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Auxiliares de Bolsonaro defendem que presidente coloque limites aos filhos

Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo embarcam em avião da Força Aérea em janeiroImagem: Divulgação

Luciana Amaral e Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

O desenrolar em público das críticas de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL) – que teria autorizado verba pública nas eleições a candidatos laranjas -, deixou auxiliares do mandatário preocupados com a intromissão da prole em assuntos do governo federal.
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Para estes interlocutores, a atitude de Carlos publicar um áudio do pai no Twitter e intensificar a fritura de um ministro de Estado – ainda mais um tão próximo do presidente quanto Bebianno – é inadmissível e demonstra imaturidade tanto do próprio Bolsonaro quanto do filho. Isso porque a publicação do áudio chegou a ser compartilhada pelo presidente.

“Claro que, num início de governo, você está se adaptando ao cargo e vai aprendendo a conduzir os percalços internos, mas não pode deixar desenvolver uma crise dessas. Nem incentivá-la publicamente”, afirmou um assessor.

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Carlos Bolsonaro divulga áudio do pai com Gustavo Bebianno

UOL Notícias

Auxiliares concordam ser hora de Bolsonaro chamar os filhos para conversar e adverti-los de que cada um deve se ater aos respectivos trabalhos: Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no Senado, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na Câmara dos Deputados e Carlos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Segundo apurou o UOL, Carlos e Eduardo são desafetos de Bebianno desde a campanha eleitoral. Outros integrantes do círculo íntimo de Bolsonaro que hoje despacham do Planalto também já se desentenderam com o atual ministro. O problema, de acordo com auxiliares sem envolvimento com o núcleo duro da época de campanha do presidente, é que os atritos permanecem.

“Estamos meio que sem saber o que fazer. Ninguém esperava essa crítica explícita do Carlos e muito menos do presidente. Agora todos estão de olho, porque, se ele [Bolsonaro] fez isso com o Bebianno, o que ele pode fazer com os outros?”, disse outro assessor à reportagem.

A fim de tentar colocar um ponto final na crise, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional e um dos principais conselheiros de Bolsonaro, general Augusto Heleno, foi escalado para pedir maior reflexão ao presidente, apurou o UOL.

Desde que chegou a Brasília, na quarta (13), eles se encontram três vezes a sós no Palácio da Alvorada, fora outras reuniões das quais participaram com outras pessoas.

“Acho que ele vai pedir mais calma ao presidente. Mostrar as consequências de ficar colocando lenha na fogueira e as implicações de uma crise para o restante do trabalho do governo, ainda mais com menos de dois meses de mandato”, disse um assessor do Planalto.

Em visita a Sorriso (MT) na manhã de hoje, ao ser questionado se os filhos de Bolsonaro deveriam “falar menos”, o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), respondeu ter certeza que o presidente iria “botar ordem na rapaziada dele”.

“Essas questões aí são questões internas. […] Os filhos são um problema de cada família. Eu tenho certeza que o presidente, em momento aprazado, correto, vai botar ordem na rapaziada dele”, declarou.

Indagado se acreditava que Bolsonaro e Bebianno iriam conversar após o gelo que este estava levando, ele disse que sim. À tarde, o ministro realmente foi recebido pelo presidente junto a Heleno, o próprio Mourão e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), outro interlocutor entre Bolsonaro e Bebianno.

Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia se manifestado sobre a conversa e a permanência de Bebianno na pasta continuava indefinida.

Segundo levantamento do UOL junto à agenda oficial de Bolsonaro, Carlos foi recebido em audiências no Planalto, em janeiro, por cinco vezes, mais do que muitos ministros.

PARLAMENTARES BUSCAM SE DISTANCIAR DA CRISE

Na quarta, um dos dias mais agitados da crise com o ministro Bebianno, a preocupação dos parlamentares do PSL era sobre o desfecho do impasse. Os parlamentares da Câmara e do Senado se reuniram em um jantar para discutir o papel do partido dentro da crise.

“Essa crise não é nossa, dos parlamentares. Mas respinga na gente. Todo mundo fica com o pé atrás, esperando uma resolução. E agora estamos em compasso de espera, até que saibamos se o ministro fica ou não”, disse um deputado ao UOL, na condição de não revelar o nome.

“Sabemos da importância dos filhos dele como conselheiros, mas ainda não está claro até onde vai essa influência “, completou.

