Eurasia:pesquisa indica 2º turno com Bolsonaro e candidato de esquerda

Por Cristian Klein | Valor

RIO DE JANEIRO  –  Relatório da consultoria Eurasia sobre a pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (14) destaca que o levantamento eleitoral indica um clima de desencanto da população brasileira em relação à corrida presidencial. O boletim ressalta o aumento do percentual de eleitores que afirmaram estar indecisos ou que votariam em branco ou nulo. De 38%, na última pesquisa CNT/MDA em março, o grupo passou para 45%, nos cenários sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba e deve ser impedido de concorrer devido à Lei da Ficha Limpa.

Assinada pelo cientista político e diretor do grupo para a América Latina, Christopher Garman, a análise chama a atenção para o desencanto que se aprofunda “apesar da recuperação da economia” e o mau resultado obtido pelo pré-candidato do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que caiu de 8% para apenas 5% das intenções de voto, e cuja rejeição subiu de 50% para 55%. A má notícia para o tucano é vista como “potencialmente boa notícia para candidatos que têm bases de apoio mais leais e mobilizadas como Jair Bolsonaro (PSL) e figuras da esquerda”.

A previsão da Eurasia é que as eleições de outubro se darão sob um forte sentimento anti-establishment. Para a consultoria, a primeira pesquisa eleitoral depois da desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (PSB) de concorrer ao Planalto, indica o aumento da probabilidade de que o segundo turno ocorra entre Bolsonaro e algum candidato da esquerda. O boletim ressalta que Ciro Gomes (PDT) foi o único que não caiu em relação ao levantamento de março e destaca o aumento do alheamento eleitoral, que vem aumentando desde 2014, incluindo as disputas municipais.

Num ambiente de muito pessimismo – reforçado pelas respostas sobre economia, emprego, segurança e outros temas da pesquisa – a Eurasia afirma que a tendência é que os candidatos que têm bases leais e mobilizadas terão “grande vantagem”.

É o que aconteceu, por exemplo, na disputa à Prefeitura do Rio, em 2016, quando o então senador Marcelo Crivella (PRB), detentor de um fatia fiel do eleitorado evangélico, chegou ao segundo turno contra o candidato de esquerda e deputado estadual Marcelo Freixo (Psol).

Para a Eurasia, algo semelhante pode ocorrer na eleição presidencial. Tanto que a consultoria, desde a saída de Joaquim Barbosa do páreo, aumentou a probabilidade de vitória de um candidato de esquerda, seja Ciro Gomes ou um nome do PT, de 20% para 25%. Os candidatos “reformistas”, categoria liderada por Alckmin, teriam 35% de chances.

Para Marina Silva (Rede), considerada uma “quase reformista”, os prognósticos são menos claros. O relatório afirma que a ex-senadora, por ser de um partido muito pequeno, parece um pouco vulnerável aos avanços do PT ou de Ciro sobre seu eleitorado, mas que o fato de estar em segundo lugar também pode indicar um sintoma das preferências dos eleitores desencantados.

De acordo com Garman, como se está longe das eleições, “as intenções de voto não podem ser vistas como preditor de voto”. Mas que candidatos não identificados com corrupção ou com o establishment governista estão em vantagem competitiva.

“Continuamos a pensar que aqueles candidatos ‘quase-reformistas’ estão mais bem posicionados dada a maior credibilidade no tema da corrupção e em mudar o modo em que a política é conduzida”, diz.

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