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Polícia investiga atentado contra deputado federal do PSL


Rafael Moraes Moura
O deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) e o seu motorista sofreram um atentado neste domingo, 16, enquanto se deslocavam a Sidrolândia, município localizado a 72 km de Campo Grande. O carro em que os dois estavam foi alvejado por ao menos cinco tiros. A Polícia Federal investiga o episódio.
A Polícia Federal comunicou, em nota, que já tomou “todas as medidas iniciais em relação ao caso e instaurou inquérito policial para efetivar as investigações”. “O parlamentar e seu motorista não foram atingidos pelos disparos e prestaram declarações buscando colaborar com o procedimento investigativo”, informou a PF.

Perfil

Em nota, a assessoria do deputado diz que Trutis “conseguiu revidar o ataque” e que “apesar da emboscada, todos estão bem e sem ferimentos”. O perfil pessoal de Trutis postou no Facebook a imagem do veículo atingido pelos disparos, com o vidro de uma das laterais parcialmente destruído, e anunciou que o deputado cancelaria a agenda programada para hoje.

Trutis se define no Facebook como “conservador, pró-armas, anticomunista e carnívoro”. “Conhecido nacionalmente por seu empreendedorismo e opiniões firmes sobre pautas de direita como: antiaborto, antidemarcações de terras como indígenas e penas mais duras para crimes como o estupro e o roubo seguido de morte. Defensor ferrenho do direito do cidadão ter porte de arma e cortes de privilégios para políticos”, afirma o seu perfil na rede social.

‘É bom vê-lo caminhando pela rua’, diz Papa a Lula

O papa Francisco disse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está “contente” em poder vê-lo “caminhando pela rua”.
A declaração está em um vídeo divulgado pelo Instituto Lula neste sábado (15), dois dias depois da reunião entre o líder católico e o ex-mandatário no Vaticano.
“Agradeço seu gesto de vir. Agradeço muito. E estou contente em poder vê-lo caminhando pela rua”, disse Francisco a Lula. O encontro foi intermediado pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, que esteve no Vaticano no fim de janeiro, e não constava da agenda oficial do Papa.
A reunião teve caráter privado e ocorreu na Casa Santa Marta, residência oficial do Pontífice. Segundo Lula, a conversa girou em torno da desigualdade social e da proteção do meio ambiente. “Há muito tempo eu tinha vontade de discutir com o Papa a questão da desigualdade e de tentar mostrar as experiências bem-sucedidas das políticas de combate à desigualdade e à fome no Brasil”, afirmou o ex-presidente no encontro com Francisco.

Revista IstoÉ: Marcado para morrer

O ex-policial do BOPE e miliciano Adriano da Nóbrega, morto na Bahia, era acusado de participar do esquema da “rachadinha” do gabinete de Flávio Bolsonaro, tinha longa relação com a famíla do presidente da República e era suspeito de envolvimento com a morte de Marielle
Marcado para morrer

Vicente Vilardaga e Mariana Ferrar

Tudo indica que o ex-policial e miliciano Adriano da Nóbrega, conhecido como capitão Adriano, era um homem marcado para morrer. Fugitivo da polícia há mais de um ano, ele foi cercado e baleado na madrugada de domingo 9, em um sítio na zona rural da cidade de Esplanada, a 170 quilômetros de Salvador, onde estava escondido. A operação policial que o vitimou envolveu 75 homens das forças de segurança do Rio de Janeiro e da Bahia e não deu a mínima chance de sobrevivência ao procurado. Ele levou dois tiros, no pescoço e no tórax, e deixou mais perguntas do que respostas para a Justiça.

