Arquivo diários:05/08/2019

Bolsonaro: “Indicado será filho de alguém, por que não meu?”

Presidente afirmou que Eduardo deseja morar nos EUA ‘há algum tempo’ e que embaixada é um ‘cartão de visitas’
Gabriel Wainer

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, no YouTube, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o indicado para ocupar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, na Embaixada de Washington, “tem que ser filho de alguém, então por que não pode ser meu?”. De acordo com o presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, seu filho, tem as credenciais necessárias para ocupar o cargo mais importante nas relações internacionais do Brasil com os EUA.

Proximidade com família Trump é vista como trunfo por Bolsonaro na indicação do filho Eduardo como embaixador nos EUA
Proximidade com família Trump é vista como trunfo por Bolsonaro na indicação do filho Eduardo como embaixador nos EUA
Foto: Joshua Roberts/File Photo / Reuters
Bolsonaro afirmou que Eduardo já deseja “há algum tempo” morar nos Estados Unidos, mas que foi convencido por ele a ficar no Brasil para disputar as eleições. “Agora apareceu essa oportunidade dada a nossa proximidade com a família Trump. O embaixador é um cartão de visitas”, disse o presidente.

O presidente também mencionou que Eduardo, neste momento, está nos Emirados Árabes Unidos tratando sobre questões diplomáticas e que tem vocação para a atividade. “Tem tudo para dar certo. Por exemplo, ele me contou que nós não temos um adido militar lá, nos Emirados Árabes. Já vou tratar desta questão aqui e, se houver interesse da nossa parte, mudamos isso”, comentou.

Quebra de tradição

A possível indicação de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, como embaixador do Brasil nos Estados Unidos pode quebrar uma tradição dentro do Itamaraty, desde a redemocratização, de ter na embaixada em Washington, sempre um diplomata de carreira.

Desde o governo de José Sarney, o primeiro após a ditadura militar, todos os ocupantes do cargo saíram do Instituto Rio Branco, o centro de formação de diplomatas do Itamaraty.

Nepotismo

A eventual indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidoslevantou o debate sobre o nepotismo por parte de agentes públicos.

Bolsonaro já afirmou que a indicação de seu filho para a embaixada não configura nepotismo, uma vez que uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) leva à jurisprudência de considerar nepotismo apenas nomeações de parentes para cargos administrativos, e não para cargos políticos, o que seria o caso do cargo de embaixador.

O ministro do STF Marco Aurélio Mello, no entanto, afirmou que a eventual indicação é um “péssimo exemplo” e que pode ser enquadrado como nepotismo

Arautos da moralidade, 22 promotores e procuradores de justiça do RN receberam quase R$ 4,7 milhões de vencimentos julho 2019. Dois acima de R$ 300 mil, 12 acima de R$ 200 mil e 08 acima de R$ 100 mil

  Valores, que incluem salários, férias, gratificações, abonos e remunerações retroativas, podem ser vistos no Portal da Transparência por meio de uma pesquisa básica na internet

Uma pesquisa feita pelo site Justiça Potiguar no Portal da Transparência aponta que um total de 22 servidores do MP – entre procuradores e promotores de justiça de 3ª entrância – receberam, em julho, remunerações que ultrapassam R$ 100 mil. Os valores não são apenas de salários, pois incluem gratificações, abonos e remunerações retroativas. O site Justiça Potiguar não está trazendo esta informação à tona para dizer que se trata de algo ilegal, porque o que os promotores e procuradores de Justiça receberam está contido na lei, ou seja, está previsto na legislação que rege os vencimentos deles. O que o Site Justiça Potiguar está destacando é a ilha de prosperidade do funcionalismo público, que transformou suas excelências: procuradores e promotores do MP do RN. Não é questão de ser legal ou ilegal, até porque se estão recebendo é legal. Mas é inconcebível um grupo de servidores públicos recebendo montantes vultosos desses. Se olharmos particularmente para o RN, como explicar aos servidores do poder executivo, que ainda estão com salários atrasados e a maioria não recebeu, sequer, o 13º salário de 2017? Sem contar com novembro, dezembro e 13º de 2018. Em tempos difíceis, de desemprego em massa e Estados sem condições de quitar a folha de pagamento, a realidade dos procuradores e promotores de justiça se configura em um ponto totalmente fora da curva. Há, ainda, promotores que receberam remunerações de R$ 90 mil e R$ 70 mil, mas a maior parte ficou na casa do teto do STF. Em um documento anexado à matéria, o leitor pode verificar quanto cada um recebeu.

