Pfizer tem um plano de marketing, não sanitário, diz ex-diretor da Anvisa

A vacina da Pfizer contra a Covid-19 foi a primeira aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso emergencial. Apesar da notícia, Gonzalo Vecina, sanitarista e ex-diretor da Anvisa, disse nesta sexta-feira (1º), em entrevista à CNN, que a aprovação surtirá pouco efeito prático no Brasil, uma vez que quase toda a produção do laboratório já está comprometida por pedidos dos Estados Unidos e da União Europeia.

“O reconhecimento da OMS é importante, pois amplia a possibilidade de utilização da vacina, mas isso depende da produção. A Pfizer está no limite de sua capacidade de produção” disse Vecina à CNN.

“A Pfizer diz ter capacidade de produção de 1,3 milhão de doses nas suas cinco fábricas. Mas essa produção está basicamente toda comprometida pelos pedidos dos Estados Unidos e da União Europeia; então seus planos atuais são de marketing, não sanitários” disse Vecina.

O sanitarista afirmou que, por conta dos grandes pedidos de Estados Unidos e União Europeia, o Brasil dificilmente receberá no primeiro semestre de 2021 grande parte das 70 milhões de doses que está negociando com o laboratório.

“Eles não têm como oferecer mais doses em oito ou nove meses, mesmo para o Brasil, que deve receber no primeiro semestre não mais de 5 ou 6 milhões de doses. Nós continuamos dependendo das vacinas negociadas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz.”

CNN BRASIL

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