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“Temos receio de que a queda do ministro crie um ambiente desconfortável e vulnerável a pressões externas para quem está no governo”, relatou. O parlamentar destacou ainda que a pressa em resolver a crise se justifica pelo medo de prejudicar o andamento da reforma da Previdência.

Após a reunião, na quinta, as declarações dos parlamentares buscaram ter tom conciliador. O senador Major Olimpio (PSL-SP) disse que a crise com o ministro não afetava o governo.

“Eu tenho certeza que no momento em que o ministro Bebianno tiver uma reunião pessoal e reservada com o presidente, tudo vai se esclarecer”, declarou.

A deputada Joice Hasselman (PSL-SP) ponderou que o episódio dos candidatos laranjas é um “primeiro desgaste pontual que existe entre um integrante do núcleo duro do governo e o próprio presidente da República”, porém, “pode acontecer outras vezes”.

Governo tumultuado: Bebianno diz que ‘não é moleque’ e que Bolsonaro teme respingo e confirma que falou com presidente várias vezes na terça-feira

Acuado pelos ataques da família Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) diz que não teme investigações por conta do esquema de candidaturas laranjas do PSL, reveladas pela Folha de S.Paulo.

“Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo”, disse o ministro em entrevista à revista Crusoé.

Bebianno, que foi braço-direito de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, afirmou nesta quinta-feira (14) que não vai se demitir até falar diretamente com o presidente.

O ministro foi um dos primeiros a se engajar na campanha eleitoral do agora presidente, quando, segundo seus amigos, nem mesmo o próprio Bolsonaro acreditava nela.

Questionado pela Crusoé se vê um possível complô para derrubá-lo, Bebianno negou. “Acho que há o desejo de atingir o presidente de alguma forma”, disse. Mas criticou declaração do mandatário ao Jornal da Record, na qual admitiu a possibilidade de demitir o ministro –fazê-lo “voltar às origens”.

“Todos nós voltaremos às nossas origens. As nossas origens estão no cemitério. O presidente não morrerá presidente. Muitas pessoas que se elegeram agora, eu não quero citar nomes, que também estão aí sob foco de investigações. Vamos ver, está certo? Eu sou homem, não sou moleque.”

Bebianno voltou a rebater Bolsonaro e seu filho Carlos e afirmou que esteve em contato com o presidente na última terça-feira (12). “Falei com o presidente, sim. Várias vezes ao longo do dia. Por WhatsApp, por texto. Falamos, conversamos. Recebi orientações, falamos sobre assuntos institucionais.

O ministro da Secretaria-Geral se negou a pagar na mesma moeda os ataques de Carlos Bolsonaro, que divulgou um áudio no qual o pai disse que não queria falar com Bebianno. “Ele [Carlos] não é nada no governo. Eu sou ministro. Tenho que respeitar a liturgia do cargo.”

“Não sou moleque para ficar batendo boca em rede social. Se há algum problema, eu resolvo frente a frente, olho no olho, dentro de uma sala, como uma pessoa civilizada”, reforçou Bebianno, em crítica ao filho do presidente.

Em um discurso quase homogêneo, a bancada do PSL na Câmara passou a cobrar explicações e eventualmente a queda do ministro. Poupa, no entanto, o presidente do partido e colega deputado, Luciano Bivar (PE), pivô da crise no governo Bolsonaro.

Por outro lado, a ala militar do governo e até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foram chamados para tentar apaziguar a crise. Para os militares, no entanto, a visão generalizada é de que será muito difícil manter Bebianno no cargo.

NOTÍCIAS AO MINUTO

GOVERNO BOLSONARO: Parlamentares promovem investida contra STF e tentam mostrar força

BRASÍLIA/Folha de São Paulo

Deputados e senadores bolsonaristas que promovem uma ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal tentam dar uma demonstração de força da base ao Poder Judiciário e também ao que chamam de velha política no Congresso.

Aliados do presidente, ao atacar o “ativismo judicial”, criticam a proteção recíproca entre ministros do Supremo e políticos tradicionais enrolados com a Justiça. Se, de um lado, congressistas como o senador Renan Calheiros (MDB-AL) têm numerosos inquéritos no currículo, os ministros do Supremo são objeto de 28 pedidos de impeachment.

