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252 alunos/soldados da Polícia Militar do RN são investigados por recebimento ladroeiro e indevido do auxílio de R$ 600

APolícia Militar do Rio Grande do Norte confirmou que está investigando o recebimento indevido, por parte de 252 alunos/soldados da corporação, do auxílio emergencial de R$ 600 pagos pelo governo federal como forma de amenizar os efeitos da pandemia. Caso se confirme a irregularidade, cada um terá que devolver o valor recebido.

Em contato com o Agora RN, a assessoria de comunicação da PM disse que todos os identificados são alunos/soldados, ou seja, são policiais que ainda estão no curso de formação. Imagine se comprovado os crimes se esses moleques podem ser policiais. “Resta saber se o cadastro foi deliberado, se cada um fez por conta e risco, ou se o foram vítimas de alguma fraude”, ponderou o tenente-coronel Eduardo Franco. Para saber se foram vítimas de fralde, é fácil saber quem sacou o dinheiro..

Caso fique provada a má-fé, o policial responderá administrativamente. A punição vai de detenção à exclusão.

A PM orienta aos alunos que devolvam o dinheiro. Para isso, basta acessar o portal do Ministério da Cidadania (https://devolucaoauxilioemergencial.cidadania.gov.br/devolucao).

Foi estabelecido que até esta quarta-feira (3) todos os alunos soldados da PMRN estejam cientes da irregularidade e restituam o valor além de cancelar futuros recebimentos.

Os alunos/soldados recebem salário no valor de R$ R$ 1.045,00.

AGORA RN

Situação está ficando mais perigosa, diante da ameaça Comitê Científico do Nordeste recomenda pela segunda vez lockdown em Natal e Mossoró


A Comissão Científica do Consórcio do Nordeste para o combate à Covid-19 recomendou que seja realizado um lockdown em Natal e Mossoró, no Oeste potiguar. A recomendação foi entregue na segunda-feira (1º), segundo o neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador da comissão.

A medida já havia sido sugerida pela Comissão no mês passado e foi novamente orientada agora. O “lockdown” é a maior restrição possível na atuação contra a doença. Esse tipo de recurso já foi adotado em regiões da Itália, Espanha e China, entre outros países, além do estado do Maranhão e cidades do Pará e Ceará. Trata-se de um bloqueio total da operação quaisquer atividades, com exceção das essenciais.

Nicolelis explica que a Comissão Científica se baseou, para fazer a recomendação, na taxa de ocupação dos leitos, que é superior a 80%, na crescente curva de infectados e mortes provocadas pelo novo coronavírus, e nos baixos índices de cumprimento do isolamento social por parte da população.

A orientação da comissão foi entregue às prefeituras de cada cidade e ao Governo do Estado. Apesar de, neste momento, a recomendação se restringir a Natal e Mossoró, Nicolelis adiantou que, nas últimas 24h, a situação também se agravou em Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba, todas na Região Metropolitana.

Para Miguel Nicolelis, o Governo Federal não se aproximou de Estados e Municípios para dar condições financeiras para que as pessoas fiquem em casa. A situação se agravou e o momento é, para o neurocientista, de enrijecer as regras de distanciamento social.

Nicolelis disse também que os cientistas da comissão do Consórcio do Nordeste não conseguem enxergar ainda o pico da pandemia no Rio Grande do Norte. “Claramente os dados apontam, em qualquer matriz de risco do mundo, para o momento de lockdown”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de flexibilização das normas de isolamento e possível reabertura do comércio na capital e em Mossoró, Miguel Nicolelis reforçou que o cenário não aponta para esse tipo de medida. “Não é momento para abrir o comércio de forma alguma, seria contraproducente”.

G1RN

Primando por Parnamirim: revolta contra imprudência e intolerância do prefeito Rosano Taveira


A situação do prefeito Rosano Taveira é completamente desesperadora.
Depois de irresponsavelmente abrir o comércio sem levar em consideração a saúde da população promovendo uma super  demanda nas  UPAS ao ponto de pessoas ficarem na calçada esperando socorro, o vereador evangélico Pastor Alex acabou de anunciar o rompimento com o prefeito Rosano Taveira que está sendo chamado do “Micarla de Parnamirim” .
Já existe um movimento político e popular para afastar o prefeito do exercício do cargo.
A revolta está dentro da base do prefiro na Câmara Municipal.
O pior é o fato do discípulo de Micarla, condenado a 30 anos de cadeia, o ex-deputado Gilson Moura ainda querer interferir na política de Parnamirim a favor do prefeito Taveira.