Chefe do chamado Escritório do Crime, milícia de Rio das Pedras, na zona Oeste do Rio de Janeiro, era suspeito de cometer ou ser o mandante de vários homicídios, estava envolvido com o esquema da “rachadinha”, investigado no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, e integrava a lista de suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Tinha uma folha corrida extensa, marcada por crimes variados e violentos. A versão oficial de sua morte dá conta de que houve um tiroteio em que Nóbrega atirou primeiro – dois disparos de sua pistola Glock calibre 9mm atingiram o escudo usado por um dos guardas, e a policia reagiu. Mas o fato de haver tantos homens atuando em uma verdadeira operação de guerra para prender um único perseguido indica que as forças de segurança não atacaram o esconderijo apenas para dar voz de prisão. A morte de Adriano fica, por enquanto, como uma história mal contada em que vale considerar a possibilidade de execução.

FUGITIVO Adriano estava há um ano foragido, depois da Operação Intocáveis comprovar extorsão, corrupção e propina de milicianos em Rio de Pedras, bairro da zona oeste carioca (Crédito:Divulgação)

Há motivos para se acreditar nisso. Uma semana antes da ação em Esplanada, houve outra operação policial de busca e captura de Nóbrega em uma mansão na Costa do Sauípe, onde ele ficou escondido por cinco dias. Quando a polícia chegou, ele conseguiu fugir nadando em um lago atrás da casa. Dias depois, já em um novo refúgio em Esplanada, Nóbrega conversou com seu advogado, Paulo Emílio Catta Preta, e explicitou a preocupação em ser morto. “Na ligação, ele falou que se fosse encontrado seria morto”, contou Catta Preta à ISTOÉ. O advogado tentou acalmar o cliente, que estava bastante nervoso com o fechamento do cerco policial, e disse que a melhor solução seria Nóbrega se entregar. Foi, então, que a expressão “queima de arquivo” apareceu entre os dois. Nóbrega era um homem que sabia demais. “Ele disse que essa Operação da Costa do Sauípe não teria sido feita para prendê-lo e sim para matá-lo”, confirmou o advogado. As autoridades, porém, insistem que a morte ocorreu porque houve resistência à prisão e troca de tiros. Se, de fato, reagiu, foi praticamente uma decisão suicida. Dadas as condições do enfrentamento, a morte do miliciano mostra excesso da polícia ou alguma premeditação. Na casa onde o miliciano foi morto, a polícia encontrou três armas e 13 telefones celulares. O criminoso temia ser interceptado e trocava constantemente os chips de seus aparelhos.

“Como um presidente da República não fala sobre isso? A família Bolsonaro não tem a ver com a morte do Adriano, mas certamente têm a ver com a vida inteira dele” Marcelo Freixo, deputado federal (Crédito:Orestes Locatel)

Personagem misterioso

Nóbrega é um personagem misterioso que ronda o clã Bolsonaro há pelo menos 17 anos. A relação entre o miliciano e a família presidencial nunca fui sigilosa. Ele era tratado como uma espécie de herói pelo presidente e seus filhos, embora desde sempre estivesse envolvido com atividades ilícitas e violentas. Em 2003, um ano depois de iniciar seu mandato de deputado, Flávio Bolsonaro homenageou e condecorou o miliciano com uma moção de louvor por seus serviços prestados à sociedade. Declarou que o policial desenvolvia a função “com dedicação, brilhantismo e galhardia”. “No decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranqüilidade da sociedade”, declarou Flávio. Em 2005, o filho do presidente foi mais longe e concedeu a Nóbrega, por seu “êxito em prender doze criminosos e apreender armamentos e drogas na cidade”, a Medalha Tiradentes, principal honraria do poder legislativo do Rio. Adriano, que ainda era tenente do Bope, não apareceu na cerimônia, porque estava preso preventivamente acusado do assassinato do guardador de carros Leandro Silva, que havia denunciado policiais da cidade pelos crimes de extorsão e ameaça. O pai Jair Bolsonaro, na época deputado federal, também foi à tribuna da Câmara, em Brasília, defender o miliciano das acusações de que era alvo. Chamou Nóbrega de “brilhante oficial” e, posteriormente, esteve presente na audiência de julgamento do ex-PM, que acabou absolvido do homicídio de Leandro em 2006.