Ministros do Supremo Tribunal Federal durante julgamento de Ação Direta de Constitucionalidade em relação ao indulto natalino para presos com bom comportamento
Ministros do Supremo Tribunal Federal durante julgamento de Ação Direta de Constitucionalidade em relação ao indulto natalino para presos com bom comportamento – Pedro Ladeira – 28.nov.2018/Folhapress

Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar eventuais excessos em tribunais superiores, apelidada de “Lava Toga”, foi arquivada no Senado por falta de apoio na segunda-feira (11).

Para congressistas bolsonaristas, como o senador Major Olímpio (PSL-SP), foi mais uma demonstração de que “a velha política ressurge, às vezes apenas com uma roupagem de nova”. “Vejo com tristeza”, afirmou.

No dia seguinte ao arquivamento, congressistas em ambas as Casas iniciaram movimentos simultâneos de enfrentamento ao Supremo. Entre eles, passou-se a tentar desarquivar a CPI do Judiciário.

A Casa, no mesmo dia, desengavetou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que proíbe o aborto.

“O desarquivamento é para enfrentar, sim, o ativismo judicial do Supremo. É um posicionamento do Senado para que esta Casa cumpra seu papel constitucional”, disse Major Olímpio.

“Esse é um tema polêmico. Não podemos esquecer que, se não avançarmos nessa pauta, o Supremo Tribunal Federal o fará”, disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Próximo ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), negou que a mobilização tenha representado um enfrentamento ao Judiciário.

“Nada a ver. A votação do desarquivamento da PEC é um instrumento democrático”, desconversou.

O Planalto teme que o atrito entre Poderes se acirre e comprometa a aprovação de medidas prioritárias como a reforma da Previdência.

Onyx, ainda na terça (12), almoçou com o presidente do STF, DiasToffoli, em compromisso inicialmente fora da agenda pública.

“Bolsonaro conversou com Toffoli e ficou muito satisfeito que esse diálogo estava aberto e a ideia que nós temos é de unir o Brasil”, disse o chefe da Casa Civil.

Nesta quarta (13), o presidente do Supremo capitaneou um almoço entre ministros do tribunal em que possíveis investidas contra o Judiciário foram debatidas.

Segundo relatos de interlocutores, os magistrados procuraram demonstrar unidade. Houve unanimidade nas críticas à ideia de parlamentares da base do governo de revogar a PEC da Bengala que, em 2015, elevou de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria dos ministros do Supremo.

A manobra permitiria que Bolsonaro indicasse quatro ministros para a corte, em vez de dois.

Alguns ministros do STF se disseram surpresos com a reação de parlamentares da bancada evangélica contra o julgamento de dois processos, iniciado nesta quarta, que discutem se houve omissão do Congresso ao deixar de legislar sobre a criminalização da homofobia.

Na terça, 22 parlamentares contrários ao julgamento tiveram audiência com Toffoli. Um deles, o deputado João Campos (PRB-GO), afirmou que “a principal preocupação nossa é o ativismo judicial”.

“O Judiciário interferir nas atividades do Poder Legislativo é usurpação de competência”, disse.

Segundo Campos, membro da bancada evangélica, “a maioria das vezes que o Judiciário usurpa é em área nossa, do segmento religioso”.

Ao abrir a sessão na quarta, Toffoli enfatizou que os processos estavam na pauta desde dezembro, passando o recado de que seu julgamento não tem o objetivo de afrontar o Legislativo.

Ao manter o cronograma, a corte pretendeu demonstrar que prevalece a independência do Judiciário. O julgamento continuará na quinta-feira (14). Eventual pedido de vista pode adiar o debate.

Na Câmara, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) foi aplaudido ao criticar o “ativismo judicial”. “Os ministros que quiserem legislar que tirem a toga, ganhem as eleições e venham aqui”, discursou.

Entre os que bateram palmas estava sua correligionária, Bia Kicis (DF), da base bolsonarista, que encabeça a iniciativa de tentar revogar a PEC da Bengala.

Angela Boldrini , Daniel Carvalho , Reynaldo Turollo Jr. e Thais Bilenky

Bibiano X Carlos Bolsonaro

Diante da crise instalada no Palácio do Planalto envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, principalmente militares, estão agindo para tentar conter o imenso problema criado no dia em que o governo quer anunciar qual a proposta da reforma da Previdência vai encaminhar ao Congresso.

