Arquivo diários:12/10/2018

Celular e até religião: veja se hackers roubaram seus dados do Facebook

Rede social de Zuckerberg permitiu vulnerabilidade que expôs dados de usuários a hackersGabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

O Facebook divulgou nesta sexta-feira (12) que 29 milhões de contas da rede social tiveram informações expostas a hackers na mega falha de segurança que veio a público no fim de setembro. A rede social divulgou uma página que diz se você foi afetado ou não pelo vazamento de dados pessoais.

Clique aqui (facebook.com/help/securitynotice) para saber se você foi afetado. Ao rolar a tela, uma caixa azul vai dizer se a conta foi ou não exposta a hackers e em que nível. O site ainda não foi disponibilizado em português (use um tradutor automático para entender caso você não entenda).

Uma dica é: se você vir o “Yes” na caixa azul, significa que hackers tiveram acesso ao seu perfil.

Entre os dados que vazaram para hackers, estão informações sensíveis como número de telefone, endereço de email e localização do usuário – muitos brasileiros foram afetados.

A rede social havia estimado anteriormente o número de afetados em 50 milhões, mas reduziu para 29 milhões após investigação.

UOL

Página do Facebook informa se dados foram acessados por hackers

Em um caso em que o “sim” é avisado pela rede social, é possível ver um acesso gigantesco de informações por hackers:

– Nome
– Endereço de email
– Celular
– Nome de usuário
– Data de nascimento
– Gênero
– Tipos de dispositivos em que você acessou o Facebook
– A língua em que você usa o Facebook
– Status de relacionamento
– Religião
– Cidade de nascimento
– Cidade atual
– Trabalho
– Educação
– Site
– 10 mais recentes localizações que você fez check-in ou que foi marcado
– 15 buscas mais recentes que você procurou na barra do Facebook
– Pessoas e páginas que você segue no Facebook

A listagem de dados acima está em 14 milhões de contas que tiveram dados mais acessados. O nível do ataque hacker pode variar — outras 15 milhões tiveram “apenas” parte dos dados entregues nas mãos de hackers.

O acesso a dados sensíveis, como no caso desta falha do Facebook, é gravíssimo segundo a nova lei de dados europeia, a GDPR. O Facebook pode tomar uma multa bem alta por causa da vulnerabilidade ao não fazer o suficiente para proteger dados de usuários.

Segundo a rede social, os hackers não tiveram acesso a senhas de contas e informações de pagamentos ou cartão de crédito.

Getty Images/iStockphoto

GDPR: nova lei europeia fecha cerco à exploração de dados pessoais e influencia o comportamento das empresas por todo o mundo

Entenda

O Facebook apontou ainda que os amigos dos próprios hackers foram os primeiros afetados – a ação seguiu em escala pegando amigos de amigos até chegar ao número absurdo de 30 milhões. Tudo isso foi feito automaticamente e um amigo acabou expondo outro. Os hackers atuaram por 11 dias até o Facebook descobrir que estava sob ataque. 

Fui afetado, e agora?

O Facebook explica que as informações poderiam ser usadas por hackers ou por terceiros para criar e espalhar spam no Facebook e fora dele.

Para se prevenir, a rede social recomenda:

– Ficar atento a ligações indesejadas, mensagens de texto e emails de pessoas que você não conhece
– Seu email e número de telefone podem ser usados contra você para spam ou tentativas de phishing
– Se você receber um email que diz ser do Facebook, pode revisar os emails seguros recentes em sua conta para confirmar se é legítimo
– Outras informações podem ser usadas para te enviar emais personalizados e mensagens que podem dar golpes em você

FBI está investigando

A empresa de Mark Zuckerberg apontou ainda que está trabalhando com autoridades para investigar os hackers envolvidos na ação. O FBI está envolvido no caso e pediu para que a rede social não divulgue quem pode ser o autor por trás da invasão.

“Estamos cooperando com o FBI, que está investigando ativamente e pediu para nós não discutirmos quem pode estar por trás do ataque”, escreveu Guy Rosen, executivo do Facebook, em um post no blog da companhia.

 

Getty Images/iStockphoto/manopjk

Está seguro? Veja como ficar mais protegido online.

