Tríplex do Guarujá era da família de Lula, diz Léo Pinheiro a Moro na Lava Jato

Andressa Rovani, Bernardo Barbosa e Daniela Garcia Do UOL
Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, disse nesta quinta (20) em depoimento ao juiz Sérgio Moro que o apartamento tríplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), pertenceria ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) –apesar de, no papel, ser de propriedade da empreiteira. A defesa de Lula nega.

A declaração foi dada ao magistrado dentro de ação penal da Operação Lava Jato em que Pinheiro e Lula são réus por ocultação de bens. Segundo Pinheiro, o imóvel nunca foi colocado à venda por estar reservado para a família de Lula.

“Nunca [o tríplex] foi colocado à venda pela OAS. Eu tinha a orientação para não colocar à venda, que pertenceria à família do presidente. Em 2009, foi dito pra mim: Essa unidade, não faça nenhuma comercialização sobre ela, ela pertence a família do presidente.”

Em diálogo com o juiz Sergio Moro, Pinheiro fala sobre a propriedade do tríplex:

Moro: “Eles [outros executivos da OAS] sabiam que o imóvel era do ex-presidente? Que estava destinado ao ex-presidente?”

Pinheiro: “Sabiam. Em 2010, isso ficou claro e público por [meio de uma publicação de] um jornal. Em 2010, o jornal ‘O Globo’ trouxe uma reportagem enorme sobre esse empreendimento e dizendo que o triplex pertencia a Lula. Fiquei preocupado e procurei Okamotto, dizendo como nós deveríamos proceder, já que o triplex estava no nosso nome”, disse.

“A orientação foi de que o apartamento não pode ser comercializado, o apartamento continua em nome da OAS e depois a gente vê o que precisa ser feito para a transferência ou o que for.”

A denúncia do MPF (Ministério Público Federal) acusa Lula de ser o real dono de um apartamento tríplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), construído pela OAS e do qual a empresa é dona no papel.

Obras teriam custado R$ 1,2 milhão

Segundo Léo Pinheiro, ele foi orientado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a procurar o ex-presidente no Instituto Lula. “Expus a ele o estágio em que já estava o prédio de Guarujá e queria saber dele como nós deveríamos proceder, se havia interesse da família em fazer alguma modificação.”

Em 2014, Pinheiro diz que foi chamado pelo ex-presidente. “Ele disse: ‘gostaria de ir com minha esposa [dona Marisa Letícia] visitar’. Marcamos uma ida. Foi ele, a esposa, marcamos na via Anchieta, ele deu o número de uma fábrica”, contou. “Foi uma visita de cerca de 2 horas. Estava o presidente, a dona Marisa, o Fábio Yonamine, o diretor regional, o Roberto, um gerente da área imobiliária e outra pessoa. Nós fomos, ele quis conhecer o primeiro andar, a esposa fez um comentário: vai ser necessário mais um quarto aqui.”

O depoente apontou então uma lista de mudanças solicitadas pelo casal. No tríplex, cerca de R$ 1,2 milhão foram pagos, segundo o ex-presidente da OAS, a uma outra construtora para fazer a reforma. Léo Pinheiro diz que foi feito um “projeto personalizado” para o ex-presidente Lula. Além do elevador privativo, ele detalhou a construção de uma nova escada e melhorias no último andar para manter a privacidade do petista no uso da piscina.

Léo Pinheiro afirma que a última visita da família do ex-presidente ocorreu em agosto de 2014. Devido à proximidade das eleições, Lula não acompanhou a mulher Marisa e outros parentes até o tríplex. Segundo o ex-executivo, a mulher do petista pediu que o apartamento fosse entregue até dezembro. “Ela fez uma solicitação de queria passar as festas de fim de ano no apartamento”, comenta.

Pinheiro quis falar sobre o sítio de Atibaia, mas o juiz Sergio Moro vetou.
 

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