A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais. O ministro, que foi presidente do PSL, disse à interlocutores que está “muito magoado”. Só que, Bebianno, já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.

Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos tem trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os bombeiros do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” esta ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.

Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira para tentar lhe mostrar as implicações destes atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.

Estadão Conteúdo

Bolsonaro desmente Bebianno, admite demitir o ministro e diz que mandou PF investigar denúncia

CONGRESSO EM FOCO

O presidente Jair Bolsonaro desmentiu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e disse que não conversou com o auxiliar na última terça-feira (12). Como sinal de que não havia crise entre ele e o presidente, Bebianno declarou, em entrevista ao Globo, que tinha conversado três vezes com Bolsonaro na véspera.

Em entrevista concedida à Record TV antes ainda de receber alta no Hospital Albert Einstein, o presidente disse que demitirá o ministro se for comprovado que ele participou de um esquema de candidatura laranja do PSL na eleição. “Se estiver envolvido, logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens. Em nenhum momento conversei com ele”, afirmou. Bolsonaro contou que determinou à Polícia Federal que apure as denúncias.

Ainda ontem o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, divulgou áudio em que o pai despacha rapidamente Bebianno pelo telefone. “Ô, Gustavo, está complicado eu conversar ainda. Então, não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Estou em fase final de exames para possível baixa hoje, tá ok? Boa sorte aí”, disse Bolsonaro a Bebianno. Antes de publicar o áudio, Carlos foi ao Twitter chamar o ministro de mentiroso. A mensagem com o áudio foi republicada por Jair Bolsonaro. O filho do presidente e o ministro são desafetos desde a campanha eleitoral.

Na entrevista, o presidente negou que soubesse sobre o esquema de candidatura laranja no PSL e disse que estava em “convalescença” na reta final da campanha eleitoral devido à facada que levou na barriga em Juiz de Fora (MG).

“E mesmo que não estivesse, não tenho como acompanhar tudo isso aí. Agora, já determinei à Polícia Federal que abra inquérito e investigue esse caso”, afirmou. “Não são todos [do partido], é uma minoria do partido que está aí nesse tipo de operação que nós não podemos concordar”, acrescentou.

Bebianno disse à GloboNews que não pretende pedir demissão porque não fez nada de errado. “Não tenho intenção de me demitir. Não fiz nada de errado, meu trabalho continua sendo em benefício do Brasil. O presidente, se entender que eu não devo mais continuar, ele certamente vai comunicar. Da minha parte, tudo foi feito com honestidade e correção, então vou esperar para ver o que acontece”, declarou.

Advogado do presidente, Bebianno assumiu a presidência nacional do PSL durante a campanha eleitoral por ser considerado homem de confiança de Bolsonaro. Ao deixar o comando do partido, após a eleição, ganhou a Secretaria-Geral da Presidência, considerada uma pasta importante no governo.

Segundo reportagem publicada no último domingo (10) pela Folha de S.PauloBebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal. Ela teve apenas 274 votos.

De acordo com a Folha, Maria de Lourdes Paixão recebeu o terceiro maior montante entre os candidatos do PSL – mais do que o próprio Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), eleita com mais de 1 milhão de votos.

Projeto de Lei prevê que mulheres possam usar spray de pimenta e arma de choque para defesa pessoal

Resultado de imagem para spray de pimenta e arma de choqueUm projeto de lei do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) prevê que mulheres possam adquirir spray de pimenta e armas de eletrochoque. Segundo o texto, o porte dos equipamentos é destinado somente a maiores de 18 anos, para “proteção pessoal”.

De acordo com a proposta, compete ao governo federal a emissão da autorização para o comércio do spray e das armas de eletrochoque aos estabelecimentos interessados.

“Os estabelecimentos responsáveis pela comercialização de spray de pimenta e de armas de incapacitação neuromuscular (armas de eletrochoque) deverão manter, pelo prazo mínimo de 60 (sessenta) meses, banco de dados com o registro cadastral das adquirentes, que será encaminhado à Polícia Civil do respectivo Estado federado”, propõe.