O ataque hacker

Segundo a companhia, hackers aproveitaram uma falha no código da função “Ver como”. A vulnerabilidade permitiu que os criminosos acessassem tokens — “chaves digitais” que deixam as pessoas continuar logadas no serviço sem precisar recolocar a senha — e isso poderia ser usado para tomar controle das contas das pessoas.

“Este ataque explorou uma interação complexa envolvendo uma série de ocorrências em nossos códigos. Ele nasceu de uma mudança de código que fizemos na nossa ferramenta de upload de vídeo em julho de 2017, que impactou a funcionalidade ‘Ver como’. Os invasores não precisaram apenas encontrar essa vulnerabilidade e usá-la para ganhar acesso a um token, mas também tiveram que ir desta conta a outras para roubar mais tokens”, disse Guy Rosen, vice-presidente de gerenciamento de produto do Facebook.

Para resolver o problema, o Facebook resetou os tokens de acesso de 50 milhões de contas. Outros 40 milhões de perfis foram deslogados como precaução. Com isso, 90 milhões de perfis foram afetados — isso representa 4% do total de 2,23 bilhões de usuários mensais do site.

Pouco a pouco, estados dos EUA acabam com a pena de morte

Por João Ozorio de Melo

CONJUR

O Tribunal Superior de Washington decidiu, nesta quinta-feira (11/10), que a pena de morte é inconstitucional, pela maneira com que é aplicada. Assim, Washington se tornou o 20º dos 50 estados dos EUA a acabar com apena de morte. As sentenças de todos os prisioneiros no corredor da morte foram convertidas em prisão perpétua.

Em sua decisão, os ministros esclareceram que a pena de morte, em si, não é inconstitucional. Mas o sistema a torna inconstitucional, porque é contaminado por preconceito racial e a pena é aplicada de maneira arbitrária.

“O sistema é permeado por processos arbitrários de tomada de decisão, imposições aleatórias da pena de morte, falibilidades, raridade geográfica [é tratado de forma diferente nos condados] e atrasos excessivos. A combinação de falhas do sistema nos leva a concluir que a pena de morte é inconstitucional”, escreveram os ministros.

Diversos fatores fazem com que a pena de morte não seja aplicada de forma igual nas diversas partes do estado. A sentença depende, muitas vezes, de onde o crime foi cometido, do condado de residência do réu ou da vítima, da disponibilidade de recursos financeiros para administrar o corredor da morte e a execução das penas em épocas diferentes e, mais frequentemente, da raça do réu, argumentaram os ministros.

Um estudo encomendado pelo advogado do réu, cujo caso foi julgado pelo tribunal superior, indicou que o número de réus negros sentenciados à pena de morte é 3,5 vezes maior do que o de réus brancos em algumas áreas do estado e 4,6 vezes maior em outras áreas, quando todos cometeram crimes em que a pena capital é uma opção.

Os ministros lembraram que a lei requer que a corte, ao julgar um caso, deve considerar se a sentença de pena de morte é excessiva ou desproporcional a sentenças impostas em casos similares.

“Além de tudo isso, a pena de morte, do jeito que é aplicada, não cumpre os objetivos da penalogia” — a ciência que estuda as penas criminais e suas modalidades de aplicação.

A decisão beneficiou o prisioneiro Allen Gregory, condenado à pena de morte em 1998, por estuprar e matar com uma faca uma mulher, em 1996. Ele só foi descoberto e preso depois de um segundo estupro, graça a exames de DNA.

American Civil Liberties Union (ACLU), provavelmente a mais forte organização jurídica dos EUA, protocolou um amicus curiae no tribunal superior pedindo o fim da pena de morte no estado. A petição da ACLU foi assinada por 75 juízes aposentados, “bastante familiarizados com o papel da pena de morte na justiça criminal”, segundo a organização.

Com a decisão do Tribunal Superior de Washington, agora são 20 estados, mais o Distrito de Colúmbia (o distrito federal dos EUA), sem pena de morte. Assim, 30 estados, mais o governo dos EUA e as forças armadas dos EUA ainda mantêm a pena de morte.