A relação de Nóbrega com a família Bolsonaro só avançou nos anos seguintes. Em 2007, a então mulher do miliciano, Danielle Mendonça, foi contratada para integrar a equipe de assessores de Flávio na Assembléia. A contratação se deu por intermédio de Fabrício Queiroz, amigo de Jair Bolsonaro há 40 anos, que também trabalhava no gabinete e tinha se aproximado de Nóbrega, quando ambos atuaram no 18º batalhão da PM carioca. Em 2016, a mãe do ex-capitão do Bope, Raimunda Veras Magalhães, também ganhou um lugar na equipe de Flávio. As duas foram exoneradas dos seus cargos em 2018, quando se tornaram públicas as primeiras suspeitas do esquema da “rachadinha”, em que os parlamentares empregam funcionários fantasmas e recebem parte dos salários de volta. As investigações do esquema mostraram que Danielle, por exemplo, recebia por um trabalho que nunca exerceu, devolvia parte do dinheiro para a conta de Queiroz e sacava outra parte. Raimunda também compunha o mesmo sistema. Constatou-se que R$ 200 mil foram repassados pelas mulheres para a conta do Queiroz e outros R$ 200 mil foram sacados em espécie. Ao todo, elas teriam recebido R$ 1 milhão. Em Rio Comprido, na zona norte do Rio, parte do dinheiro era lavado em restaurantes e pizzarias que tinham Raimunda como sócia. As investigações posteriores mostraram que os estabelecimentos pertenciam a Nóbrega. Ele também foi peça fundamental para ajudar Queiroz a obstruir investigações sobre o esquema. Só em 2018, Flávio, Nóbrega e Queiroz passaram a ser investigados pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por suspeita de organização criminosa. No final do ano passado, vieram à tona documentos que associavam o Capitão Adriano à “rachadinha” e se descobriu que dinheiro do esquema foi parar na sua conta bancária. Interceptações telefônicas ainda mostram que Nóbrega orientou a ex-mulher Danielle a não comparecer aos depoimentos.

Foragido da Justiça

Nóbrega se tornou foragido no começo do ano passado, depois que os milicianos do Escritório do Crime foram alvo de uma grande investigação do Ministério Público do Rio chamada de Operação Intocáveis. A operação desvendou um esquema de corrupção envolvendo arrecadação ilegal de aluguéis, extorsão, grilagem de terras e outros crimes ligados ao mercado imobiliário em Rio das Pedras e na localidade de Muzema. O destino de Nóbrega era investigado pelo setor de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Seu exato paradeiro só foi conhecido há cerca de um mês, quando foi realizada a primeira operação frustrada de prendê-lo, no dia 31 de janeiro, na mansão de Costa do Sauípe, onde estava desde que deixou o Rio. Ele estava acompanhado da atual mulher, Julia Emilia Lotufo, e das filhas dela. Do Sauípe, Nóbrega escapou para Esplanada e instalou-se, primeiro, numa fazenda pertencente ao pecuarista Leandro Guimarães. Em depoimento, Guimarães falou que Nóbrega chegou à propriedade dizendo que estava de férias e procurava um lote de terras em Esplanada para comprar. Disse também que conhecia Adriano de vaquejadas, festas famosas na região, e desconhecia o passado nebuloso do amigo. Descobriu-se, porém, que Guimarães foi testemunha de defesa em um processo em que Nóbrega era acusado de homicídio, grilagem de terras e agiotagem, em julho do ano passado.