O parlamentar ainda diz, em seu projeto, que cabe ao governo federal regulamentar o tema. O PL dispõe sobre alterações no estatuto do desarmamento. “Tratando-se de armas de incapacitação neuromuscular (armas de eletrochoque), nos termos do art. 22-A, o registro concedido autoriza seu porte, sendo este exclusivo para mulheres, tendo sua regularidade comprovada mediante exibição do Certificado de Registro e Porte de Arma de Incapacitação Neuromuscular”.

“Não será cobrada qualquer taxa, dentre as referidas no art. 11, pela expedição e renovação de registro para arma de incapacitação neuromuscular (arma de eletrochoque)”, prevê.

‘O partido que se explique’, diz Mourão sobre candidatura laranja do PSL

Ernesto Rodrigues/Estadão ConteúdoGustavo Maia

Do UOL, em Brasília

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou hoje que é um “problema do partido [PSL]” a investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeita de “candidatura laranja” na sigla do presidente Jair Bolsonaro.

Para Mourão, a questão não atinge diretamente o governo.

“O presidente pertence ao PSL, mas [isso] não tem nada a ver com a campanha dele. Então é problema do partido. O partido que se explique”, declarou.

Indagado se o presidente pediu explicações à sigla sobre o caso, Mourão disse não saber.

O jornal “Folha de S.Paulo” revelou hoje que a Polícia Federal intimou a prestar depoimento uma candidata a deputada federal de Pernambuco que teria sido usada como laranja pelo PSL.

Reportagem de domingo (10) revelou que o grupo do atual presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, apoiou incentivou a candidatura de Maria de Lourdes Paixão, 68.

Ela recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018 e foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), que teve mais de um milhão de votos.

Maria de Lourdes teve apenas 274 votos.

Tasso Jereissati e Kátia Abreu retiram apoio e provocam arquivamento da CPI da Lava Toga

Tasso. Ministros do STF estariam na mira da CPI. Trabalho de coleta de assinaturas terá de ser refeito após arquivamentoCONGRESSO EM FOCO

Os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Kátia Abreu (PDT-TO) retiraram suas assinaturas do pedido de criação de uma comissão parlamentar de inquérito que se prestaria a investigar denúncias  envolvendo membros de tribunais superiores. O requerimento de instalação do colegiado, de autoria do senador Alessandro Vieira (PPS-SE), havia obtido o número mínimo de adesões (27 senadores) na última quinta-feira (7).

Segundo a Secretaria-Geral da Mesa, Eduardo Gomes (MDB-TO) também solicitou a retirada de sua assinatura, mas o fez por meio de aplicativo de mensagens via celular, com uma foto em que comunicava a desistência. Assim, a exclusão não foi oficializada, mas será feita após o cumprimento de procedimentos burocráticos de confirmação.

Com a retirada de assinaturas, o documento passou a ter 25 adesões e, consequentemente, encaminhado ao arquivo. O comunicado de arquivamento foi feito há pouco em plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que em seguida anunciou o encerramento da sessão plenária não deliberativa desta segunda-feira (11). Para que um novo pedido seja protocolado, o senador interessado tem que reiniciar a coleta de assinaturas.

“A Constituição prevê, em seu artigo 58, parágrafo 3º, que requerimentos de CPIs devem conter, no mínimo, um terço das assinaturas dos senadores e/ou deputados – o que, no caso, representaria 27 senadores. O requerimento, apesar de ter sido apresentado com 27 assinaturas, sofreu duas retiradas, chegando a 25 signatários – e, assim, deixa de atender ao que exige a Constituição. Enfim, deixa de ser lido o requerimento. Determino que o requerimento vá para o arquivo”, comunicou Alcolumbre aos pares.

Chamada nos bastidores de “CPI Lava Toga”, a comissão seria criada para investigar o funcionamento de tribunais superiores com foco no Supremo Tribunal Federal (STF). Os trabalhos investigativos incluiriam convocação de ministros das Cortes superiores para esclarecimentos ao colegiado.

Pedido de CPI “Lava Toga” é protocolado no Senado; veja quem assinou

O requerimento é focado em quatro pontos. Um deles é o “uso abusivo” de pedidos de vista ou outras manobras que atrasam as decisões das Cortes. Outra frente de investigação que seria pedida pelos parlamentares é o “cotidiano desrespeito ao princípio do colegiado” – segundo Alessandro, os tribunais se transformaram “em um aglomerado de juízes monocráticos”.