Desses 30, os estados de Oregon, Colorado e Pensilvânia declararam uma “moratória governamental” que suspendeu todas as aplicações de pena de morte, em 2011, 2013 e 2015, respectivamente.

Estados que aboliram a pena de morte, historicamente, em um espaço de 172 anos (mais DC):

Ano Estado
1846 Michigan
1853 Wisconsin
1887 Maine
1911 Minnesota
1957 Alasca
1957 Havaí
1964 Vermont
1965 Iowa
1965 West Virgínia
1973 Dakota do Norte
1984 Massachusetts
1984 Rhode Island
2007 Nova York
2007 Nova Jersey
2009 Novo México
2011 Illinois
2012 Connecticut
2013 Maryland
2016 Delaware
2018 Washington
1981 Distrito de Colúmbia

Em missa-comício, padre de votos para Haddad

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Padre Jaime Crowe

O padre Jaime Crowe, que celebrou a missa-comício na manhã de hoje com a presença de Fernando Haddad e Manuela D’Ávila — e pediu voto para a chapa lulista –, é velho aliado do PT.

O sacerdote irlandês — há 40 anos no Brasil — participou, inclusive, da cerimônia ecumênica em homenagem a Marisa Letícia, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no dia da prisão de Lula. Na ocasião, ele estava lá, em cima do trio elétrico, ao lado do bispo emérito dom Angélico Sandalo Bernardino, amigo do ex-presidente.

Em dezembro de 2016, quando Haddad ainda era prefeito de São Paulo — embora já tivesse sido derrotado no primeiro turno por João Doria –, o padre Crowe recebeu das mãos do petista o prêmio de Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (foto abaixo), promovido pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania.

Organizações repudiam fala de Bolsonaro contra ativismos

Por Folhapress

SÃO PAULO  –  Mais de 4 mil organizações da sociedade civil e movimentos sociais, como Conectas, Greenpeace, Intervozes e Instituto Alana, divulgam nesta segunda-feira (15) uma nota de repúdio à declaração do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre acabar com o ativismo no país. A notícia foi antecipada pela Folha de S.Paulo.

“Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”, declarou no discurso feito no domingo (7), logo após a divulgação do resultado da votação no primeiro turno, em que obteve 46,03% dos votos.

“Além de uma afronta à Constituição Federal, que garante os direitos de associação e assembleia no Brasil, a declaração reforça uma postura de excluir a sociedade civil organizada dos debates públicos. Trata-se de uma ameaça inaceitável à nossa liberdade de atuação”, afirma a nota.

O texto segue dizendo que a conduta do candidato é uma ameaça para a democracia do país.

“Não será apenas a vida de milhões de cidadãos e cidadãs ativistas e o trabalho de 820 mil organizações que serão afetados. Será a própria democracia brasileira. E não há democracia sem defesa de direitos.”

As entidades destacam ainda a atuação no enfrentamento ao racismo e à violência contra as mulheres e na formulação de políticas públicas, como o seguro desemprego, financiamento estudantil, programas de combate ao desmatamento e de proteção dos animais e de leis, como a Anti-Fumo e Ficha Limpa.

“Calar a sociedade civil, como anuncia Jair Bolsonaro, é prática recorrente em regimes autoritários. Não podemos aceitar que passe a ser no Brasil”, diz o texto, que pede para os eleitores considerarem a declaração ao votar no segundo turno.

Boletos vencidos a partir de R$ 100 podem ser pagos em qualquer banco

A partir de amanhã (13), os boletos com valor a partir de R$ 100, mesmo vencidos, poderão ser pagos em qualquer banco. A medida faz parte da nova plataforma de cobrança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que começou a ser implementada em julho do ano passado.

Para serem aceitos pela rede bancária, em qualquer canal de atendimento, os dados do boleto precisam estar registrados na plataforma. Segundo a Febraban, os clientes que tiverem boletos não registrados na Nova Plataforma, rejeitados pelos bancos, devem procurar o beneficiário, que é o emissor do boleto, para quitar o débito.