Confira a lista dos vencimentos dos 22 promotores e procuradores que receberam, em julho, remunerações superiores a R$ 100 mil  Além do salário, a remuneração inclui férias, gratificações, abonos e remunerações retroativas; veja os detalhes de cada vencimento. Confira a lista dos vencimentos dos 22 promotores e procuradores que receberam, em julho, remunerações superiores a R$ 100 mil. O Site Justiça Potiguar publicou que em julho esses 22 servidores do MP/RN receberam a bagatela de R$ 4 milhões e 700 mil reais. Além do salário, a remuneração inclui férias, gratificações, abonos e remunerações retroativas. Lista dos nomes dos procuradores e promotores de Justiça:
YVELLISE NERY DA COSTA: R$ 340.901,74
DARCI DE OLIVEIRA: R$ 302.852,49 
ANISIO MARINHO NETO: R$ 285.209,75
ARMANDO LUCIO RIBEIRO: R$ 283.942,93 
JOSE BRAZ PAULO NETO: R$ 264.734,78 
Herbat  PEREIRA BEZERRA: R$ 259.867,25 
JEANE MARIA DE CARVALHO RODRIGUES COSTA: R$ 238.191,56 
FERNANDO BATISTA DE VASCONCELOS: R$ 237.278,80
IVONEIDE FEITOSA CONFESSOR: R$ 230.869,64 
MYRIAN COELI GONDIM D OLIVEIRA SOLINO: R$ 224.809,14
GERALDO RUFINO DE ARAÚJO JUNIOR: R$ 218.938,55 
ALEXANDRE MATOS PESSOA DA CUNHA LIMA: R$ 208.539,48 
MARIA DE LOURDES MEDEIROS DE AZEVEDO: R$ 207.026,18
ARLY DE BRITO MAIA: R$ 201.153,94 
ROSSANA MARY SUDARIO: R$ 199.457,04 
JOSE ALVES DA SILVA: R$ 169.224,86 
JOSE AUGUSTO DE SOUZA PERES FILHO: R$ 158.359,65 
DARCI PINHEIRO: R$ 154.316,72 
FABIO DE WEIMAR THE: R$ 142.658,81
IVANILDO ALVES DA SILVEIRA: R$ 128.787,99 
SAYONARA CAFE DE MELO: R$ 126.442,03 
SUELY MAGNA DE CARVALHO NOBRE FELIPE: R$ 112.219,35

Fonte: Justiça Potiguar

Para PM paulista é proibido xingar Bolsonaro no estádio

Torcedor foi detido por protestar contra presidente na Arena Corinthians

Marcelo TieppoMarcelo Tieppo

O relato é assustador e remete a tempos sombrios. O torcedor Rogério Lemes xingava o presidente no estádio quando tomou um mata leão dos policiais, foi algemado e levado para a delegacia. Ele mostrou o boletim de ocorrência, em que não pode colocar sua versão e diz ter se sentido humilhado.

O presidente Jair Bolsonaro, jogadores e integrantes da comissão técnica do Palmeiras comemoram título durante a partida entre Palmeiras e Vitória, válida pelo Campeonato Brasileiro 2018, no Allianz Parque em São Paulo
O presidente Jair Bolsonaro, jogadores e integrantes da comissão técnica do Palmeiras comemoram título durante a partida entre Palmeiras e Vitória, válida pelo Campeonato Brasileiro 2018, no Allianz Parque em São Paulo
Foto: Guilherme Rodrigues / Futura Press

Os policiais disseram que faziam a patrulha no estádio, quando visualizaram o torcedor gritando palavras de ordem e o levaram para a delegacia a fim de evitar um tumulto.

A ação policial é abuso de autoridade e vai contra a liberdade de expressão. Afinal não estamos vivendo uma ditadura, não é mesmo?

Torcedor xinga juiz, xinga jogador, xinga técnico. Já xingou a Dilma no mesmo estádio, na abertura da Copa, em 2014. Recentemente, vaiou Bolsonaro no estádio do Palmeiras. Viva a liberdade de expressão! É proibido proibir!

