Coronavírus transformou para sempre a forma de usar o cartão de crédito

Por Matheus Mans

Com o isolamento social, finalmente os pagamentos por aproximação entraram no cotidiano das pessoas. Entre março e abril, esse tipo de transação cresceu quatro vezes em todo o território nacional, se aproximando de operações mais tradicionais, como cartão com chip e dinheiro. O hábito deve ir além da quarentena do novo coronavírus.

Segundo pesquisa da MasterCard, 69% dos brasileiros entrevistados revelaram que a pandemia de covid-19 os incentivou a usar pagamentos por aproximação. E mais: 75% dessas pessoas, que mudaram seus hábitos na crise de saúde, disseram que vão continuar a usar o pagamento por aproximação depois.
O estudo da empresa de pagamentos foi realizado com 17 mil pessoas em 19 países.

“Hoje, as pessoas estão buscando meios de ter o mínimo de contato possível. É o delivery, é o e-commerce e é, também, o pagamento por aproximação. Encostou, pagou”, afirma o professor de economia, Adélio de Ramos. “No entanto, essas pessoas também perceberam uma facilidade. É algo que simplifica o dia a dia. Vai ser difícil largar esse tipo de operação”.

Preparação de terreno

Antes da pandemia, o pagamento por aproximação já estava num crescimento — segundo a própria MasterCard, esse tipo de transação era realidade em 50% das operações realizadas globalmente.

“Havia algumas etapas a serem cumpridas pela indústria para garantir a transição”, explica João Pedro Paro Neto, Presidente Mastercard Brasil e Cone Sul. “A primeira era trabalhar com os bancos emissores dos cartões para introduzir tal tecnologia no Brasil. [Depois], o desafio era de ampliar o nível de aceitação nos estabelecimentos comerciais do País”.

João Pedro Paro Neto, Presidente Mastercard Brasil e Cone Sul (Foto: Divulgação)
João Pedro Paro Neto, Presidente Mastercard Brasil e Cone Sul (Foto: Divulgação)

Hoje, cerca de 90% das máquinas de cartão estão aptas a realizar esse pagamento, enquanto 10 milhões de cartões estão aptos a serem usados com aproximação. Com isso, essa mistura de mudança brusca de comportamento com tecnologia implementada devem ser a deixa para que o processo se cristalize em todos tipos de transações em todo o País.

Na Visa, a comparação entre o mês de março de 2019 com março de 2020 surpreende, com aumento de cinco vezes na quantidade de pagamentos por aproximação. Para Percival Jatobá, vice-presidente de soluções e inovações da Visa do Brasil, a tendência vem desde o ano passado, com pagamento aceito em transporte público, e deve se concretizar agora.

“Inovações como o pagamento por aproximação vem definindo a forma como os brasileiros realizam suas compras, pela conveniência de ser mais prático e rápido, e pela segurança do usuário não passar o cartão de mão em mão para que a compra seja concluída”, diz. “Essas novidades agradam ao consumidor, porque ajudam em seu dia a dia”.

Percival Jatobá, vice-presidente de soluções e inovações da Visa do Brasil (Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação)
Percival Jatobá, vice-presidente de soluções e inovações da Visa do Brasil (Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação)

Próximos passos

Ainda que o momento seja de expansão e crescimento para o pagamento por aproximação, executivos e especialistas da área alertam para alguns desafios e barreiras que ainda precisam ser quebradas. O mais imediato, e citado por quase todos os entrevistados, é o aumento do valor para transações sem senha. Hoje, o limite instituído é R$ 50.

“Para ampliar ainda a penetração dos pagamentos por aproximação, a Mastercard tem liderado esforços para ampliar o limite sem a necessidade de senhas”, diz Paro Neto, da MasterCard. “[Isso] expandirá mais a sua adesão e, consequentemente, os benefícios da tecnologia, além de contribuir com a transformação digital do varejo nesses mercados”.

No entanto, vale alertar: é algo que precisa ser feito com cuidado, já que o pagamento por aproximação sem senha foi alvo de fraudes frequentes durante o Carnaval de rua de 2020.

Além disso, executivos chamam a atenção para algo importante: as necessidades do consumidor pós-pandemia. “Falam muito que teremos um novo normal. Mas o certo é que teremos ‘normais’”, afirma Augusto Lins, presidente da Stone, fintech de processamento de crédito. “A aproximação está crescendo, mas precisamos entender como, onde e quando”.

Jatobá, da Visa, acredita na diversificação de operações. “Nosso trabalho é oferecer diferentes formas de pagar para que os consumidores escolham qual delas melhor se adequa ao seu cotidiano. E muitas vezes a resposta poderá ser mais de um meio de pagamento. Pode ser que hoje eu esteja na praia, e queira pagar com minha pulseira, e no shopping, eu use meu cartão. Cada um vai escolher a melhor forma que lhe convir”.

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