Sem ministro da Saúde, com um Presidente insensível e brutamonte o Brasil tem 31.199 mortes e 555.383 casos confirmados

Foram registradas 1.262 novas mortes nas últimas 24 horas, o maior já contabilizado no país desde o início da pandemia no país. A marca anterior era 1.188 vítimas, no dia 21 de maio. Também foram acrescidos outros 28.936 casos no mesmo período, o segundo maior número – atrás somente dos 33.724 casos em 30 de maio.

Até segunda-feira (1), o Brasil contabilizava 29.937 mortes e 526.447 casos de pessoas infectadas.
De acordo com a Universidade Johns Hopkins (EUA), o Brasil continua sendo o segundo país com mais casos da doença. Em números absolutos, fica atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 1,6 milhão de casos. Em número de mortes, o Brasil é o quarto país mais afetado, atrás somente dos EUA (106 mil), Reino Unido (39 mil) e Itália (33 mil).

O ministério – agora sob o comando interino do general Eduardo Pazuello -, porém, tem informado que o número real de casos tende a ser maior, já que são testados apenas os casos graves, de pacientes internados em hospitais, e há casos represados à espera de confirmação.

O Brasil confirmou o primeiro caso de Covid-19 em 26 de fevereiro. Um homem de 61 anos de São Paulo contraiu o coronavírus em viagem à Itália, que tem alta taxa de casos da doença.

Se no Brasil tiver alguém com coragem, essas pessoas devem tirar esse Bolsonaro da Presidência da República

Somente num governo deste presidente um suspeito de fabricante, como o Rogério Marinho de funcionários fantasmas,  pode ser ministro. O processo dos Fantasmas da Câmara Municipal de Natal está amordaçado.

A declaração inusitada ocorreu nesta terça-feira (02) quando uma apoiadora pediu ao presidente que enviasse uma mensagem de conforto para as “inúmeras famílias enlutadas” em razão da pandemia de Covid-19 no Brasil.

“A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”, disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada, segundo o jornal Correio Braziliense.

De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (01), o Brasil registra 29.937 mortos, além de 526.447 casos confirmados.

Mesmo com a ascensão da pandemia no país, o presidente voltou a defender a cloroquina para combater o novo coronavírus. A substância não tem eficácia cientificamente comprovada.

“Pessoal que reclama contra a cloroquina não tem alternativa. Eu sou contra isso, mas aponte… Nós sabemos que pode não ser realmente isso tudo que alguns pensam. Mas é o que aparece no momento. Tem relatos de pessoas, tem muitos médicos favoráveis e tem uma briga farmacêutica muito grande também”, avaliou Bolsonaro.

A ampliação do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 foi o estopim do conflito entre Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que se demitiu no dia 15 de maio. Desde então, o general Eduardo Pazuello ocupa interinamente a pasta.

“E daí?”

Algumas falas do presidente ao comentar as vítimas da pandemia já causaram muita repercussão negativa por todo o país.

Ao final de março, primeiro mês da pandemia no país, Bolsonaro afirmou: “Alguns vão morrer, lamento, essa é a vida”.

Um mês depois, no final de abril, o presidente revoltou parte do país ao ser questionado sobre o fato do Brasil ultrapassar a China no número de mortes pela Covid-19.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse, em referência ao próprio sobrenome.

Carlos Mariz, uma pessoa maravilhosa e autêntica precisa de doação de sengue

Carlos Roberto Mariz Duarte, chamado carinhosamente pelos seus inúmeros amigos por Carlos Piru , internado pela Covid 19 na UTI, precisa de plasma de pessoas que já tiveram a covid há 30dias, com o IGG positivo, e que possuem sangue A+.
As doações podem ser feitas no Hemovida, localizado a avenida Nilo Peçanha, 199, petropolis.
Quem preferir pode agendar diretamente com a Drª Angela Celi pelo telefone 98818.7997.
A família e os amigos agradecem a doação para Carlos Roberto Mariz Duarte.