Novo Portal da Transparência entra no ar nesta quinta

O novo layout do Portal da Transparência entra no ar nesta quinta-feira (8). Foram três meses de ajustes para dotar um dos principais instrumentos de controle de receitas e despesas do poder público de mais interatividade e confiabilidade nos dados. Todo o processo de modernização do portal foi coordenado pela Controladoria Geral do Estado, junto à equipe de informática da secretaria de Administração e sem custos ao Governo do Estado.

A principal mudança do novo layout, apontada pelo controlador geral Pedro Lopes é o grau de confiabilidade dos dados da receita e despesa pública. “Na versão anterior, devido inúmeros problemas de desenvolvimento, concepção e migração do sistema financeiro, ocorrido em 2018, os dados apresentados eram instáveis e nem sempre  fidedignos aos números da contabilidade, ou seja, os números ‘não batiam’”, resumiu.

Pedro Lopes ressaltou ainda a aparência mais interativa e a facilidade de consulta pelo cidadão com a retirada de ícones desnecessários e instalação de novos gráficos de evolução dos gastos públicos pelas principais pastas do Governo, como educação, saúde, segurança, assistência social, infraestrutura, entre outros.

A meta agora, com o novo Portal já disponível para consulta, é aprimorar a produção de relatórios gerenciais. “A ideia é que qualquer pessoa, sem especialidade em contabilidade pública, compreenda as finanças do Governo do RN. E queremos também dialogar com a sociedade para produzir relatórios cada vez mais interativos, sob medida para o usuário. Isso, na prática, é o espírito da transparência pública”, conclui Pedro Lopes.

Uma oficina para apresentar o novo layout e ensinar o passo a passo para navegação no novo sítio será promovida no próximo dia 15 de agosto, das 9h às 13h, na Escola de Governo. A intenção também é iniciar a agenda de diálogos para construção dessa ponte de transparência de informações entre usuário e Governo do Estado. A oficina será aberta a todos os interessados, desde o servidor público e pessoal técnico aos cidadãos curiosos no tema.

VERSÃO ANTIGA

Na versão antiga do Portal da Transparência faltavam informações relevantes, como repasses de impostos aos municípios. E, segundo a Controladoria do Estado, sem essa transparência mais detalhada, ocorria a indução ao erro de informações, inclusive publicadas na mídia, afora cálculos mal feitos sobre os números apresentados.

Um exemplo de desinformação disseminada em blogs do Rio Grande do Norte foi uma possível “sobra de caixa de R$ 1,4 bilhão” nas contas do Governo, passíveis de pagamento dos salários atrasados. Uma conta que, segundo Pedro Lopes, resultou dos problemas de informação do antigo Portal, que agora estão senados.

“É preciso distinguir recursos vinculados e recursos do tesouro. O primeiro tem destinação carimbada e não pode ser usado para outro fim, como pagamento de salário”.

Dos recursos ordinários da fonte tesouro (Fonte 100), usados para pagamento de pessoal, o Portal da Transparência não informava as saídas aos municípios, a título de quota-parte, do ICMS, IPVA, IPI Exportação e royalties e parte do repasse para o Fundeb, entre outros dados, que também gerava confusão de interpretações.

Citando frase de Paulo Freire, governadora sanciona lei de liberdade de expressão nas escolas

FOTO: ELISA ELSIE/ASSECOM/RN

A governadora Fátima Bezerra sancionou hoje três leis direcionadas a melhorar o ambiente escolar e promover a Educação. Durante a abertura do seminário “Mobilização para aprendizagem no Ensino Médio”, que iniciou na manhã desta segunda-feira (05) e transcorrerá até terça-feira (06), no Holliday Inn, ela defendeu a liberdade de expressão nas escolas, o incentivo à leitura e à escrita e a valorização do idoso através do esporte e da educação, temas das leis de autoria dos deputados Francisco de Medeiros e Kleber Rodrigues.

O evento, que discute a importância da gestão da educação para o avanço contínuo dos estudantes no Rio Grande do Norte, é realizado em parceria entre o Governo do Estado e o Instituto Unibanco, através do programa Jovem de Futuro. “O desafio é imenso. Não basta colocar a criança na escola. É preciso que a escola esteja preparada para garantir ao jovem o exercício da cidadania e o prepare para enfrentar o mercado de trabalho”, declarou a governadora para o público composto por cerca de 700 gestores, do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino.