“Quem passa uma festa junto com outra pessoa é porque tem um nível de aproximação, de proximidade que deixa duvidosa essa afirmação de que ele tinha conhecido ele recentemente e que, portanto, desconhecia o passado criminoso de Adriano”, afirma o promotor do MP da Bahia Dario José Kist, que participa da investigação do caso. Há a suspeita de que haveria uma rede de proteção estruturada para esconder o ex-capitão do Bope. Inclusive foi Guimarães quem encaminhou Nóbrega para seu último refúgio, um sítio, também em Esplanada, pertencente ao vereador do PSL na cidade, Gilsinho de Dedé. Nóbrega decidiu mudar de endereço porque temia o cerco da polícia e soube que sua localização na fazenda de Guimarães havia sido descoberta. Durante os dias em que passou na casa de Guimarães, Nóbrega pediu a companhia do amigo para visitar alguns terrenos que estavam à venda. O foragido não teria gostado de nenhum e, por isso, seguiu hospedado na fazenda do pecuarista. Na noite de sábado 8, Nóbrega recebeu uma mensagem no celular, reagiu com bastante nervosismo e teria exigido que o amigo o levasse até o sítio do vereador Gilsinho. Guimarães alegou que foi obrigado a fazer isso. O pecuarista chegou a ser preso por causa de três armas frias encontradas na sede de sua fazenda, mas ganhou liberdade provisória. O vereador, por sua vez, disse que foi pego de surpresa e não sabia que seu sítio era usado como esconderijo do miliciano. Mas as verdadeiras ligações entre Nóbrega, Guimarães e Gilsinho ainda estão sendo apuradas.

“No Brasil é muito mais fácil matar do que qualquer outra coisa. De repente vem a versão que Adriano reagiu e foi morto. Isso não tem cabimento.”, disse o sociólogo José Cláudio Alves, professor da Universidade Rural do Rio de Janeiro e especialista em milícias. Nóbrega morreu em um contexto de investigações inconclusivas e sob suspeita de uma série de crimes em uma área isolada na Bahia. Segundo Alves, ele não estava em uma favela ou em um bunker, estava em uma zona rural e em desvantagem. “O que saísse da boca dele iria ser decisivo para várias investigações em andamento. Essa operação está muito mal contada, é muito estranha”, completa Alves. Outra frente de investigação que a morte de Nóbrega abafa é a possível ligação do miliciano com o assassinato de Marielle Franco. Quem também fazia parte do Escritório do Crime, grupo liderado por ele, era o ex-policial Ronnie Lessa, principal acusado de matar a vereadora, atualmente preso. Se não eram próximos, Nóbrega e Lessa certamente se conheciam e tinham alguma relação. Há quem fale que o Capitão Adriano era uma peça chave para descobrir os mandantes do crime ocorrido em março de 2018. É uma análise defendida pela própria Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

Caso Marielle

Para o deputado federal, Marcelo Freixo (PSOL-RJ), porém, Nóbrega não teve nada a ver com a morte de Marielle e ele e Lessa podem nunca ter atuado juntos. “Ligar a morte de Adriano às investigações do assassinato de Marielle é um caminho fácil, mas perigoso”, diz o deputado. “Não há indícios, até agora, de envolvimento do Adriano com o caso. Associá-lo à morte da Marielle é um atalho, mas ele tem que ser investigado por todos os crimes que cometeu”. Para o deputado, apesar de Nóbrega e Lessa integrarem o mesmo grupo miliciano, não dá para falar que eles eram comparsas. O Escritório do Crime não funciona como uma empresa centralizada e há matadores milicianos que nunca atuaram juntos. Freixo explica que é um tanto quanto raso jogar em cima das investigações do caso de Marielle tudo o que envolve morte e milícia. O deputado teme que esse tipo de associação abra espaço, novamente, para a possibilidade de federalização do caso – uma mudança constantemente contestada por familiares da vereadora. Eles alegam que, nesse caso, as investigações poderiam ser obstruídas pelo Governo Federal. “Acho que a morte de Adriano atrapalha as investigações de inúmeros homicídios ocorridos no Rio de Janeiro, mas não especificamente o de Marielle”, disse Freixo.