O novo sistema permite o pagamento em qualquer banco, independentemente do canal de atendimento usado pelo consumidor, inclusive após o vencimento, sem risco de erros nos cálculos de multas e encargos. Além disso, segundo a Febraban, o sistema traz mais segurança para a compensação de boletos, identificando tentativas de fraude, e evita o pagamento, por engano, de algum boleto já pago.

As mudanças estão sendo feitas de forma escalonada, tendo sido iniciada com a permissão para quitação de boletos acima de R$ 50 mil. Entretanto, em junho deste ano, após dificuldades de clientes para pagar boletos, a Febraban alterou o cronograma.

A previsão inicial era que a partir de 21 de julho deste ano fossem incluídos os boletos com valores a partir de R$ 0,01. A expectativa era de que em 22 de setembro o processo tivesse sido concluído, com a inclusão dos boletos de cartão de crédito e de doações, entre outros. Pelo novo cronograma, os boletos a partir de R$ 0,01 serão incluídos a partir do próximo dia 27 e os boletos de cartões de crédito, doações, entre outros, no dia 10 de novembro de 2018.

Segundo a Febraban, apesar de o sistema passar a processar documentos de menor valor, com volume maior, os bancos não preveem dificuldade na realização dos pagamentos, com base nos testes feitos nas fases anteriores. Com a inclusão e processamento desses boletos no sistema, a Nova Plataforma terá incorporado cerca de 3 bilhões de documentos – aproximadamente 75% do total emitido anualmente no país. Nas próximas fases, serão incorporados 1 bilhão de boletos de pagamento.

A Febraban lembra que a nova plataforma é resultado de uma exigência do Banco Central, com incorporação de dados obrigatórios, como CPF ou CNPJ do emissor, data de vencimento, valor, além do nome e número do CPF ou CNPJ do pagador.

Deputado federal Rafael Motta vai declarar apoio à candidatura de Fátima Bezerra

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Fátima Bezerra e Rafael Motta

Está marcada para amanhã na sede do PSB do RN em Natal, um ato público presidido pelo deputado federal Rafael Motta à candidata ao governo do estado Fátima Bezerra.

Rafael Motta que foi reeleito deputado federal com uma expressiva votação, ouviu as bases do seu partido no RN e participou de entendimentos no diretório nacional do PSB em Brasília que resultaram no apoio ao projeto político da senadora Fátima Bezerra.

Fátima também recebe o apoio do deputado estadual Ricardo Motta, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e ex-vereadores..

O ato será amanhá às 10:00 horas..

ELEIÇÃO OAB/RN: Candidatura de oposição de Aldo Medeiros cresce entre colegas advogados

Resultado de imagem para Aldo medeiros filhoEm apenas cerca de 10 dias o advogado Aldo Medeiros conseguiu viabilizar sua candidatura à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil/RN.
Aldo Medeiros intensificou últimos dias um amplo projeto de oposição para viabilizar sua candidatura..

“A OAB-RN precisa voltar a ter a cara da Ordem dos Advogados do Brasil. Com clara atuação em defesa da advocacia e da ordem democrática. Com independência. Para isso que estamos reunindo forças e disputaremos a eleição”, postou em seu perfil nas redes sociais ..

Sem vinculação com grupos políticos do RN, Aldo é um candidato sem arestas que agrega forças com independência para o livre exercício do cargo de presidente.

Mesmo sendo uma candidato de oposição, Aldo vem recebendo apoios de vários advogados que estavam comprometidos com a chapa da situação, eles mudaram após o lançamento de sua candidatura..

No projeto de Aldo para OAB não existem extremos, existem projetos, diz um novo seguidor do candidato..

O ocaso da oligarquia política; tchau aos caciques

Wilson Lima e Rudolfo Lago

O plano parecia perfeito. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, disputava a reeleição no Ceará pelo maior partido do país, o MDB. Estava aliado no Estado ao governador Camilo Santana (PT)., coligado ao PDT de Ciro Gomes, que venceu as eleições no Ceará. Nos moldes da velha política, Eunício cercara as suas chances por todos os lados. No entanto, na hora h tudo falhou. Eunício não voltará ao Senado no ano que vem. Perdeu a vaga para Eduardo Girão (PROS), um dos vários neófitos na política a se eleger este ano. Na terça-feira 9, Eunício chegou a Brasília para presidir as sessões do Senado ainda atordoado. Ele ainda ficará no cargo até fevereiro de 2019, quando o novo Congresso toma posse. Em vez de uma reeleição que parecia certa, sua decisão após a derrota é abandonar a política e voltar aos seus negócios no ramo da vigilância privada.