Ao defender a liberdade de expressão nas escolas, Fátima citou uma frase célebre de Paulo Freire: “Se a Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. A governadora declarou-se seguidora do pedagogo que revolucionou a prática de alfabetização, contribuindo consideravelmente para reduzir os índices de analfabetismo no Brasil. “Defendemos, sim, uma escola livre, democrática. Escola não é ambiente de intolerância. Escola é um território aberto, de livre opinião”.

Ela destacou que tem muitos sonhos quanto à Educação e está imbuída, junto com sua equipe, de concretizá-los. “Eu sonho, junto com vocês, educadores e educadoras, em avançar na escola em tempo integral. De aumentar, junto aos municípios, a rede de creches para crianças de 0 a 3 anos. E de melhorar a escola profissionalizante. Porque o nosso governo é o governo da inclusão”, descreveu.

A Lei 10.659/19 (proposta pelo deputado Francisco), que trata da liberdade de expressão nas escolas, está sendo chamada de “Lei da Escola Democrática”. Professor das redes municipais e estadual, ele explicou que a matéria foi amplamente discutida no âmbito escolar, com gestores, professores, estudantes e dirigentes do movimento estudantil, e tem por objetivo garantir o amplo debate em prol da Educação de qualidade. “A escola deve ser um ambiente democrático, onde seja propício o debate que caminhe para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, enfatizou.

O deputado Kleber explanou sobre as Leis 10.570/19 e 10.571/19, que institui a Semana do Livro e da Escrita e Semana Estadual do Esporte para a Pessoa Idosa, ambas para o mês de outubro, quando são comemorados o Dia do Idoso (01/10) e o Dia da Criança (12/10). “Essas leis são importantíssimas porque direcionam o olhar para a população de idosos, promovendo a qualidade de vida para a terceira idade. A Educação é a mola propulsora para o desenvolvimento de crianças e jovens”, destacou.

Além da governadora Fátima Bezerra, a abertura do seminário também contou com a participação do secretário da Educação Getúlio Marques, da secretária-adjunta Márcia Gurgel, e do Superintendente Executivo do Instituto Unibanco Ricardo Henriques. Este, por sua vez, falou sobre a importância da gestão para melhoria do aprendizado. “Nossa parceria atua por meio do aprimoramento contínuo da gestão da educação, desde a secretaria até o diretor da escola”, explicou.

O encontro está reunindo os técnicos da SEEC (Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Desporto e do Lazer), diretores regionais, assessores e coordenadores pedagógicos e diretores de escolas públicas. “Temos um compromisso com a aprendizagem dos nossos jovens. Diante disso, temos que ampliar o debate em busca de caminhos que devem ser traçados, para garantirmos que o jovem tenha acesso a uma educação de qualidade”, explicou o secretário Getúlio Marques.

JOVEM DO FUTURO – De acordo com dados do Censo Escolar 2018, o Estado do Rio Grande do Norte tem mais de 90 mil estudantes matriculados no Ensino Médio público, distribuídos em 318 escolas. O programa Jovem de Futuro atualmente está presente em 141 escolas estaduais que atendem mais de 49 mil estudantes e deve ser implantado em todas as 318 até 2020. Atualmente, o programa é implementado em parceria com as Secretarias de Educação dos estados de Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Goiás e Piauí.

Governadores do Nordeste criam bloco e consolidam polo à esquerda

Em contraponto à gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), eles se uniram em torno de um projeto comum e começam a consolidar um novo polo de poder na esquerda pós-Lula (PT).

Com a força política de suas canetas, os governadores dos nove estados do Nordeste –sete deles de partidos de esquerda– intensificaram agendas conjuntas, afinaram o discurso e tentam dar peso político à região onde vivem 55 milhões de brasileiros.

Para isso, deixaram em segundo plano o debate sobre costumes, na qual a polarização com Bolsonaro tende a atingir níveis ainda mais críticos, e trouxeram para o centro da discussão temas com maior impacto no cotidiano da população, como emprego, saúde e segurança.