O deputado acredita que o que deve ser investigada mais profundamente é a relação do miliciano com a família Bolsonaro. “Há uma ligação muito profunda de Adriano Nóbrega com a família Bolsonaro e também há um silêncio ensurdecedor sobre isso”, afirmou. “Como que um presidente da República não fala sobre isso? A família Bolsonaro não tem a ver com a morte de Adriano, mas certamente tem a ver com a vida inteira dele”. Freixo diz que Nóbrega nunca foi devidamente investigado por seus crimes ao longo dos anos e que transitou impune pelas margens do sistema. “Por que Adriano foi expulso da política por conta do jogo do bicho e nunca foi investigado por isso?”, questiona. O presidente Bolsonaro não deu nenhuma manifestação sobre a morte de Adriano. Quem falou sobre o assunto em sua conta no Twitter foi Flávio, que se manifestou três dias depois da morte. Ele disse que “pessoas” estavam tentando acelerar a cremação do capitão morto, “brutalmente assassinado pela polícia”. “Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, afirmou. Horas antes, a Justiça do Rio de Janeiro já havia proibido a cremação imediata do corpo do miliciano.

Jogo do bicho

Adriano Nóbrega, na sua carreira militar, chegou ao posto de capitão no Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio de Janeiro, onde entrou em 2009 e saiu em 2014. Junto com sua trajetória na polícia, sempre teve uma vida paralela no mundo do crime. Foi preso e solto três vezes. A primeira vez foi no caso de Leandro Silva. Na segunda prisão, temporária, Adriano foi acusado de tentativa de homicídio contra Rogério Mesquita, fazendeiro com quem disputava o patrimônio do bicheiro Valdomiro Paes Garcia, conhecido como Maninho, morto em 2004. Na última vez que foi para a cadeia, em 2011, era acusado de formação de quadrilha e tentativa de homicídio qualificado por conta de seu envolvimento com o alto escalão do jogo do bicho no estado. O envolvimento com a contravenção motivou sua expulsão da polícia. O ex-capitão foi considerado culpado por atuar como segurança pessoal do José Luiz Lopes, o Zé Personal, casado com uma das filhas de Maninho e chefe da máfia dos caça-níqueis. Só em dezembro de 2013, depois de ter sido beneficiado pela impunidade, a Polícia Militar decide expulsar Adriano da Nóbrega da corporação.

Apesar das acusações e suspeitas de envolvimento de seu cliente com todo tipo de crime, o advogado de Nóbrega, Paulo Catta Preta, disse que aconselhou Nóbrega a se entregar porque ele teria boas chances de absolvição. Catta Preta acreditava que se Nóbrega se entregasse para a polícia, seria mais fácil conseguir um habeas corpus. “Ele foi acusado de ser chefe de milícia de Rio das Pedras. Muito embora a imprensa publique muito sobre ele, não há provas suficientes no processo. Falei que estava confiante de que ele seria absolvido, mas ele dizia que iriam matá-lo”, finalizou. Os fatos provam que Nóbrega tinha razão sobre o objetivo de seus desafetos e sobre seu destino. Mas seu triste fim deixa em aberto uma série de questões sem respostas. Possivelmente, se continuasse vivo e quisesse falar, poderia elucidar muitos crimes cometidos pelas milícias e, inclusive, ajudar a entender melhor qual é a relação desses grupos criminosos com o centro do poder.

O anjo da morte

Divulgação

Na história da República brasileira, a ligação entre presidentes e criminosos não é algo excepcional. O caso mais conhecido é o Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, que comandou o atentado rua Tonelero, que feriu o jornalista Carlos Lacerda e levou à morte o major Rubens Vaz. Lacerda comandava o jornal Tribuna da Imprensa, veículo de maior oposição ao governo Vargas, responsável por uma série de denúncias envolvendo o Palácio do Catete.