Eunício é um exemplo acabado da onda que varreu da política diversos políticos tradicionais e seus clãs. Um vendaval que, no Senado, fará com que a próxima bancada seja 85% diferente da atual. Que produziu na Câmara uma inédita renovação de mais de 40%. Em números, a renovação no Congresso impressiona. Dos 444 velhos políticos que tentavam a reeleição na Câmara, somente 251 foram reeleitos, 56,5%. No Senado, o estrago foi bem maior. Das 54 vagas em disputa, 46 serão ocupadas por novos senadores. Esse terremoto elitoral atingiu clãs inteiros, como a família Sarney no Maranhão, além de mandar para casa a maioria dos políticos que tiveram seus nomes envolvidos em denúncias da Operação Lava Jato.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), se aliou ao PT e
até ao PDT de Ciro, mas um novato lhe tirou sua cadeira de senador

A velha política aniquilada

Mesmo políticos mais respeitados que não tinham seu nome envolvido em corrupção acabaram sucumbindo à onda que aniquilou a velha política. Eduardo Suplicy (PT), que tentava voltar ao Senado onde ficou 30 anos, saiu derrotado na campanha para senador em São Paulo onde despontava como favorito. Associou-se ao movimento antipetista que deixou fora do Senado também a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela disputava a vaga por Minas Gerais, beneficiada pelo entendimento matreiro no seu processo de impeachment, que cassou seu mandato mas manteve seus direitos políticos. O eleitorado não perdoou a manobra nas urnas.

A lista de políticos derrotados é grande e suprapartidária. Inclui nomes como Jorge Viana (PT-AC), Roberto Requião (MDB-PR), Magno Malta (PR-ES), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Roberto Freire (PPS-SP). E Romero Jucá (MDB-RR) que se eternizou no Senado ao ocupar o cargo eterno de líder do governo. Fosse ele qual fosse, de FHC a Lula. Jucá não foi reeleito.

No Maranhão, o clã Sarney teve uma derrota acachapante. Nem mesmo o retorno do patriarca José Sarney ao Maranhão aos 88 anos impediu sua filha, Roseana Sarney, de perder as eleições para o governador Flávio Dino (PCdoB) ainda no primeiro turno. Não evitou que seu outro filho, Sarney Filho (PV), ficasse também sem mandato. E nem que voltasse para casa seu companheiro de primeira hora, o senador Edison Lobão.

No Acre, outro clã se despede: os Viana. O PT deixa o comando do Estado após 20 anos de domínio, com a vitória de Gladson Cameli (PP). O peso das denúncias de corrupção atingiu políticos como o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). Ele se licenciou do cargo para disputar uma vaga como senador e ficou apenas em sexto lugar. À véspera das eleições, foi preso por corrupção. Pelo envolvimento com a Lava Jato, perderam o mandato ainda dezenas de parlamentares, como o senador Lindberg Farias (PT-RJ), e dezenas de deputados federais, como Zeca Dirceu (filho do ex-ministro José Dirceu), Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), irmão de Geddel, preso com R$ 52 milhões num apartamento em Salvador, Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson, e Marco Antonio Cabral (MDB-RJ), filho do ex-governador Sérgio Cabral. Também não conseguiu se eleger o ex-senador Delcídio do Amaral (PTC-MS) e o senador Garibaldi Alves do RN.