Ainda na área dos procedimentos jurídicos, a CPI quer examinar a “diferença abissal do lapso de tramitação de pedidos, a depender do interessado”. O congressista do PPS reclama que “há pedidos idênticos [que chegam às Cortes Superiores] que, para algumas pessoas demora um ano e para outras, algumas horas”.

O último tópico visado pela CPI é “a participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura”; ou seja, apurar casos de magistrados com atividades remuneradas que entrariam em conflito de interesses com o cargo.

Veja quem, além de Kátia e Tasso, havia assinado o pedido de CPI:

1- Alessandro Vieira (PPS-SE)
2- Marcos do Val (PPS-ES)
3- Eliziane Gama (PPS-MA)
4- Reguffe (sem partido-DF)
5- Styvenson Valentim (Podemos-RN)
6- Eduardo Girão (Podemos-CE)
7- Álvaro Dias (Podemos-PR)
8- Selma Arruda (PSL-MT)
9- Fabiano Contarato (Rede-ES)
10-Tasso Jereissati (PSDB-CE)
11-Cid Gomes (PDT-CE)
12-Jorge Kajuru (PSB-GO)
13-Kátia Abreu (PDT-TO)
14-Soraya Thronicke (PSL-MS)
15-Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
16-Leila Barros (PSB-DF)
17-Sergio Petecão (PSD-AC)
18-Lasier Martins (Podemos-RS)
19-Major Olimpo (PSL-SP)
20-Eduardo Braga (MDB-AM)
21-Luiz Carlos do Carmo (MDB-GO)
22-Rodrigo Cunha (PSDB-AL)
23-Plínio Valério (PSDB-AM)
24-Jayme Campos (DEM-MT)
25-Luis Carlos Heinze (PP-RS)
26-Telmário Mota (Pros-RR)
27- Izalci Lucas (PSDB-DF)

Monitorar bispos expõe Brasil a ridículo internacional, diz petista ligado à Igreja

Alan Marques/Folhapress
O ex-ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho (PT)

Ricardo Galhardo

São Paulo

Liderança do PT com maior ligação com a Igreja Católica, o ex-ministro Gilberto Carvalho disse que a decisão do governo Jair Bolsonaro (PSL) de monitorar os bispos que vão participar do Sínodo da Amazônia, em outubro, em Roma, expõe o Brasil ao “ridículo internacional”.

Segundo ele, é errado supor que a Igreja é um “braço do PT”, como pretendem setores do governo. Para Carvalho, ao mirar nos bispos, o governo, que tem forte influência evangélica, estimula a divisão religiosa no Brasil e tenta encobrir os problemas ocorridos no início da administração Bolsonaro.

“Como brasileiro, fico envergonhado”, disse Carvalho. “O Sínodo é uma iniciativa da Santa Sé que articula bispos de toda a Amazônia que vai muito além do Brasil. Tem o Peru, Colômbia, Venezuela, Equador”, concluiu o ex-ministro.

Dizendo esperar que os militares “com bom senso” revejam o que ele chama de “tentativa de criar um Estado policialesco”, Carvalho considera perigosa a ofensiva do governo amparado por evangélicos contra a Igreja Católica.

“Uma notícia dessas ridiculariza o Brasil, além de mostrar a pretensão de criar um Estado policialesco. Ao mesmo tempo põe lenha na fogueira dessa guerra religiosa que eles tentam criar no Brasil. É perigoso separar católicos de evangélicos. Este governo tem um setor evangélico com muito peso e isso é ruim para a laicidade do Estado, para a liberdade religiosa”, afirmou.

Carvalho negou que a Igreja seja “um braço do PT”. Ele lembra que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) jamais emitiu uma nota oficial em defesa dos governos do PT e que organismos ligados à Igreja como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e a CPT (Comissão Pastoral da Terra) tiveram postura crítica aos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de lembrar o episódio envolvendo o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, que fez greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco na gestão Lula.

“Majoritariamente a Igreja Católica nunca teve ligação com o PT. De jeito nenhum. Sempre foram minoritários os setores da Igreja que tiveram uma ligação mais forte com o PT. Há uma área ligada às comunidades de base que tem pontos de convergência com o partido. Tem gente que foi despertada para a militância a partir de Igreja, mas parceria nunca houve”, disse Carvalho.