Grupo de hackers expõe dados pessoais de Bolsonaro, filhos e aliados


Um grupo de hackers autodenominado Anonymous Brasil publicou, na noite desta segunda-feira (01), dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O vazamento ocorreu no twitter e, momentos depois, as informações foram retiradas do ar.
Lá Em links que direcionavam para páginas com as informações, o grupo expôs os CPFs de Bolsonaro e seus filhos, além de telefones, endereços e dados sobre imóveis da família do presidente. Abraham Weintraub, ministro da Educação, e Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também foram atingidos de forma semelhante pelo grupo.
“Apagamos os documentos com as informações pessoais do Carlos Bolsonaro e do Jair, todos conseguiram salvar? O twitter é automático, esse tira do ar esse tipo de arquivo, por isso retiramos. Vocês podem compartilhar o link pela DM. Quem tiver comenta, quer quiser também”, escreveu o perfil do grupo de hackers.

Além da família Bolsonaro e dos ministros citados, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) também teve seus dados expostos. O próprio parlamentar confirmou a veracidade dos dados compartilhados pelo Anonymous Brasil e afirmou que fará um boletim de ocorrência.

Horas antes de ser alvo do grupo, o deputado estava pedindo fotos e informações de manifestantes que se autodenominassem “antifascistas”. O pedido do parlamentar gerou uma reação negativa nas redes sociais.

Imagens mostram agressões relatadas por médica no Grajaú

Imagens que circulam em redes sociais mostram as agressões relatadas pela médica Ticyana D’Azambuja, de 35 anos, sofridas na tarde do último sábado no bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio. Fotos mostram o momento em que a profissional de saúde – que vestia calça jeans e blusa preta – era carregada por um homem. Ticyana afirma que foi agredida ao ir até o imóvel para pedir o fim de uma festa que ocorria no local.

De acordo com a médica, uma das imagens mostra o momento em que uma mulher de calça vermelha e top preto puxa os seus cabelos enquanto ela é carregada pelo rapaz. Ainda segundo Ticyana, na mesma foto, um homem de bermuda jeans e blusa amarela foi flagrado enquanto socava seu rosto.

Nessa segunda-feira, Ticyana esteve na 20ª DP (Vila Isabel) para registrar o caso e prestar depoimento. Em seguida, foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, onde passou por exame de corpo de delito. A médica relata que teve o joelho esquerdo quebrado e as mãos pisoteadas.

Em entrevista ao GLOBO, a profissional de saúde relatou que já havia feito diversas denúncias à Polícia Militar sobre as festas que ocorriam na casa, localizada na Rua Marechal Jofre, sem que seus chamados tivessem sido atendidos. No sábado, resolveu descer à rua e, num ato, que classifica como “impensado”, quebrou o espelho retrovisor e trincou o para-brisa de um carro estacionado na calçada e isso teria sido o estopim para as agressões. Antes, porém, havia pedido para que acabassem com a festa, que estava lotada, sem ter sido atendida. A Polícia Civil já identificou que o dono do veiculo é um policial militar.

Em uma postagem feita em uma rede social, Ticyana afirma que o PM, que estava na festa, lhe pediu R$ 6,8 mil reais para consertar o carro e para que “tudo ficasse por aquilo mesmo”.

“Foi errado. Foi impensado. Foi estúpido. Mas sou humana e fiz uma besteira contra um bem material de outra pessoa. Não foi um ato contra nenhum outro ser humano, isso eu sou incapaz de fazer. 5 marmanjos (me lembro de uns 5) saíram, e obviamente, bêbados e drogados, típicos ‘cidadãos de bem’, não estavam para conversa. Apavorada, vi o potencial da besteira que fiz e saí correndo. Me agarraram em frente ao Hospital Italiano. Me enforcaram até desmaiar. Me jogaram no chão e me chutaram. Quando retornei à consciência, gritava por Socorro! Isso aconteceu no dia 30 de Maio por volta de 17h, em plena luz do dia”, relatou a médica numa postagem em rede social.

Ticyana acrescentou que desceu para tentar que a festa terminasse porque havia trabalhado em um plantão no dia anterior e assumiria outro na mesma noite, por isso precisava descansar. Ela vem atuando na linha de frente no combate ao novo coronavírus.

Falta de apoio

Ticyana lamentou a falta de apoio das pessoas que presenciaram a agressão. Só três pessoas a apoiaram. Um deles, um vizinho saiu em sua defesa e levou um soco na boca. Um dos agressores teria mandado trazer um carro e ameaçado dar um “sumiço” na vítima que, nesse momento, chegou a ter certeza que fosse morrer. Ela disse que foi arrastada até a altura de uma unidade do Corpo de Bombeiros, aos quais implorou ajuda e que garantissem sua integridade física até a chegada da polícia, mas eles não teria sido atendida. Uma viatura da PM apareceu em seguida e depois mais duas.