O crime levou Gregório à prisão. Quando o coronel da Aeronáutica, João Adil de Oliveira, responsável pela investigação do crime, se depara com o inquérito diz: “Tenho a impressão de me encontrar sob um mar de lama”. Desde então, a expressão é como um marco para a tamanha difamação que é um presidente da República estampar as páginas policiais de um jornal. Pouco influencia um criminoso aparecer na mídia no espaço reservado à política. Agora, deprecia e muito, um presidente aparecer na sessão voltada à grupos criminos

PROS: Partido do helicóptero quer voar alto no RN


Conhecido pelo fato do seu presidente nacional ter misteriosamente comprado um luxuoso helicóptero, motivo do deputado Rafael Mota ter desembarcado do partido, o PROS , agora liderado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, médico Jaime Calado  promoveu uma tarde muito produtiv. Foi assim definida a reunião do partido em Natal, tarde desta sexta-feira (14). Mais de 200 filiados e lideranças políticas de diversas regiões do Estado atenderam ao convite do presidente regional do PROS/RN, Jaime Calado, e prestigiaram a primeira reunião no espaço Cuxá (anexo ao antigo Hotel Residence).

O presidente Jaime Calado fez a abertura e falou sobre o planejamento do partido para as eleições 2020 e demais assuntos da conjuntura política estadual e de interesse do partido.

A senadora Zenaide Maia fez questão de falar sobre o fortalecimento do partido e que fará questão de estar no palanque dos candidatos que estiveram apoiando sua candidatura ao Senado Federal. Zenaide também comentou sobre seu primeiro ano de trabalho no Senado Federal e afirmou que o seu olhar é para o bem estar da população do RN e do Brasil.

O PROS-RN apresentou, através da palestra do assessor jurídico, advogado Leonardo Braz, uma breve palestra sobre o calendário eleitoral.

Para o presidente do PROS-RN, Jaime Calado, o evento superou todas as expectativas. “Satisfação total com relação ao evento, onde inicialmente estava esperando 70 pessoas, depois dobrou para 140 e terminou com mais de 200 pessoas de várias cidades do RN. O nosso partido já tem quatro prefeitos e deverá, no pleito deste ano, ter mais de 20 prefeitos candidatos e centenas de vereadores. Não queremos ser o maior partido, mas também não queremos ser o menor. Vamos ter um partido que tem como meta a melhoria da qualidade de vida da população”, acrescentou com muita emoção o Presidente do PROS-RN.

Câmara dos Deputados azulada

A Câmara dos Deputados está iluminada de azul até o dia 21 de fevereiro como parte da campanha pelo Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro). A campanha é uma iniciativa global organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, destacou que a campanha ajuda na prevenção e no estímulo a políticas públicas de controle. Ele citou a aprovação da lei que assegura a pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito à realização de exames no prazo máximo de 30 dias.

Governo Fátima Bezerra quita novembro de 2018 e adianta pagamento de fevereiro neste sábado

 


O Governo do RN depositou mais de R$ 314,3 milhões na economia potiguar. O adiantamento do salário de fevereiro de 2020 e o passivo de novembro de 2018 amanhecerão na conta bancária dos servidores do Estado neste sábado (15).

O funcionalismo que recebe até R$ 4 mil (valor líquido) e a categoria da Segurança Pública receberão o salário integral. O servidor que recebe acima de R$ 4 mil teve 30% de seu salário adiantado e receberá os outros 70% no próximo dia 29.

Com isso, mais de 60 mil funcionários terão seus salários integrais na conta já na metade do mês e quase 30 mil terão parte de seus vencimentos adiantados, totalizando uma folha de mais de R$ 220 milhões.

SALÁRIO DE NOVEMBRO DE 2018

Em relação ao passivo de novembro de 2018, foi depositada a parcela restante dos servidores que recebem acima de R$ 5 mil. Com isso, o Governo quita o segundo dos quatro salários em atraso deixados pela última gestão, tendo pago também o 13º de 2017.

O Governo segue no trabalho constante pela busca do equilíbrio fiscal e de receitas extras para pagar os salários de dezembro e o 13º de 2018, que totalizam um montante de mais de R$ 700 milhões.

