Brasil pode ser punido se não tiver lei mais dura contra lavagem de dinheiro

Por Fabio Graner e Raphael Di Cunto | De Brasília
Jorge William/Agência O Globo
Sérgio Moro: futuro ministro da Justiça discute com Banco Central estratégia para aprovar lei no Parlamento e evitar barreiras aos investimentos no país

O Brasil corre sério risco de em fevereiro ser o primeiro país a ser suspenso do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) e sofrer outras punições caso o Congresso não aprove ainda este ano o projeto de lei (PL) 10.431/2018, que alinha a legislação brasileira de combate ao terrorismo e à lavagem de dinheiro às recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), acelerando, por exemplo, o processo de bloqueio de bens.

 O tema é alvo de grande preocupação na área econômica, em especial pelo atual comando do Banco Central, presidido por Ilan Goldfajn, e também pelo indicado para ser o seu sucessor, Roberto Campos Neto. O temor é sobre os possíveis desdobramentos econômicos negativos da retirada do Brasil desse grupo. A leitura é que há risco não desprezível de saída de capitais e restrição a ingressos de novos investimentos. Esse cenário já provoca também inquietação em parte do sistema financeiro nacional.

Como esse será um evento inédito, a mensuração dos riscos não é muito clara. Mas vale lembrar que bancos que operam nos Estados Unidos são multados quando fazem operações com países que estão na lista dos que não combatem o terrorismo e a lavagem de dinheiro, ou seja, a suspensão do Brasil do acordo internacional pode acarretar uma atitude defensiva por parte das instituições financeiras globais e dificultar transações em âmbito internacional.

Valor

 

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