Imprensa internacional repercute indicação de Moro para o Ministério da Justiça

Por João Ozorio de Melo

De 20 notícias publicadas na capa do site da editoria Americas do jornal The Guardian, 10 repercutem a eleição de Jair Bolsonaro e a indicação do juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça. O editor-chefe de Americas, Brian Winter, que conhece o juiz, afirma que a indicação de Moro tem lados bons e lados ruins.

Começando pelos ruins, ele diz que a sabedoria de Moro ao aceitar o cargo é questionável. Para ele, é inevitável que as pessoas (incluindo os admiradores do juiz) pensem que, no final das contas, tudo não passava de uma cruzada partidária, que culminou com a prisão de Lula para ajudar Bolsonaro. O editor acredita ainda que Moro terá problemas com as tendências autoritárias de Bolsonaro.

Os lados bons incluem o fato de que Moro irá, certamente, defender a independência do Judiciário e irá ajudar a definir uma política para nacionalizar a luta contra a corrupção. O editor diz esperar que Moro ajude a implementar políticas duras contra a corrupção e o crime organizado, mas sempre respeitando a Constituição, as leis e os direitos do cidadão.

Com o título “Bolsonaro indica juiz que ajudou a prender Lula para liderar o Ministério da Justiça”, o jornal lembrou que Moro declarou em uma entrevista ao Estadão, em 2016, que nunca entraria em política. “Eu sou um homem da Justiça… não um político”, disse.

O jornal The Washington Post afirma que a indicação de Moro, embora seja celebrada pela população ansiosa por um combate mais duro à corrupção, vai exacerbar a profunda polarização do país, resultante de uma campanha presidencial contundente.

Para o jornal, Moro é muito popular entre conservadores e odiados por muitos da esquerda brasileira. Sua decisão de aceitar o cargo irá alimentar a suspeita de que foi politicamente tendencioso ao mandar prender Lula, o que o tirou da corrida presidencial. O jornal lembra que Lula, mesmo preso, liderava as pesquisas, até que sua candidatura foi bloqueada em setembro.

BBC noticia a indicação de Moro para a Justiça sem opinar. Mas destaca o fato de que Bolsonaro pode ter indicado Moro para o Ministério da Justiça como um trampolim para a Suprema Corte. A emissora diz que Moro fez um trabalho apreciado por muitos na operação “lava jato”, mas que é criticado por ter comandado uma caça às bruxas política contra Lula.

A publicação conservadora U.S.News afirma que Bolsonaro escolheu um juiz “top” para o Ministério da Justiça, porque Moro lidera o combate à corrupção no Brasil.

The Times destaca que Bolsonaro ofereceu o cargo de ministro a Moro, um juiz anticorrupção, cujas investigações levaram à prisão de seu rival político.

Digital Journal destaca que Moro vai liderar um “superministério”, que vai combinar Justiça e Segurança Pública, alimentando acusações de que a operação “lava jato” foi politicamente motivada e visou, desproporcionalmente, políticos de esquerda no Brasil.

Fonte: CONJUR

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