Terremoto de magnitude 5.8 a 1000 km do Litoral Potiguar, eventual tsunami pode atingir Recife, Natal e Fortaleza

Um terremoto de magnitude 5.8 atingiu a região central do Oceano Atlântico na noite deste domingo, 4, por volta das 22h. Um eventual tsunami poderia atingir o nordeste brasileiro, como Natal, Recife e Fortaleza.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o hipocentro do tremor ocorreu a 10 km de profundidade depois do fundo do mar, considerado muito raso. Até o momento, não há registro de alerta de tsunami.

De acordo com o Observatório Sismológico dos EUA, não foram registradas réplicas do tremor. A região não é habitada. As localidades mais próximas são Fernando de Noronha (a 730 km do epicentro do tremor) e as cidades do litoral nordestino, como Rio Grande do Norte (1.099 km do epicentro do tremor). Devido a distância, as ondas podem provocar alterações no mar.

‘Não leio jornal para não começar o dia envenenado’, afirma Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que não lê jornais para não começar o dia envenenado e disse que não trabalha pensando na reeleição em 2022, mas ressaltou que, se não for reconduzido ao cargo, espera ser substituído por “alguém melhor”.

As declarações foram dadas na manhã deste domingo (4) a uma plateia formada por cerca de 2.000 fiéis da igreja evangélica Fonte da Vida.

No culto, Bolsonaro afirmou que sabia que seu governo seria alvo de jornalistas. “Eu muitas vezes não leio jornal nenhum para não começar o dia envenenado. Não trabalho pensando em 2022”, disse.

Folhapress

Estados tiram R$ 7 bi de novos regimes de Previdência para pagar aposentados; situação do RN é vexatória

Pelo menos 12 estados que adotaram o sistema de capitalização da Previdência para parte dos seus servidores extinguiram o modelo ou sacaram recursos para pagar benefícios.

Cruzamento de dados da Secretaria de Previdência do Ministério da Economia e de institutos de previdência estaduais mostram desvio de recursos superior a R$ 7 bilhões.

Desses estados, 10 estão atualmente em situação de irregularidade em relação ao equilíbrio financeiro e atuarial no sistema da secretaria. Outros dois estão sob análise.

O sistema conhecido como “segregação de massa” foi uma tentativa de governadores para tentar equilibrar seus regimes próprios de Previdência.

Os regimes públicos de Previdência são de repartição simples, pelo qual trabalhadores da ativa pagam benefícios dos que já se aposentaram.

Leis aprovadas nas Assembleias definiam que novos servidores, a partir de uma data de corte, passariam a contribuir para um fundo de previdência, junto com o governo estadual, que capitalizaria tais recursos para bancar a aposentadoria total desses mesmos segurados.

Servidores antigos ficaram no regime de repartição simples, que continuaria deficitário até pagar o último beneficiário. No futuro, restaria somente o fundo capitalizado.

Apenas quatro estados (São Paulo, Acre, Mato Grosso e Pernambuco) não fizeram a segregação para a capitalização, o que mostra a aposta feita desde meados da década de 1990 neste modelo.

O agravamento da crise fiscal nos estados a partir de 2013, no entanto, levou muitos governadores a rever decisão de seus antecessores e a sacar esses recursos.

Além disso, a implantação da previdência complementar no governo federal, para pagar aposentadorias acima do teto do INSS, colocou esse novo modelo como solução para tentar equilibrar as despesas com inativos.

“Alguns estados que implementaram a segregação de massas, não sendo capazes de suportar os sucessivos déficits do fundo em regime de repartição simples, extinguiram o fundo novo [de capitalização] para, no processo de unificação, utilizar dos seus recursos capitalizados para o pagamento das despesas previdenciárias”, disse o Tesouro Nacional ao analisar a questão no seu boletim sobre os entes subnacionais.

Minas Gerais, por exemplo, criou um fundo em 2002 que chegou a ter R$ 3,3 bilhões. Uma lei de 2013 extinguiu a segregação e os recursos foram utilizados para bancar despesas com os demais inativos.

A extinção dos fundos em Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Sergipe resultou na transferência de cerca de R$ 2 bilhões para pagar outros aposentados.

O Paraná reuniu R$ 8,7 bilhões de 1998 a 2015. Em 2012 e 2015 foram feitas alterações nas regras que reduziram o número de contribuintes e obrigaram o fundo previdenciário a assumir servidores do outro regime próximos à aposentadoria.