Mistério: Jornalistas que investigavam morte de Adriano da Nóbrega são presos pela PM baiana

Dois jornalistas da revista Veja foram detidos pela polícia da Bahia nesta sexta-feira (14/2), enquanto apuravam a morte do miliciano Adriano da Nóbrega. De acordo com a revista, o repórter Hugo Marques e fotojornalista Cristiano Mariz foram abordados pela Polícia Militar enquanto tentavam localizar o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães, apontado como testemunha fundamental para esclarecer o caso.

Mesmo mostrando as credenciais de imprensa e informando que estavam realizando investigações sobre o caso, como permite a lei 83.284/79, os profissionais foram obrigados a entrar na viatura. Dias antes de ser morto em uma operação policial, Adriano contou ao advogado que temia ser alvo de uma queima de arquivo, e por isso não se entregava as autoridades. Fotos publicadas pela Veja apontam que o corpo de Adriano contém lesões de faca e marcas de disparos de arma de fogo possivelmente realizadas a queima-roupa, o que indica execução.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirma que Adriano reagiu a uma operação da polícia, disparando contra as guarnições, e por conta disso, foi morto. O repórter Hugo Marques afirmou que durante a abordagem policial o gravador que estava com ele, com entrevistas realizadas na última semana, foi subtraído por um policial. Em seguida foram levados para a delegacia e interrogados por cerca de 20 minutos.

Após serem ouvidos pela Polícia Civil, os comunicadores foram liberados e o gravador foi devolvido. Procurada pelo Correio, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia ainda não se manifestou sobre o caso.

General Heleno foi grosseiro com Francisco: “Papa confraternizou com um criminoso”

O comportamento inapropriado é incompatível com o que as a que também é Chefe de Estado.

Gustavo Porto e Elizabeth Lopes

A repercussão do encontro do Papa Francisco com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, 13, em audiência no Vaticano, que mais uma vez dividiu as redes sociais entre apoiadores e críticos, também reverberou no Palácio do Planalto, na ala militar do governo.
Em post publicado na manhã desta sexta-feira, 14, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, ironizou o encontro dos dois, dizendo que foi um ato de solidariedade a malfeitores, “tão a gosto dos esquerdistas”.
Em menos de uma hora, a postagem já tinha mais de mil retuítes e 6 mil curtidas, a maioria, de simpatizantes do governo Bolsonaro, parabenizando o general Heleno pela mensagem recheada de sutil ironia, e criticando também a postura do sumo pontífice. Alguns seguidores classificaram Francisco de “comunista e militante político de esquerda”.

General grosseiro e constrangedor com o Santo Papa

Em contrapartida, os correligionários de Lula postaram mensagens de apoio, dizendo que “depois da bênção” que o petista recebeu do Papa Francisco, ele voltará mais revigorado para continuar sua luta no Brasil.

O encontro

O papa Francisco recebeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira no Vaticano, em um encontro privado que durou cerca de uma hora. Lula se encontrou com o papa na Casa Santa Marta, local onde o líder religioso costuma ter reuniões mais informais, longe dos protocolos do palácio.

Em sua conta pessoal no Twitter, o ex-presidente publicou duas fotos do encontro informando que havia conversado com o papa sobre um “mundo mais justo e mais fraterno”.

Em comunicado, o PT afirmou que entre os assuntos tratados estariam a luta contra a fome e as desigualdades. A reunião foi organizada por intermédio do presidente argentino, Alberto Fernández, que visitou o papa em 31 de janeiro, segundo o partido. (Com agências internacionais).

Habilidosamente governadora Fátima Bezerra celebra acordo com servidores sobre termos da Reforma da Previdência

Após nova reunião, na tarde desta quarta-feira (12), na Governadoria, a equipe econômica do Governo do RN firmou acordo com entidades representativas de servidores de carreira do Estado e concluiu o texto-final da proposta de Reforma da Previdência (Emenda à Constituição n° 6, de 2019), que será enviada à Assembleia Legislativa (ALERN). Após quase dois meses de diálogo e transparência, foram atendidas as reivindicações possíveis. Entre elas, a redução da maior alíquota, que caiu de 18% para 16%.

