“Palavras importam”: estudo revela como Bolsonaro prejudicou isolamento

Após episódios de fortes críticas do presidente contra a quarentena, levantamento identificou queda imediata no isolamento em cidades pró-Bolsonaro
Bolsonaro e o calado senador Styvenson que até agora não atuou positivamente no combate ao coronavírus

As falas do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírusinfluenciaram diretamente a taxa de isolamento em municípios onde ele recebeu mais votos nas eleições de 2018. Essa é a conclusão de um estudo em desenvolvimento liderado por três economistas da Faculdade Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Para o levantamento, os pesquisadores usaram dados de geolocalização anônimos de 60 milhões de aparelhos celulares e cruzaram com informações do resultado do pleito presidencial, disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

As informações de geolocalização, disponibilizadas pela empresa InLoco, consideram furar o isolamento a pessoa que se afasta da sua residência primária por uma distância acima de 450 metros.

A metodologia revelou que os níveis de adesão à quarentena caíram, em média, até três pontos percentuais em municípios que concentram mais apoiadores de Bolsonaro em dois eventos específicos, que tiveram grande repercussão nacional e internacional, nos dias 15 e 24 de março. Em ambas as situações, o presidente minimizou os impactos da covid-19.

O primeiro foi quando ele participou de manifestações em Brasília em ato pró-governo e contra o Congresso Nacional. Na ocasião, ele tocou em manifestantes, pegou celulares para fazer selfies e abraçou apoiadores. Naquele mesmo dia, o secretário de comunicação de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, havia testado positivo para a covid-19. A atitude do presidente foi destaque em todos os veículos de comunicação naquele dia e tomou conta das redes sociais.

Dez dias depois, Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia nacional onde criticou a quarentena impostas por governadores, além de ter dito que “nada justificava o fechamento de escolas”, já que o grupo de risco da doença são os idosos. Em seguida, ele adotou a postura de que o país precisava voltar à “normalidade” o quanto antes.

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