Relatório de 2018 mostra que o fundo já encolheu R$ 1,6 bilhão e pode ficar deficitário na próxima década.

Houve também extinção de fundos no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. Este último foi recriado posteriormente.

Um relatório da Secretaria de Previdência de 2017 lista ainda saques não autorizados na Bahia, Piauí e Paraíba, com impacto total de quase R$ 300 milhões.

Desde 2008, a legislação já determinava que alterações nas regras de segregação deveriam ser submetidas previamente à secretaria. Em 2017, o órgão entregou à CPI da Previdência relatório sobre “tentativas de retiradas de recursos dos fundos previdenciários capitalizados dos RPPS”.

Os estados que infringiram as regras foram notificados e ficaram sem o CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária), o que os impede de receber transferências da União.

Os certificados, no entanto, voltaram a ser emitidos por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), o que desobrigou os estados de regularizarem a situação.

Nova tentativa de resolver a questão foi incluída nas propostas de reforma da Previdência dos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

A reforma de Temer naufragou. Na de Bolsonaro, estados foram retirados do texto.

O atual governo também pretendia criar um sistema de capitalização com contas individuais para trabalhadores do setor público e privado. No sistema de segregação adotado nos estados, as contribuições não são individualizadas.

proposta foi criticada, entre outros motivos, pelo custo de sustentar os segurados do regime de repartição, problema que fez o modelo ser abandonado.

O presidente do Ipern (Instituto de Previdência do Rio Grande do Norte), Nereu Batista Linhares, foi um dos responsáveis pela segregação em 2005, revertida em 2014. As contribuições do governo do estado e de 12 mil servidores chegaram a R$ 1 bilhão.

Em dezembro daquele ano, em um contexto de transição no governo estadual, a assembleia local aprovou a extinção do fundo, o que permitiu o pagamento de duas folhas em atraso, além de manter as despesas em dia por mais de um ano. Hoje, o déficit mensal é de R$ 130 milhões.

Ele afirma que esse deveria ser um projeto de longo prazo, mas o sistema acabou sem que o fundo tivesse pago nem a primeira aposentadoria.

“A segregação era perfeita. Tivemos alguns superávits muito bons. Mas não criaram mecanismo de controle. Mataram a galinha dos ovos de ouro”, afirma Linhares.

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Família Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares

Desde 1991, quando Jair Bolsonaro assumiu seu primeiro mandato como deputado e deu início à trajetória da família na política, o presidente e seus três filhos empregaram mais de uma centena de funcionários com parentesco ou relação familiar entre si, vários deles com indícios de que não trabalharam de fato nos cargos.

Mapeamento feito pelo GLOBO durante três meses em diários oficiais e com uso da Lei de Acesso à Informação sobre todos os assessores parlamentares da família Bolsonaro identificou 286 pessoas nomeadas nos gabinetes desde 1991. Dessas, após um cruzamento de informações de bancos de dados públicos e redes sociais, a reportagem identificou que ao menos 102 têm algum parentesco ou relação familiar entre si, fazendo parte de 32 famílias diferentes. O número representa 35% do total dos funcionários indicados no período. Confira o infográfico interativo com todos os dados.

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Banqueira do mensalão vence ação bilionária nas Ilhas Cayman

A empresária Kátia Rabello, que controlava o Banco Rural, envolvido no escândalo do mensalão, ganhou uma ação na Justiça das Ilhas Cayman na qual poderá receber uma indenização de até US$ 400 milhões, o equivalente a R$ 1,5 bilhão.

O maior escritório de advocacia de Cayman, um paraíso fiscal no Caribe, foi condenado sumariamente por ter violado a relação de confidencialidade entre cliente e advogado. O Walkers revelou que Kátia era a beneficiária final de uma empresa offshore envolvida em irregularidades no Brasil.

Paraísos fiscais são países que, além dos impostos baixos, adotam legislação que dificultam saber quem é o verdadeiro dono do negócio.

A Justiça de Cayman decide primeiro o mérito de uma ação para depois calcular o valor da indenização, o que deve ocorrer nos próximos meses. O pedido de Rabello é de US$ 400 milhões, segundo dois advogados de Cayman ouvidos pela reportagem da Folha. Continue lendo Banqueira do mensalão vence ação bilionária nas Ilhas Cayman