“Estou muito chorosa, triste, e sem fé na Humanidade. A impunidade vai reinar mais uma vez nesse caso. Mas o que mais me doeu, foi ter clamado por ajuda, e dezenas, talvez uma centena de pessoas viram o que aconteceu e 3, somente 3 se dignificaram a socorrer uma pessoa em perigo. Sempre fui atuante na comunidade do Grajaú, e quando precisei de socorro, fui abandonada aos chutes e gritos de “Mata mesmo!”. O que me dói mais não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons. Se as festas acabarem na casa da marechal jofre, lembrem-se que custou meu trabalho de médica e meu joelho”, escreveu na rede social.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que foi acionada por volta das 17h de sábado, após informações de que a médica havia danificado um carro. De acordo com a nota, em consequência desse ato a mulher foi agredida por um homem. Um outro homem, que tentou defender a mulher, também foi agredido. “Vale ressaltar que, como consta do boletim de ocorrência da PM elaborado pela equipe no local, as partes entraram em comum acordo e não foi realizado o registro na delegacia”, diz nota.

Mesmo com a confusão, a festa continuou. A PM afirma que foi acionada novamente, dessa vez por causa da realização da festa, mas não deixa claro na nota se houve alguma intervenção dos policiais que foram ao local para que o evento fosse interrompido.De acordo com informações apuradas pelo GLOBO, a festa só terminou com a chegada de agentes da Polícia Civil ao local, por volta das 22h.

O que diz a PM

A Polícia Militar informou que no último sábado, PMs do 6º BPM (Tijuca) foram acionados para apurar duas ocorrências, em horários diferentes na Rua Marechal Jofre, no Grajaú:

“Na primeira, por volta das 17h, foi apurado no local que uma mulher, bastante nervosa, danificou um veículo estacionado e, em consequência desse ato, foi agredida por um homem ainda não identificado. Um outro homem, que tentou defender a mulher, também foi agredido. Vale ressaltar que, como consta do boletim de ocorrência da PM elaborado pela equipe no local, as partes entraram em comum acordo e não foi realizado o registro na delegacia. Na segunda ocorrência, comunicada um pouco mais tarde, os policiais militares do 6ºBPM foram acionados para verificar denúncia sobre realização de festa numa casa na mesma rua. Por infringir as determinações do decreto governamental de isolamento social, o evento foi encerrado”, completa a nota, acrescentando que em relação a relatos postados em redes sociais sobre o suposto envolvimento de policial militar em ato de agressão ou qualquer outro desvio de conduta, a Corregedoria da Polícia Militar está à disposição dos cidadãos para receber e apurar denúncias. O contato pode ser feito através do telefone pelo número (21) 2725-9098 ou ainda pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br, com garantia de anonimato”.

O que diz o Corpo de Bombeiros

Em nota, o Corpo de Bombeiros do Rio diz que a corregedoria da corporação vai abrir procedimento interno para apurar o caso, “se solidariza com a vítima e reforça que não compactua com atos ilícitos ou que vão de encontro à ética, à moral e aos bons costumes”.

‘Tive medo de morrer’, diz entregador que ficou sob mira de fuzil de PM em protesto contra racismo

Há um ano e meio, Jorge Hudson Alves da Silva, de 27, tira seu sustento trabalhando como entregador de aplicativos. O que ganha é usado para ajudar a criar a filha, de 4 anos, e custear as despesas de parte do aluguel da casa onde mora, em uma comunidade do Rio. Há um mês, sua situação piorou. A bicicleta usada nas entregas, que fora emprestada por um tio, foi levada por alguém que estourou um cadeado em frente à  9ª DP (Catete). Ele passou a fazer entregas a pé, e, com menos pedidos, viu sua renda despencar de R$ 50 para R$ 20 por dia. E foi justamente após uma entrega que Jorge teve um fuzil apontado para sua cabeça por um policial militar, durante o protesto “Vidas Negras Importam”, no último domingo, em frente ao Palácio Guanabara, no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio.

