Funaro relatou em delação que Henrique Alves exigiu de Fábio Cleto uma carta de demissão assinada em branco como garantia das propinas prometidas

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Segundo Janot, Eduardo cunha e Henrique Alves formaram uma “organização criminosa”

Segundo Funaro na delação, Eduardo Cunha e Henrique Alves indicaram, em 2011, Fábio Ferreira Cleto para uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal. O cargo pertencia à cota do PMDB no governo Dilma. Fábio Cleto representaria a Caixa Econômica Federal no Comitê de Investimento e também teve o aval de Michel Temer. No comitê, Fábio Cleto tinha acesso às informações privilegiadas sobre o andamento de processos, o poder de postergar operações por meio de pedidos de vistas, de votar contra projetos e de sensibilizar outros conselheiros.

– Como garantia de que Fábio Cleto atenderia ao comando dos seus “padrinhos”, ele teve que deixar assinada uma carta de demissão (sem data) dirigida a Henrique Eduardo Alves, na qualidade de líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, que seria utilizada para destituí-lo do cargo caso não correspondesse às expectativas.

Uma das expectativas do grupo foi atendida em meados de 2011, quando o doleiro Lúcio Funaro foi apresentado ao empresário Joesley Batista por um dos sócios do grupo Bertin. Na época, Joesley enfrentava problemas para aprovação de financiamento no âmbito do FI-FGTS para a empresa Eldorado Celulose e, de acordo com a procuradoria geral da República, negociou com Lúcio Funaro a liberação deste projeto mediante o pagamento de 3,5% do valor do financiamento autorizado a título de propina.

Lúcio Funaro era sempre informado sobre pendências identificadas pela área técnica em projetos de interesse de empresas que pagavam propina ao grupo. De posse destas informações, as pendências eram resolvidas e os projetos aprovados, após negociação com os outros membros do Comitê de Investimento.

As informações repassadas de Fábio Cleto para Lúcio Funaro destravaram o projeto da Eldorado Celulose e, em 2012, o financiamento de R$ 940 milhões foi liberado. Chegava a hora de repartir a propina.

– O valor bruto da propina foi de R$ 33 milhões. Descontados o 27,5% de impostos e o custo das operações feitas pelos doleiros para conseguir dinheiro em espécie, a propina foi dividida entre Lúcio Funaro, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Michel Temer. Os pagamentos foram feitos através de notas fiscais das empresas ARAGUAYA e VISCAYA, alguns pagamentos de boletos de fornecedores da campanha de Chalita e uma doação oficial de R$ 1 milhão de reais para o PSC.

Ao todo, entre 2011 e 2013, quando Geddel Vieira Lima ocupava a direção da Caixa Econômica Federal, foram liberados aproximadamente R$ 5 bilhões no âmbito do esquema montado na CEF. A atividade ilícita contava com o apoio de Eduardo Cunha e Lúcio Punam, responsáveis pela negociação com os empresários, e de Henrique Eduardo Alves e Michel Temer, que davam sustentação à manutenção de Geddel no cargo. Ao todo, no período, a denúncia afirma que esse grupo arrecadou por volta de R$ 170 milhões.

Fonte: http://www.saibamais.jor.br

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