“Também nunca houve um documento da CNBB que tenha elogiado os governos do PT. O que houve foram conflitos como a questão do dom Cappio. O Cimi o tempo todo teve uma postura crítica contra o governo Lula. O mesmo Cimi que está criticando o governo Bolsonaro agora.”

Segundo ele, o governo tenta criar uma cortina de fumaça para os problemas ocorridos desde a posse de Bolsonaro. “Este anúncio de monitoramento obedece a uma tática canhestra de o tempo todo encontrar inimigos, de forma conspirativa. Até para encobrir os problemas que eles têm neste tempo de governo”, afirmou o petista.

Endereço de gráfica no Recife que recebeu verba do PSL não tem máquinas

Em uma pequena sala, com duas mesas e nenhum maquinário para impressões em massa, a gráfica Itapissu, no Recife, amanheceu de porta aberta nesta segunda-feira (11), após a Folha revelar a ausência de sinais de que a empresa tenha trabalhado durante a eleição.

Reportagem deste domingo (10) mostrou que a candidata laranja Maria de Lourdes Paixão, 68, indicada pelo grupo do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, declarou ter gastado R$ 380 mil de dinheiro públiconessa gráfica a quatro dias da eleição, em outubro do ano passado.

Ela teve somente 274 votos, e não há nenhum sinal de que tenha realizado de fato campanha.

Na semana passada, a reportagem da Folha visitou primeiramente um endereço que consta na nota fiscal da Itapissu, no bairro Arruda, na capital pernambucana, e encontrou apenas uma oficina de carros, que funciona há quase um ano no local.

Funcionários da oficina disseram na ocasião que correspondências com nome da gráfica costumam ser entregues nesse imóvel.

O telefone informado na nota fiscal não existe.

Já outro endereço atribuído à gráfica, que consta em seus registros na Receita Federal e que foi visitado pela reportagem nesta segunda, esteve fechado em dois dias da semana passada, quando a Folhatambém foi ao local.

Maria de Lourdes Paixão virou de última hora candidata a deputada federal para preencher vagas de cota feminina e foi a terceira que mais recebeu dinheiro público do PSL em todo país, mais que o próprio presidente Jair Bolsonaro.

No imóvel informado na Receita, localizado no número 345 da avenida Santos Dumont, há um café instalado no térreo e um espaço para aulas de reforço. Não há máquinas para impressão de material de campanha.

Em entrevista à Folha na semana passada, o presidente do PSL, Luciano Bivar, que também é deputado federal por Pernambuco, afirmou que, se a reportagem fosse ao local, iria encontrar todas as máquinas. “Se não tiver máquina, você pode escrever que eu sou um mentiroso amanhã.”

Na manhã desta segunda-feira, na sala atribuída à gráfica havia apenas um homem. Ele não quis se identificar.

Questionado desde quando estavam instalados naquele local, disse, inicialmente, que a gráfica sempre funcionou lá. Após a Folhaquestioná-lo sobre a data precisa, afirmou que não falaria mais nada.

Ele também não quis informar se era funcionário ou dono da empresa. “Não vou falar nada. Ligue para o nosso advogado e ele vai informar tudo”, disse.

Procurado, o advogado Paulo José Canizzarro afirmou nesta segunda-feira que a sala poderia ser apenas o escritório da gráfica. “Não necessariamente é lá onde se roda o material. A Folha de S. Paulo deve rodar o jornal em outro lugar, por exemplo”, disse.

Questionado então sobre onde o material de campanha era impresso, não quis informar. Alegou que não tinha autorização do cliente para repassar essa informação.

O advogado comunicou que a empresa já emitiu uma nota oficial e que essa questão específica só será respondida no momento em que as autoridades competentes notificá-los.

Diferentemente de outra suspeita de candidaturas de laranjas do PSL, em Minas, no caso de Pernambuco não há nenhuma notícia de investigação em andamento a respeito.

Hospitalizado, o presidente Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o tema.

Ele tem feito declarações por meio de redes sociais, mas não comentou o assunto até o momento. Hamilton Mourão, vice-presidente da República, afirmou, no caso das candidaturas de Minas, que, se for verdade, “é grave”.

O caso de Minas envolve o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que era o principal dirigente do PSL do estado.

Sergio Moro, ministro da Justiça, afirmou, também sobre o colega de ministério, que o caso será apurado “se surgir a necessidade”.

FOLHAPRESS