pátio da prefeitura

Evandro Carlos Diehl, prefeito de Nicolau Vergueiro, na Região Norte do Rio Grande do Sul, foi encontrado morto no pátio da prefeitura na manhã deste sábado, 30 de junho.

Segundo o delegado Norberto Rodrigues, da Polícia Civil de Marau, um funcionário encontrou o corpo do prefeito enforcado na garagem onde ficam guardados os carros e máquinas da prefeitura. Um inquérito será aberto para apurar mais detalhes, mas a polícia trata o caso como suicídio, pois não havia sinais de violência. O corpo foi encaminhado para necropsia.

Em nota de pesar, a prefeitura decretou luto oficial de três dias úteis na cidade, suspendendo as atividades nas repartições públicas municipais nesta segunda-feira (2).

Evandro Carlos Diehl era natural de Marau e tinha 44 anos. Advogado, formou-se pela Universidade Anhanguera. Sua trajetória política teve início em Nicolau Vergueiro, onde foi eleito vereador em 1997 e reeleito como vereador mais votado em 2001 e em 2005.