CARNAVAL – De onde vem essa alegria?

Por Iran Padilha*
Pra ser sincero eu não curto carnaval. É bom que se diga que o carnaval é uma festa religiosa, coisa que poucos jovens têm conhecimento. O carnaval é a festa da carne, ou seja, deveríamos comer bastante carne, nos preparando para a quaresma, uma vez que só iríamos comê-la novamente no sábado de aleluia. Como sabemos não existe mais nada disso, o carnaval passou a ser um enorme feriado, onde as pessoas pulam, gritam e escutam músicas de péssima qualidade. Todos os anos escolhem a pior música para servir de trilha musical para os quatro dias de folia. Este ano com certeza irão se superar, depois de lepo-lepo, muriçoca, metralhadora, me deu onda, e Que tiro foi esse?” infernizarão o nosso juízo com qual lixo?

Vale ressaltar que até me esforço pra ser contagiado pela alegria dos foliões. Vou às concentrações onde se encontram as pessoas brincando o carnaval, mas aí a angústia aumenta, quando vejo aquela alegria inconsciente e fico muito mais a analisar o comportamento dos foliões e não consigo entrar nesse ritmo alucinante de inconsciência coletiva.
O carnaval atualmente pode ser comparado a uma droga que nos transporta para outro mundo. Um mundo onde não se pensa, não se analisa, não se justifica, não tem razão de ser. Acredito que toda felicidade ou alegria deva ter um ponto de origem, até porque nada surge do nada. E eu me pergunto de onde vem essa alegria? Essa euforia? Esse esquecimento coletivo dos problemas? Me perdoem, mas não consigo passar quatro dias afastado de mim mesmo, do meu ser consciente que procura a essência em tudo que vê ou participa. Não fiquem zangados com as minhas palavras, o defeito deve ser e com certeza é desse rascunhador de palavras que não consegue sair de si mesmo por tão longo tempo e sem nenhuma justificativa convincente. Quem sabe um dia eu não consiga abandonar essa prisão em que se encontra a minha alma sonhadora e possa, abandonando o meu próprio ser, cair na folia que contagia todos vocês.
*Professor, poeta, escritor e advogado

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