“A minuta final aprovada em acordo com diversas entidades e associações que mantiveram o diálogo com o Governo do Estado representa muitos avanços diante da proposta do Governo Federal. O texto é mitigado em diversos pontos, um dos principais é a alíquota que a reforma federal estabelece, de até 22%, e que nós conseguimos reduzir para 16%”, destacou o presidente do Instituto de Previdência Social (IPERN), Nereu Linhares.

O texto-final traz um impacto reduzido para os menores salários do funcionalismo público estadual e mantém a taxa de isenção para os inativos que recebem até R$ 2.500,00. “Este processo de negociação durou quase dois meses, o que é característica desse governo de diálogo e transparência, finalizado hoje. Conversamos pontos de cunhos individuais e gerais e amanhã enviaremos o projeto à Assembleia Legislativa”, disse o secretário de Estado de Tributação, Carlos Eduardo Xavier. “Iniciamos o processo dialogando com todas as categorias. No entanto, algumas entidades abandonaram as conversas, mas seguimos o processo de diálogo com as demais. Hoje, por exemplo, definimos questões importantes e conseguimos construir um texto que, comparando com outras reformas que estão sendo pelo país, atende o lado do estado e minimiza os impactos para o servidor público”, finalizou.

O principal objetivo da reforma da previdência é diminuir o aporte mensal que é transferido da conta única do tesouro estadual para pagamento de inativos e pensionistas, além de ser uma prerrogativa para que o Rio Grande do Norte possa ser beneficiado pelo Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF) do Governo Federal.

Com a aprovação da proposta, o governo estima arrecadar inicialmente cerca de R$ 40 milhões, com relação ao déficit financeiro, caso a proposta seja aprovada nos moldes apresentados pelo Governo, e que este volume avance ao longo do tempo. Como explica o presidente do IPERN: “O impacto financeiro inicial é pequeno, entretanto, significa um grande avanço no déficit atuarial”.

“Foram negociadas as alíquotas e outros pontos bastante sensíveis como as regras de transição, que não constavam na emenda federal, a PEC 103, mas que conseguimos incluir aqui. Conseguimos construir uma proposta que é bem menos onerosa do que a aprovada pelo governo federal. Esse processo de negociação foi muito importante para que impactasse menos nos salários. Espero que essa postura seja repetida na Assembleia”, destacou Fernando Vasconcelos, presidente da Ampern – Associação do Ministério Público do RN.

“O que houve de positivo para todos: o consenso com relação às alíquotas acertadas, as regras de transição e a manutenção do abono de permanência daqueles que já recebem o benefício. Com esse diálogo, conseguimos minimizar o ônus que qualquer reforma traz”, resumiu Artur Cortez, juiz representante da Associação dos Magistrados do RN – Amarn.

Assinaram o termo de acordo com o Governo membros da Adepol, Amarn, Sindasp, Sindifern, Adpern, Aspern, Sindiperitos, Sinpol, Audicern e Audicon.

Palácio do Planalto virou um quartel

A ala militar da gestão Jair Bolsonaro consolidou a retomada do prestígio no governo com a decisão do presidente de convidar um general para substituir o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) na chefia da Casa Civil.

A opção, por outro lado, gerou desconforto entre alguns membros da cúpula do Exército preocupados com o que consideram excessiva identificação com o governo.

A Folha antecipou o convite de Bolsonaro a ​Walter Souza Braga Netto, 62, que ocupa o segundo principal posto do Exército, a chefia do Estado-Maior. Após reunião com o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, ele sinalizou que aceitará o cargo.

Como não houve um anúncio formal por parte do Palácio do Planalto, contudo, fica em aberto a possibilidade de alguma mudança de planos.

Braga Netto, que em 2018 passou dez meses como interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, resistiu inicialmente ao convite de Bolsonaro. O Planalto, porém, trabalhava com a sinalização de que ele iria aceitá-lo.

Segundo oficiais-generais ouvidos pela Folha, houve um movimento discreto por sua permanência no cargo.

FOLHAPRESS