PSB vive crise de identidade três anos após morte de Campos

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Eduardo Campos com o deputado estadual Ricardo Motta e o deputado federal Rafael Motta

JOSÉ MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
THAIS BILENKY
FOLHA DE SÃO PAULO

Com o vácuo de liderança deixado pelo presidenciável Eduardo Campos, cuja morte completa três anos no domingo (13), o Partido Socialista Brasileiro enfrenta divergências internas e discordâncias sobre os rumos programáticos.

Agregador e com visibilidade, Campos atraiu nomes dificilmente identificáveis com a bandeira socialista e que hoje puxam a fila de dissidências -com Heráclito Fortes (PI) à frente, mais de dez deputados dizem estar com “a faca nas costas” e devem migrar para o DEM.

Ruralistas filiados por Campos hoje batem cabeça com “socialistas históricos” como o presidente da sigla, Carlos Siqueira, em debates como o das reformas econômicas. A decisão de votar a favor da denúncia contra Michel Temer coroou a divisão pessebista na Câmara.

No dia 2, a líder Tereza Cristina (MS) orientou a bancada a votar pelo prosseguimento da ação, mas antecipou que votaria de forma diferente. Por fim, a sigla deu 22 votos a favor da denúncia e 11 contra. O deputado potiguar Rafael Motta votou pela continuidade da denúncia..

O clima entre a direção e os deputados já estava azedado. Na véspera, Siqueira enviara carta a Cristina, com cópia a todos os deputados, dizendo que, se ela estivesse constrangida, que repassasse “encarecidamente” a tarefa a um vice-líder. “Achei meio machista”, ela reagiu.

Em abril, a deputada já havia sido destituída por Siqueira da presidência do diretório do PSB em Mato Grosso do Sul ao liberar o voto da bancada na reforma trabalhista, mesmo após o PSB decidir que se oporia ao texto.
A reunião que definiu a posição foi tensa, com discussões exaltadas entre Siqueira e os ruralistas.

O presidente se diz parte da “ala ideológica” do partido, que tenta preservar a memória de Miguel Arraes (1916-2005) e o programa histórico do PSB. Ele afirma que não quer passar “como leniente”.

“O DNA do PSB é de esquerda, não tem como mudar. Mas a gente pode encontrar o equilíbrio”, diz Jonas Donizette, prefeito de Campinas (SP) e presidente da Frente Nacional de Prefeitos.

Para ele, o partido precisa se modernizar. “O estatuto fala em desapropriação de terra. Nem a China comunista tem isso mais! Às vezes parece um dogma, é como se estivesse ferindo as memórias dos antigos líderes.”

Em discurso no aniversário de 70 anos do partido na quinta (10), em frente à direção e militância, Siqueira pregou “coerência”, chamou a reforma da Previdência de “insanidade” e disse que “não se pode discordar do ideário de um partido em que se entra”. Apesar de a cúpula da legenda estar presente, líderes das bancadas na Câmara e Senado faltaram ao encontro.

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