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Garibaldi Alves e seu primo candidato a governador do RN, Carlos Eduardo Alves

Há uma conjunção de fatores para explicar a derrocada dos políticos tradicionais. O descontentamento com a política tradicional, especialmente focada em políticos do PT, MDB e PSDB, o envolvimento em denúncias de corrupção, e a força de alguns governadores que disputaram a reeleição, como Flávio Dino (MA) e Renan Filho (AL). Renan Filho foi, inclusive, a principal razão a evitar que Renan Calheiros (MDB-AL) também afundasse na onda que limou do Senado boa parte dos seus colegas. “Realmente é um movimento novo na política e o que se viu foi um eleitor muito irritado, com pouca paciência para uma discussão mais adensada do processo político, sem uma visão de centro e com um desejo extremamente latente por uma renovação”, pontuou Wladimir Gramacho, cientista político. André Felipe acrescenta outro dado: “Os levantamentos de pesquisas não enxergaram esse sentimento de renovação que aconteceu nos últimos dias da campanha. Assim, muitos desses velhos políticos se acomodaram, enquanto seus adversários novatos trabalharam”. A velha política foi rejeitada pelo eleitor de forma nunca vista até aqui.

Dezenas de parlamentares investigados pela Lava Jato foram
mandados de volta para casa pelo eleitor insatisfeito com a corrupção

Câmara dos Deputados tem 243 deputados novos e 251 reeleitos; renovação foi de 47,3%

Novo partido de Bolsonaro, PSL foi o que mais ganhou deputados: elegeu 47 e vai a 52Congresso em Foco

O índice de renovação na Câmara dos Deputados nesta eleição foi de 47,37%, segundo cálculo da Secretaria-Geral da Mesa (SGM). Em números proporcionais, é a maior renovação desde a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986. No domingo (7), foram eleitos 243 deputados “novos” (de primeiro mandato) e reeleitos 251 deputados, de um total de 444 candidatos à reeleição. Ou seja, 56,5% dos deputados que se candidataram à reeleição foram reeleitos. Também foram eleitos 19 ex-deputados de legislaturas anteriores (3,7%).

Saiba quais são os 157 deputados que não conseguiram se reeleger

Desde a eleição de 1994, o percentual de renovação na Câmara ficou abaixo de 40%, de acordo com os dados da SGM. A média de 1994 até 2014 foi de 37%. Três eleições tiveram o menor índice de renovação: 1994, 1998 e 2002. Até então, a eleição com maior número de novos rostos havia sido a de 1990, com 46% de renovação.

Para elaborar a nova Constituição, foram eleitos 235 novos deputados, ou 48% do total. A renovação da Câmara na primeira eleição de deputados já com a Carta Magna publicada, em 1990, foi de 46%, um ponto percentual abaixo da atual.

Esses índices levam em consideração todos os deputados titulares e os suplentes que assumiram o mandato em algum momento da legislatura, em um total de 612.

Renovação por partido

O PSL foi o partido que ganhou mais deputados novos, 47 de uma bancada de 52 parlamentares. Em segundo lugar ficou o PRB (18 novos parlamentares), seguido por PSB (16), PT (15), PSD (14), PP e PDT (12 cada) e DEM (10). Os outros partidos elegeram menos de dez novos deputados.

Reeleição

O PT foi o partido que mais reelegeu deputados. Dos 56 deputados eleitos no domingo, 40 foram reeleitos, seguido por PMDB (25 reeleitos), PP (23), PR (22), PSD (20), DEM (19), PSDB (16), PSB (14), PDT (14) e PRB (11). As demais legendas reelegeram menos de 10 deputados.

O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é um dos deputados reeleitos pelo DEM do Rio de Janeiro.

Outros cargos

Dos 612 deputados federais que assumiram o mandato na atual legislatura, 444 tentaram a reeleição, 78 não se candidataram, 42 concorreram ao Senado (16 foram eleitos), 15 se candidataram a deputado estadual, 11 a vice-governador, 11 a suplente de senador, 9 a governador (um foi para o segundo turno e os demais não foram eleitos) e dois a presidente da República.

Renovação surpreendente

Segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o índice de renovação foi surpreendente em função do crescimento de partidos como PSL, do candidato à Presidência Jair Bolsonaro, e PRB.

“Esperava-se uma renovação dentro da margem histórica.”

Queiroz acredita porém, que a renovação na Casa é, na verdade, uma circulação no poder de parlamentares com mandato estadual vindo para a Câmara. “Os poucos espaços que serão ocupados por quem nunca exerceu cargo público têm quatro origens: os linha-dura, os parentes de oligarquias nos estados, as lideranças evangélicas e as celebridades”, disse.