A cena foi flagrada por um câmera da Globo News que participava da cobertura do protesto. Mesmo sem reagir, e colocando as mãos para o alto, o entregador foi empurrado e levado para delegacia sob acusação de resistência. Como estava com a ponta de um cigarro de maconha, responderá ainda por porte de drogas. PMs chegaram suspeitar que o rapaz pudesse ser o responsável pela quebra do vidro de uma viatura, atingido por uma pedrada, mas a hipótese foi descartada. Depois de permanecer quatro horas na delegacia, Jorge foi liberado após assinar um termo circunstanciado, já que o caso, de menor potencial ofensivo, será avaliado pelo Juizado .

Vinte e quatro horas após o tumulto, Jorge ainda foi vítima do ódio nas redes sociais. Ao postar fotos do episódio, recebeu comentários com ataques. Num deles, um internauta dizia que Jorge deveria ter morrido. Em um outro comentário, uma pessoa dizia que ele mereceu tudo o que havia acontecido. Integrante de um grupo de rap, Jorge Hudson também faz vídeos e projetos sociais na comunidade onde mora. Mesmo sendo ficha limpa, e sem jamais ter se metido em problemas com a polícia e a Justiça, o entregador disse que teve medo de morrer quando ficou sob a mira do fuzil de um PM, no domingo.

— Quando uma bomba explodiu perto de mim, minha reação foi de correr. Os PMs vieram. Em momento algum ofereci resistência. Só pedi calma e pedi para baixar a arma. Cheguei a pensar que iria morrer. Um tiro ali seria fatal. Fui levado para delegacia e só saí de lá após umas quatro horas — disse.

Acostumado a sofrer com o racismo, Jorge disse que resolveu ir ao protesto onde iria encontrar amigos que lutavam pela causa. Ele disse que pensa em processar o estado por conta de tudo o que aconteceu.

— Às vezes, por conta da aparência, a gente sofre racismo. Já entrei em um supermercado e um segurança veio atrás para olhar se eu iria roubar algo. Acho que depois disso tudo vou entrar com uma ação contra o estado — concluiu.

Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra Jorge sendo preso por policiais militares logo após um dos agentes ter apontado-lhe o fuzil. Uma mulher protesta e acusa a polícia de deter o rapaz por estar na manifestação contra o racismo em ações da corporação. Um PM retruca e diz que está detendo o rapaz por fumar maconha. Jorge acata as ordens e se senta em frente à viatura, algemado, dizendo:

— Só fica assim [algemado, no chão] da minha cor. Só morre assim quem é da minha cor. Se for branco, morador de prédio, não fica. Essa é a minha revolta. Todo mundo morrendo nessa guerra inútil — indigna-se.

Procurador da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados (OAB-RJ), Rodrigo Mondego, que acompanhou o entregador na delegacia, disse que um PM estar portando um fuzil numa manifestação é uma situação absurda.

— Em nenhum país democrático do mundo se porta fuzil num protesto. O que aconteceu foi um absurdo — disse o advogado.

Procurada, a Polícia Militar reconheceu que o PM feriu o protocolo ao apontar a arma para um homem desarmado. O policial atuava no bloqueio do trânsito e responderá administrativamente pelo ato. Abaixo, a íntegra da nota da corporação.

“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, neste domingo (31/5), policiais do 2º BPM (Botafogo) e do RECOM (Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão) acompanharam uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras. O protesto estava transcorrendo de forma pacífica, quando um homem começou a arremessar objetos nos policiais, ele ainda fez uma tentativa de invasão ao local, o criminoso foi preso. Durante a dispersão, policiais militares tiveram a necessidade de fazer o uso de instrumento de menor potencial ofensivo para conter os manifestantes mais exaltados começaram a arremessar pedras no Palácio Guanabara e nos policiais militares.

A Corporação esclarece que o policial das imagens responderá administrativamente por ter ferido o protocolo interno ao apontar seu fuzil para um homem desarmado. O policial atuava no bloqueio do trânsito e na segurança da tropa.”

Investigação da Fake News chegou à antessala dos Bolsonaros

O inquérito do Supremo sobre a difusão de informações falsas chegou à antessala da Presidência da República. Na investigação constam três integrantes da Assessoria Especial da Presidência: Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. O trio opera com um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, vereador carioca.

Tomaz e Gomes foram pagos pela Câmara do Rio na campanha de 2018. No Planalto, suas agendas oscilam entre o lacônico “Despacho interno” e o sucinto “Sem compromisso”. Diniz ganhou um cargo de 27 palavras: “Assessor no Departamento de Relações com a Imprensa Internacional da Secretaria de Imprensa da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República”.

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo