Preço da carne atinge maior nível dos últimos 30 anos — até quando?

São Paulo — Quem faz compra nos supermercados e açougues sabe: a carne está mais cara do que nunca. E tudo conspira para que os preços fiquem nas alturas, pelo menos pelos próximos meses.

Do início de setembro para cá, o valor da carne bovina no atacado já subiu quase 50%. O pico é tão forte que, no gráfico (veja abaixo), é representado por uma linha quase reta para cima. Esse aumento foi repassado quase que integralmente para o varejo em alguns cortes de bovino.

Esse movimento é motivado por motivos internos e externos. O principal deles é a China.

O maior consumidor de carne bovina do mundo teve sua criação de porcos dizimada pela peste africana em meados de agosto do ano passado. Cerca de 40% dos animais precisaram ser abatidos para não espalhar a doença. E como o vírus não apresenta perigo para o consumo humano, esse estoque ainda durou por um tempo, mas o efeito da escassez eventualmente chegou ao preço.

É o caso do contrafilé que, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), teve reajustes acima de 50% em menos de três meses, e do coxão mole, que subiu 46% no período.

Segundo pesquisa da BoiSCOT Consultoria, o mercado está agitado com cotações subindo em média 8,9% por semana desde início de novembro.

O levantamento indica que o atual preço da arroba bateu recordes e chega a ser negociado por R$ 230, com aumentos registrados em 29 das 32 praças do Estado de São Paulo pesquisadas pela entidade.

“É a primeira vez, desde novembro de 1991, que a cotação atinge esse patamar (considerando o preço nominal e também o preço deflacionado)”, disse a BoiSCOT quado o preço bateu R$ 200.

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